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O licor negro é obtido através de uma pasta produzida na celulose/Foto: chrislang
As empresas do segmento de papel e celulose estão cada vez mais eficientes quando o assunto é a autogeração de energia elétrica. Um dos principais motivos para essa autossuficiência é o uso do licor negro, resíduo resultante do processo de separação da pasta celulósica. É principalmente devido à queima dessa matéria, que algumas unidades produtoras já atingiram índices superiores a 90% de autogeração. Detalhe: o licor negro correspondia a apenas 20% da energia elétrica gerada pelo setor em 1970.
A partir de então, as companhias atuantes no Brasil passaram a valorizar mais o licor negro, que aos poucos substituiu o óleo combustível na geração termoelétrica do setor. Em 2007, 66% da energia gerada pelas empresas do segmento de papel e celulose foi resultado da queima do licor negro, mais que o triplo do valor correspondente há 39 anos. Houve um ganho gradativo no aproveitamento do licor negro pelas empresas nas últimas décadas. Nos anos de 1970, o aproveitamento dos resíduos sólidos era em torno de 60%. Há 2 anos, a concentração chegou a 82%.
A indústria do papel é uma consumidora em potencial de energia elétrica/Foto: tuli nishimura
Um bom exemplo da utilização do resíduo é a International Paper do Brasil. A empresa consome atualmente 60 MW de energia, dos quais 33 MW são provenientes de autogeração com base no licor negro. A empresa estima que até 2010, 80% da energia consumida pela companhia seja gerada a partir da queima da substância. A Suzano Papel e Celulose consumiu 88% de energia que a própria unidade da empresa, em Mucuri-BA, produziu em 2007, com base no uso de licor negro. Ela já é autosuficiente em quatro de suas sete plantas industriais: Suzano-SP, Rio Verde-SP, Embu-SP e Mucuri-BA.
A Aracruz Celulose também não fica para trás: a unidade de Barra do Riacho-ES gera 95,5% da energia consumida, enquanto a de Guaíba-RS atingiu 69% em 2007. Além de alavancar a autosuficiência das empresas em energia elétrica, o licor negro também é importante para uma melhor eficiência das máquinas, ao reduzir os desperdícios de energia que contribuem para a diminuição do consumo. Em 1995, a Celulose Irani produzia 1,3 MW por tonelada de papel bruto. Já em 2007, a fábrica de Vargem Bonita-SC produzia 0,84 MW por tonelada.

Somado ao licor negro, o gás natural ajuda as empresas a produzir a própria energia que consomem/Foto: The Joy Of The Mundane
Gás natural como parceiro
Além do licor negro, cada vez mais valorizado, as empresas do setor de papel e celulose contam com outro aliado de peso na tentativa de conquistar a autosuficiência em energia elétrica, sem falar na contribuição para a preservação do meio ambiente: a utilização de gás natural, em vez do óleo combustível para complementar o fornecimento energético. A International Paper do Brasil passou a promover essa transição em 1998, com a substituição das caldeiras usadas pela companhia.
Em 2004, quando a disponibilidade do gás natural passou a ser adequada, a empresa fez a troca e conseguiu diminuir em 10% o consumo total de energia. Atualmente, a companhia consome 250 mil metros cúbicos de gás natural ao dia, utilizado no processo de secagem do papel.
Consumidor em potencial
A importância da utilização de energias renováveis e alternativas aos combustíveis fósseis, como é o caso do licor negro e do gás natural, também é ressaltada se levarmos em conta o fato de que o segmento de papel e celulose é um dos maiores consumidores de energia elétrica do Brasil. Só para se ter idéia, o setor responde por cerca de 4% de toda a energia elétrica do país, sendo 10% dessa fatia consumida pelas indústrias. A demanda por energia é alta por conta do processo de separação da celulose e secagem do papel que usam vapor a temperaturas de até 170º.
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