| Você concorda com a construção de hidrelétricas na Amazônia? | |

Os oceanos já estão 30% mais ácidos em relação aos níveis no início da Revolução Industrial/Foto: Sxc
O dia 8 de junho é marcado pelas comemorações do Dia Mundial dos Oceanos. Mas de acordo com informações de cientistas e especialistas de todo o mundo, a data não tem muitos motivos para ser celebrada. Entre os muitos problemas que assolam os oceanos, o fenômeno de acidificação dos mares tem chamado a atenção pela seriedade e velocidade com que vem se agravando.
A acidificação dos oceanos é causada pela elevação dos níveis de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Apesar de parecer um problema distante dos mares, o aumento da quantidade desse gás no planeta não apenas agrava o efeito estufa, como também contribui para a modificação da composição química da água, deixando-a mais ácida e nociva à vida marinha.
Esse fenômeno acontece porque a água do mar funciona como uma “esponja”, absorvendo constantemente o CO2 da atmosfera. De acordo com um estudo do Projeto Europeu de Acidificação do Oceano, os mares absorvem cerca de 25% de todo o dióxido de carbono emitido pelos humanos a cada ano.
Apesar de amenizar os efeitos do gás na terra, o fato tem trazido consequências desastrosas para a vida marinha. O excesso de gás carbônico na água a torna mais ácida que o normal, o que pode causar a corrosão massiva dos recifes de coral, enfraquecer ostras, bloquear substâncias químicas que os peixes usam para localizar seu habitat, tornar a vida mais barulhenta para golfinhos (já que certos sons se transmitem melhor em águas repletas de carbono) entre outros efeitos.

O fenômeno ameça toda a vida marinha do planeta/Foto: Sxc
"É um fenômeno mundial que será sentido antes e de forma mais profunda nas regiões polares, mas isso não significa que as (regiões) de águas mais quentes não serão afetadas", afirmou à Agência Reuters Carol Turley, do Plymouth Marine Laboratory.
Os efeitos desse fenômeno já podem ser visto nos mares onde a acidez já está 30% pior que no início da Revolução Industrial. Dados apontam ainda que, caso as emissões continuem a subir, em 2060 a acidez dos oceanos pode ser 120% mais alta que hoje – maior mudança sofrida pelos mares em 21 milhões de anos.
Caso isso ocorra, a vida marinha estará seriamente ameaçada, apontam especialistas. “Se as emissões de CO2 não forem reduzidas em no mínimo 50% até 2050 e mais ainda daí para frente, poderemos enfrentar uma catástrofe submarina com mudanças irreversíveis na biodiversidade marinha. O efeito será sentido em todo o planeta, ameaçando a segurança alimentar, reduzindo a proteção costeira e danificando as economias locais que dificilmente tolerarão esta crise", afirmou o presidente da Royal Society, Martin Rees.
O professor Luiz Drude de Lacerda, do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC), também fez um alerta para o assunto, especialmente para o fato de que a acidificação acentuada na superfície dos oceanos afeta mais intensamente organismos significativos da base da cadeia alimentar marinha, portanto diretamente envolvidos na manutenção da produtividade dos oceanos.
"Este é um efeito de consequências pouco compreendidas ainda, como a alteração do equilíbrio entre espécies químicas relacionadas diretamente à fenômenos oceanográficos", acrescentou o pesquisador.

Reduzir as emissões de CO2 é a unica forma de frear o fenômeno/Foto: Sxc
Para especialistas, unica opção é reduzir as emissões de CO2
Apesar de ser um processo irreversível, pesquisadores e cientistas de todo o mundo reforçam que é necessário frear as emissões de CO2 em todo o planeta para limitar o avanço do fenômeno.
"Uma redução urgente e substancial das emissões de dióxido de carbono é a única solução. Não há geoengenharia suficiente que possa ajudar", afirmou Turley, referindo-se aos projetos de grande escala propostos para limitar o aquecimento sem limitar as emissões de dióxido de carbono. Ele afirmou ainda que é preciso limitar as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera em até 450 partes por milhão para evitar mudanças climáticas mais drásticas.
A gravidade do assunto fez com que membros de 70 Academias de Ciências do InterAcademy Panel (IAP), entre elas a Academia Brasileira de Ciências, produzissem um documento aos líderes presentes na Conferência das Nações Unidas em Copenhague, alertando para a seriedade do problema.
O documento conclama os líderes mundiais a reconhecerem explicitamente as ameaças diretas causadas pelas emissões de CO2 aos oceanos e seu profundo impacto no meio ambiente e na sociedade. O texto ainda enfatiza a irreversibilidade da acidificação dos oceanos e sugere que, no ritmo atual das emissões, os recifes de coral e os ecossistemas polares serão seriamente afetados até 2050 ou mesmo antes disso.
Outra iniciativa que buscou destacar a gravidade do assunto partiu da Natural Resources Defense Council dos Estados Unidos (NRDC) com o documentário Acid Test, que traz depoimentos de especialistas sobre o problema. Eles falam como é possível reduzir a poluição e o aquecimento global, melhorar a saúde geral dos nossos oceanos e evitar danos graves ao nosso mundo - mas só se agirmos de forma rápida e decisiva.
Confira o documentário na íntegra abaixo (em inglês):
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Portal EcoD é um projeto do Instituto EcoDesenvolvimento
Direitos Autorais - Condições de uso do conteúdo
SEJA PARCEIRO DO ECOD