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Um empreendimento no Reino Unido desenvolveu uma forma bastante interessante de contribuir com a sustentabilidade sem abrir mão do conforto e da comodidade: a Ecovila.
O BedZED, ou Beddington Zero Energy Development, criou, em conjunto com a maior incorporadora inglesa, a Peabody Trust e com um grupo especialista em meio ambiente chamado BioRegional, um condomínio construído e mantido seguindo todas as normas da sustentabilidade. A Ecovila é o endereço de 220 londrinos, que habitam as 100 unidades da vila localizada em Sutton, a 20 minutos de trem de Londres.
Estrutura
A Ecovila foi projetada para ser um modelo de habitação sustentável. Para isso, desde a sua construção, tudo foi planejado de forma a impactar o mínimo possível o meio ambiente. Seu material de construção foi comprado perto da área a ser erguida e foi feito uso de materiais reciclados e mão-de-obra local.
Além disso, as casas possuem um isolante especial nas paredes que mantém a temperatura sempre em torno de 18ºC, o que diminui o uso de aquecedores. Durante os dias mais quentes, basta abrir as janelas para circular o ar ou usar os grandes ventiladores dispostos nos tetos que, além de refrescar, utilizam a pressão do vento para intensificar o aquecimento no inverno. Essas técnicas garantem uma redução de 90% no consumo de energia para o aquecimento. Os 10% utilizados vem de fontes renováveis como refugos de madeira que fornecem energia elétrica para todos os apartamentos, enquanto aquecem a água com o calor gerado durante o processo.
A água, por sinal, é coletada das chuvas e utilizada nas descargas dos banheiros. Máquinas de lavar e vasos sanitários também são regulados. Isso gera uma economia de 60%, o que significa menos 90 litros de água por pessoas, todos os dias.
Vantagens
Além dos benefícios ambientais com a redução do consumo de água, luz e gás e diminuição dos impactos causados ao planeta, a Ecovila possui outros atrativos. Um quarto das residências é subsidiado pelo governo britânico, fornecendo casa a quem não tem condições financeiras. Outro quarto delas é destinado ao que se chama de social workers, ou profissionais indispensáveis para uma boa comunidade, como professores, médicos e bombeiros, que compram os imóveis por preços bem mais acessíveis.
Por falar em preços, eles são, em média, 15% mais caros que de outros imóveis tradicionais. Apesar disso, já há uma fila de pessoas esperando alguém deixar o local para fazer a mudança.
Clube do carro
Cerca de 49% dos moradores da Ecovila fazem uso da bicicleta como meio de transporte. O trem, um hábito cultural na Inglaterra, também é bastante utilizado. Porém, outro sistema de transporte chama a atenção. É o Clube do Carro. Nele, o morador se inscreve e recebe um cartão. A partir daí, agenda o carro quando precisa (há estacionamentos em vários pontos da cidade), utiliza e devolve no estacionamento, pagando de acordo com o tempo de uso. Apesar de qualquer pessoa poder se associar, os moradores da vila tiveram incentivo inicial para pagar uma anuidade mais barata.
Sucesso
Esse tipo de empreendimento está fazendo cada dia mais sucesso em todo o mundo. Por conta dessa procura, os arquitetos já divulgam a construção de casas pré-fabricadas dentro desse conceito. O Rural ZED, como foi batizado, permite comprar uma casa completa como se fosse um kit ZED a ser instalado em seu terreno. Eles também estão prestes a lançar novos empreendimentos: o One Brighton, o Riverside One, com 750 residências, além de hotel, cafés, escritórios e lojas, e o One Gallions, com 260 apartamentos. Todos com a bandeira do carbono zero.
O sucesso é tanto que o grupo de arquitetos tem feito projetos para vários países, como China, Portugal e França. “Todos têm zero ou baixa emissão de carbono, mostrando ser rentável e moderno viver de forma ecológica em qualquer parte da Terra”, diz Erika Rees, do time de arquitetos.
Brasil
Os condomínios sustentáveis também estão chegando, ainda que de forma discreta, no Brasil. Um exemplo deles é o Ecoovilas I, construído a 15 km de Porto Alegre. O empreendimento conta com 23 casas – até o fim do ano, serão 27 – espalhadas por um terreno de 26 mil m².
As casas possuem 320 m² de área construída e uma série de itens sustentáveis, como posicionamento estratégico para aproveitar a luminosidade e a ventilação naturais, paredes e vidros duplos, que minimizam a perda de calor, coletores para captação da energia solar para aquecer a água, uso de materiais econômicos e instalação de telhados verdes.
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