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Nova proposta sugere que alunos tenham no mínimo 20% de disciplinas optativas dentro do currículo/Foto: ABr
Em busca de um aprendizado mais completo, o Ministério da Educação (MEC) vem apresentando alternativas para revitalizar o ensino médio no país, retomando discussões sobre a educação nacional e propondo um currículo realmente multidisciplinar e estimulante para os estudantes brasileiros.
O ministro da Educação, Fernando Haddad, já havia sinalizado, em dezembro de 2008, que iria fazer uma mudança profunda nas diretrizes curriculares do ensino nacional. Assim, a partir de 2009, começou a divulgar propostas como a de um novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o uso desta ferramenta nos vestibulares de universidades públicas do país.
Também entrou em pauta a expansão da rede dos Centros Federais de Educação Profissional e Tecnológica (Cefets), com a inauguração de 150 escolas novas até 2010, para aproximar o ensino médio do ensino profissionalizante.
Agora, na segunda-feira, 4 de maio, o MEC apresentou ao Conselho Nacional de Educação (CNE) um projeto que pretende mudar a organização curricular do ensino médio público do país, etapa considerada como a mais frágil de todo o sistema.
Pesquisas apontam que o atual modelo é desinteressante para os jovens, o que aumenta a evasão e diminui o tempo do brasileiro nos bancos escolares. O documento base pretende redistribuir as 12 matérias comuns ao currículo escolar em quatro grandes grupos de conteúdo.
Ensino Médio Inovador
“Queremos que o aluno consiga fazer a relação entre as áreas aprendidas, como geografia, física, biologia e química, e o rio que passa ao lado da sua escola”. É desta maneira que o MEC pretende implantar o chamado Ensino Médio Inovador nas escolas públicas do Brasil. Se aprovado pelo CNE, o novo sistema pode funcionar a partir de 2010.
Entre as propostas, o MEC espera acabar com a divisão atual de 12 disciplinas tradicionais e criar grupos de conteúdo, em que o aluno contextualize matérias teóricas com sua vida cotidiana. Está previsto que o atual modelo da grade curricular seja dividido em eixos mais amplos, como linguagens e ciências humanas.
Os alunos também terão no mínimo 20% de disciplinas optativas dentro do currículo, podendo escolher as disciplinas complementares às básicas. Outra mudança é o aumento da carga horária de 2,4 mil para 3 mil horas/ano e a inclusão de atividades práticas para complementar o aprendizado.

O ministro Fernando Haddad quer fazer uma mudança profunda nas diretrizes curriculares do ensino médio/Foto: ABr
Como o ensino médio é responsabilidade das redes estaduais de ensino, a intenção do MEC é incentivar as secretarias a promoverem mudanças no currículo e na organização dessa etapa, a partir de apoio técnico e financeiro. Segundo o ministério, a verba deverá ser destinada prioritariamente às 100 escolas com as piores notas no Enem.
“O MEC tem o papel indutor, mas não de definição do currículo. Os estados já estão tentando fazer isso porque o currículo do ensino médio não pode ser endurecido, o ministério agora está dando os instrumentos para essa mudança”, explicou o coordenador-geral do ensino médio, Carlos Artexes.
A partir das orientações que vão constar nesse projeto, cada rede de ensino vai definir o seu modelo de currículo e organização das escolas.
O CNE vai realizar audiências públicas para discutir o novo modelo de ensino médio. O processo deve ser concluído até julho. Depois dessa etapa, o ministério começará as negociações com os estados. Serão firmados acordos de cooperação a partir das mudanças propostas pelas secretarias, com a previsão de apoio técnico e financeiro do governo federal para a implantação dos novos modelos.
Ainda não foi definido o montante dos recursos que o MEC irá repassar aos estados para a reforma do ensino médio.
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