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Dia da Amazônia inspira reflexão sobre o gigante dos biomas
Postado em Biodiversidade em 05/09/2009 às 15h10
por Redação EcoD*
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Floresta Amazônica reúne a maior biodiversidade do planeta/Foto: sxc.hu

Ela é a maior floresta tropical úmida do planeta, com cerca de 5,5 milhões de quilômetros quadrados (km²). Mais de 3 milhões dessa área estão em território brasileiro, nos estados de Amazonas, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Tocantins, Amapá, Acre, Pará e parte do Maranhão, enquanto o restante está distribuído entre oito países. O assunto em questão é a Floresta Amazônica, bioma mais extenso do planeta e que ocupa metade do Brasil. Dia 5 de setembro celebra-se o Dia da Amazônia, região composta de uma biodiversidade única, distribuída por diversos tipos de ecossistemas.

A Amazônia conta com 40 mil espécies de plantas catalogadas, mas a biodiversidade é tanta, que milhares de espécies sequer foram reconhecidas. “Tem áreas que são de baixa densidade de coleta, como a Terra do Meio, o interflúvio [área mais elevada situada entre dois vales] entre o Rio Tapajós e o Rio Madeira, a Calha Norte, no lado esquerdo do Rio Amazonas. Então essa biodiversidade está toda desconhecida”, afirmou Samuel Soares Almeida, da Coordenadoria de Botânica do museu Emílio Goeldi.

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Cientistas apontam que a Amazônia, depois do Ártico, será a região mais afetada pelas mudanças climáticas/Foto: sxc.hu

Também é neste bioma que encontramos a maior variedade de aves, primatas, roedores, répteis, insetos e peixes de água doce do planeta. Para se ter uma ideia, um quarto da população de macacos do mundo está na Amazônia. Além dos primatas, são mais de 300 espécies de mamíferos, como a onça-pintada, a ariranha e o bicho preguiça. A floresta abriga cerca de 3 mil espécies diferentes. A região também é rica em peixes ornamentais, que são comercializados para ser criados em aquários.

Importância mundial

De acordo com James Painter, analista de América Latina da BBC, existem três razões fundamentais que explicam a importância do bioma amazônico em relação ao restante do mundo. São elas:

1ª -  A floresta exerce papel fundamental no ciclo de carbono que influi na formação do clima mundial. Apenas para se ter noção, dos cerca de 200 bilhões de toneladas de gás carbônico absorvidos por vegetação tropical em todo o mundo, 70 bilhões são armazenados pelas árvores amazônicas. Atualmente, estima-se que a Amazônia absorva cerca de 10% das emissões globais de CO2 oriundos da queima de combustíveis fósseis.

2ª - A região amazônica deverá agir como um "ponto de inflexão" para o clima global. Segundo estudo divulgado em fevereiro por cientistas da Universidade de Oxford, do Instituto Potsdam e de outros centros de pesquisa, a floresta amazônica é a segunda área do planeta mais vulnerável à mudança climática depois do Oceano Ártico. A ideia central é que o aumento do desmate deve gerar um ciclo vicioso: a grande redução na área da floresta geraria um aumento significativo nas emissões de CO2, que por sua vez elevariam as temperaturas globais, que assim causariam secas.

3ª - A biodiversidade gigantesca do bioma, que ainda faz dele o mais rico do mundo em recursos naturais.

Desmatamento

A Floresta Amazônica está distribuída em diversos tipos de ecossistemas, das florestas fechadas de terra firme, com árvores com 30 a 60 metros de altura, às várzeas ribeirinhas, aos campos e aos igarapés. Devido a essa riqueza e biodiversidade, o extrativismo vegetal tornou-se a principal atividade econômica da região, e também o principal foco de disputa entre nativos, governo e indústrias nacionais e internacionais. Ao todo, são mais de 200 espécies diferentes de árvores por hectare que são foco direto do desmatamento, principalmente as madeiras nobres, como o mogno e o pau-brasil.

 desmatamento foi alto em julho deste ano, mas o acumulado foi o menor desde 2004, informou o inpe
Desmatamento foi alto em julho deste ano, mas o acumulado foi o menor desde 2004, informou o Inpe/Foto: Ana Cotta

O desmatamento e a extinção da flora e da fauna são, sem dúvida, os principais inimigos da Amazônia. O fim de certas espécies significa a perda de alimentos para muitos que dependem da floresta. “Estamos perdendo coisas que a gente nem sabe que existe. Como, por exemplo, a mandioca que é cultivada pelos povos indígenas. À medida que a gente destrói a floresta, essas plantas vão embora. Ou seja, são alimentos que a gente vai perdendo”, informou à Rádio Nacional da Amazônia o biólogo Antônio Mauro dos Anjos, que também é analista ambiental do Parque Nacional Serra da Cutia.

Além de trazer sérios problemas para o planeta por conta da emissão de gás carbônico, o desmatamento compromete o andamento de pesquisas genéticas e medicinais. Isso porque muitas dessas plantas estão exclusivamente na Amazônia. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), são mais de 10 mil espécies que podem ser usadas na medicina, na indústria cosmética e para controle biológico de pragas.

Dados

Em 1º de setembro, dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontaram que o desmate acumulado entre agosto de 2008 e julho de 2009 é o menor desde o ano de 2004, quando teve início a série histórica do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) - mais rápido que o Prodes, detecta devastações acima de 25 hectares. No entanto, houve aumento na degradação da Amazônia no último mês de julho, em comparação com o mesmo período do ano passado.

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Bioma tem a maior diversidade de espécies da fauna mundial/Foto: Praziquantel 

O desmatamento medido pelo Deter entre agosto de 2008 e julho de 2009 foi de 4.375 quilômetros quadrados (km²), ante 8.147 km² do período anterior (agosto de 2007 e julho de 2008). “O dado importante é que houve uma redução expressiva do desmatamento [acumulado]. Esse é o dado relevante", destacou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. "De acordo com o Inpe, a redução foi de 46% [na comparação entre 2007/2008 e 2008/2009]”, ressaltou. O governo brasileiro projeta que, em dezembro, o sistema Prodes, que calcula o desmate efetivo da floresta amazônica irá divulgar os menores índices de devastação dos últimos 20 anos.

Cultural

Mas a Amazônia brasileira também é um poço de cultura. O carimbó, por exemplo, é o único ritmo que tem influência das três culturas que mais influenciaram a formação dos brasileiros. O levantar de braços vem da cultura portuguesa. O andar curvado é indígena e o balançar, dos negros. Da mistura do carimbó com choro e jovem guarda, nasceu a guitarrada. Também conhecida como lambada instrumental, o ritmo completa 50 anos em 2010 e foi criado pelo mestre Joaquim Vieira.

“Eu comecei a misturar o mambo, a salsa, o merengue, com vários outros ritmos do Caribe e a jovem guarda, porque queria criar um ritmo nosso, nós não tínhamos. Então comecei a tocar e o pessoal pedia 'toca uma lambada' [instrumental], e assim nasceu a guitarrada”, explicou Vieira à Rádio Nacional da Amazônia.

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Índios são de suma importância para a preservação da cultura local/Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

Mas não é só de música que vive a cultura amazônida. Os traços da cerâmica marajoara, desenvolvida pelos indígenas na Ilha de Marajó entre os anos 400 e 1400 depois de Cristo (dC), são elementos importantes para que se possa entender as influências da arte da região. O coordenador de Cultura do Museu do Índio, Fábio Freitas, comentou sobre o valor das peças – no espaço, há réplicas das obras, e há originais nos museus Histórico Nacional ( no Rio de Janeiro) e Americano de História Natural (em Nova York). “O grafismo, para o indígena, tem uma importância muito grande, quer seja na área religiosa, quer seja na área cultural. Então, além de conhecer, temos que entender esse grafismo”, defendeu.

Outro elemento relevante na arte regional é o folclore, especialmente representado pelo bumba-meu-boi. Conhecido em todo o Brasil, a expressão se destaca no Maranhão e no Amazonas. O município de Parintins (AM) vive, todos os anos, o Festival Folclórico que divide a cidade entre azuis e vermelhos, cores dos bois Caprichoso e Garantido, que se apresentam no mês de junho no bumbódromo da cidade. Telo Pinto, do Boi Garantido, acentuou o significado da festa: “na verdade, é o que impulsiona o município. Tudo o que acontece na cidade e na região, acontece em decorrência do evento. Mesmo fora do período do festival, o que se investe na cidade em infraestrutura e obras, tem ele como foco. É o grande impulsor econômico do município”.

Além da arte popular e da música, a literatura que se faz na Amazônia ganha destaque nacional. Nomes como Milton Hatoun e Nicodemos Sena aparecem no cenário literário como grandes escritores, narrando o cotidiano da região.

Para a obra de Nicodemos, os elementos da floresta são fundamentais. “Passei 19 anos na Amazônia, convivendo com caboclos e indígenas e convivi, desde cedo, com os problemas da região. Coisas que só fui tomar consciência anos depois, morando em São Paulo e, a partir daí, veio a necessidade de contribuir para despertar essa consciência no povo da Amazônia. A forma que encontrei foi como narrador, escritor, romancista, falando sobre a região”, relatou.

Estas são apenas algumas mostras de que em todos os campos da arte, nos nove estados da região, pessoas movimentam a floresta com sons, danças, cores e palavras. Mostras de que o gigantismo da Amazônia não se dá apenas pelo seu tamanho ou pela exuberância de sua natureza, mas também pela riqueza de sua cultura.


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Tags: Biodiversidade , Mudanças Climáticas , Cultura , Economia e Política
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