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Postado em Responsabilidade Social em 31/01/2010 às 10h00
por Pedro Hijo - Redação EcoD Comentários (3) RSS
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juliana-susan.jpg
Juliana Bussab e Susan Yamamoto (de branco) formam a ONG Adote um Gatinho 

Foi pela internet que as jornalistas Susan Yamamoto e Juliana Busab se conheceram e descobriram que tinham em comum o amor pelos gatos. Não demorou muito tempo para que as duas saíssem do contato virtual e passassem para a prática: salvar gatinhos abandonados nas ruas. Juntas elas formaram a ONG Adote um Gatinho, que até hoje já encaminhou mais de 3 mil gatos para novos lares da capital paulista. O EcoD conversou com Susan Yamamoto sobre a ONG, o processo de adoção e o amor pelos felinos.


EcoD - Você se juntou a Juliana Busab e formou a Adote um Gatinho. Conte um pouco do começo do projeto

Susan Yamamoto - Eu e a Ju fazíamos parte de uma lista de discussão sobre proteção animal na internet. Então, nos conhecemos quando, coincidentemente, nos voluntariamos para ajudar a castrar alguns gatos em um parque próximo. Começamos a castrar e devolver os ariscos para o parque, mas, acabávamos com dó, especialmente dos filhotes, e acabávamos levando alguns para casa. Na época, eu trabalhava com internet, sabia montar sites, e decidi criar uma página para ajudar na divulgação desses gatinhos. Sem grandes pretensões, apenas como mais uma ferramenta na exposição deles. E o site começou a ser bem acessado, e doações e adoções foram acontecendo. Em janeiro de 2003, adquirimos o domínio adoteumgatinho.com.br e continuamos este trabalho sozinhas, com a colaboração da veterinária Angélica Kaussner (que nos ajuda cobrando preços reduzidos), até 2007, quando nos tornamos ONG e passamos a aceitar voluntários. Hoje são 40 voluntários que formam a Adote um Gatinho.

susan.jpgE como a ONG funciona? Vocês recolhem gatos nas ruas, recebem doações... Qual o processo?

Os gatos ficam abrigados na nossa sede e também em lares temporários. Temos hoje cerca de 240 gatos, a maior parte na casa de voluntários. Aceitamos um gatinho, somente quando doamos outro, porque para nós é fundamental conseguirmos dar uma boa qualidade de vida para ele até que sejam adotados. Cuidamos de todos os gatinhos sem distinção. Eles são vermifugados, vacinados, castrados e colocados no site para adoção. Os pretendentes são entrevistados, têm a casa vistoriada e, se tudo estiver ok, ficam com os gatinhos. Não temos patrocínio, nem apoio. Sobrevivemos de doações de pessoas comuns, físicas, que depositam dinheiro na conta da ONG e também participam de rifas e compram nossos produtos na lojinha.

Você citou a castração como uma das fases que o gato passa até chegar às mãos do seu novo dono. São vários os benefícios desta cirurgia...

Muitos acham que este é um processo cruel, mas não é. Ao castrar um animal, você não está impedindo que outros nasçam. Está salvando seres vivos de sofrimento e morte. Uma gata não castrada – e seus descendentes - pode ser responsável por 420 mil novos gatinhos em um período de sete anos. Da mesma forma, uma cadelinha pode gerar 64 mil filhotes nesse período. Definitivamente, não existem lares responsáveis para todos. A castração não serve só para evitar que nasçam filhotes. Ao serem esterilizados, os animais têm menos vontade de passear por aí e, portanto, menor a chance de serem atropelados ou maltratados. Ficam mais caseiros, deixam de brigar e, assim, correm menos risco de serem infectados por doenças transmitidas pelo ato sexual e por mordidas. Outros problemas de comportamento como, por exemplo, a necessidade de urinar para demarcar território, são reduzidos ou eliminados. O risco dos animais desenvolverem certos cânceres em idade avançada é bastante reduzido com a esterilização. Além disso, os animais vivem mais contentes por viverem sem a frustração que é não poder realizar seu desejo sexual de imediato.

O cadastro para pessoas interessadas na adoção é bastante rigoroso. Qual a intenção desta triagem?

Procuramos pessoas responsáveis para adotar nossos animais. Não adianta doarmos um gato para o primeiro que passar na frente e o gato acabar na rua novamente ou morrer precocemente. É preciso ter condições financeiras de arcar com vacinas anuais e veterinário em caso de emergência. Os apartamentos precisam ter redes de proteção em todas as janelas porque, ao contrário do que algumas pessoas pensam, os gatos caem sim. Casas precisam ter muros altos e redes de proteção nas saídas para evitar as saídas. Lugar de bicho é dentro de casa. Assim, estão livres de perigos como atropelamentos e envenenamentos.

gatos-image.jpg
Os gatinhos possuem um perfil detalhado no site e podem ser adotados por moradores da cidade de São Paulo

Por que escolher os gatos como animais a serem protegidos pela ONG?

Afinidade e espaço. Amamos e respeitamos todos os animais. Eu e a Juliana somos vegetarianas porque não suportamos a idéia de comê-los ou vesti-los. Mas somos apaixonadas por gatos desde pequenas. Adoraríamos cuidar de cães também, mas não temos espaço ou estrutura para abrigá-los.

Qual a melhor forma de diminuir os maus tratos a esses animais?

Educação. Temos que educar não só os adultos, mas principalmente as crianças, que vão crescer e se tornar os bons ou maus cidadãos de amanhã. Muita gente detesta gatos, diz que são interesseiros e agressivos, mas essas pessoas nunca tiveram contato com um. Somente diz que não gosta de gato que nunca teve um.

Quais os empecilhos durante a adoção? Há muita devolução de gatos?

Recusamos pessoas que não morem em casas ou apartamentos seguros, demonstre que não tem condições financeiras suficientes para manter o animal dignamente, tenha um histórico ruim (de descaso, abandono, por exemplo), comente que irá dar o gato se ele o arranhar, se engravidar, se se mudar, etc. Mesmo com o nosso filtro, alguns gatos acabam sendo devolvidos, e a gente percebe o quanto deveríamos ser ainda mais criteriosos na escolha dos adotantes.Há gatos devolvidos em menos de 24 horas porque miaram demais (a pessoa não tem paciência para esperar a adaptação, os gatos são devolvidos porque não se deram bem com os demais gatos da casa, geralmente falta de paciência para a adaptação também), porque a pessoa engravidou, vai mudar de cidade, porque casou e o marido odeia gatos, porque se separou e não pode levar o gato junto, etc. Os motivos são muitos e os mais absurdos possíveis.

Qual a sensação de juntar um gato (antes abandonado, mal cuidado) a um novo dono?

É emocionante pensar que fomos a ponte entre uma vida sem perspectivas e um final feliz. E ainda há a alegria em saber que ao doarmos aquele gatinho outro terá a chance de ser ajudado, pois teremos vaga para acolhê-lo.


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Tags: Juventude , Responsabilidade Social
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AUG - Que lindo trabalho!

Comentado por Veridiana Maenaka em 01/02/2010 10:45

Sou fã das meninas do Adote um Gatinho. Tenho dois gatinhos que adotei com elas.
AUG

Comentado por Lucas em 01/02/2010 19:46

Sempre acompanhei o trabalho dessas meninas de fibra e adoro o site!!! Pena que sou de Salvador e por isso não posso adotar um gatinho delas! Tenho 3 adotados em feiras de adoção daqui mesmo! Continuem com este trabalho!
Gatinhos

Comentado por Soraia em 12/02/2010 02:23

Muito legal o trabalho de vocês. Temos 09 gatos em casa, imagina a bagunça. Sonho em um dia poder fazer o mesmo.





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