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Depois da COP-15, países procuram articular acordos sobre o clima
Postado em Economia e Política em 24/02/2010 às 18h23
por Redação EcoD
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O presidente da China, Hu Jintao, garantiu que o país está comprometido no combate às mudanças climáticas/Foto: Marco Castro/UN

Apesar de ter sido considerada um fracasso, a 15ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre o Clima (COP-15) serviu para colocar o tema mudanças climáticas no topo da agenda mundial, razão pela qual fez aumentar a pressão da sociedade civil em relação às economias mais poluidoras.

Embora a falta de um acordo jurídico entre os países em Copenhague (Dinamarca) esteja sendo sentida, também é verdade que algumas nações acabaram se comprometendo, mesmo em caráter voluntário, com metas de redução dos gases causadores de efeito estufa.

Até o momento, 57 governos firmaram compromissos voluntários nesse sentido, seja por intermédio do tão criticado "Acordo de Copenhague" ou de objetivos definidos internamente. Esses países concordam em serem monitorados por um organismo independente, como a Organização das Nações Unidas (ONU), mas não são obrigados a honrar suas metas - o que também os impede de sofrer sanções internacionais.

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O secretário-executivo da Convenção do Clima da ONU, Yvo de Boer (à esq.), conversa com o secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon, durante a COP-15. Faltou o acerto entre os países/Foto: Mark Garten/UN

Maior poluidora do Planeta, a China garante que está disposta a reverter tal imagem negativa. O presidente chinês, Hu Jintao, afirmou na terça-feira, 23 de fevereiro, que o país está comprometido com o combate às mudanças climáticas, "tanto em casa quanto em cooperação com o resto do mundo". No entanto, ele não foi claro sobre quais medidas podem ser adotadas.

Em dezembro de 2009, às vésperas da COP-15, os chineses anunciaram o compromisso voluntário de reduzir suas emissões de gases de efeito estufa entre 40 e 45% até 2020, levando-se em conta os níveis de 2005 e o crescimento econômico do país. Considerada tímida, a medida permitiria que os gases emitidos continuem crescendo, embora em nível inferior ao do PIB da China.

Além da China, listamos para você alguns dos objetivos voluntários de outros países:

  • Estados Unidos: reduzir 17% das emissões até 2020, levando -se em conta os níveis de 2005;
  • União Europeia: redução de 20% das emissões até 2020, levando-se em conta os níveis de 2020;
  • Japão: cortes absolutos de 25% das emissões até 2020, levando-se em conta os níveis de 1990;
  • Austrália: redução de 5% das emissões até 2020, levando-se em conta a quantidade emitida em 2000;
  • Brasil: cortes entre 36,1% e 38,9% até 2020, levando-se em conta os níveis de 2020;
  • Índia: reduzir entre 20% e 25% das emissões até 2020.

O problema é que, segundo os cientistas, a temperatura do planeta tende a aumentar mais do que 2ºC nas próximas décadas mesmo que todas essas nações consigam honrar com seus compromissos voluntários. Reuniões ao redor do mundo estão sendo articuladas pelas lideranças dos países com o objetivo de encontrar uma solução para o problema.

Encontros

Ainda sem data e país definidos, o Fórum das Grandes Economias (MEF, na sigla em inglês) será realizado nos próximos meses, quando o assunto aquecimento global norteará as discussões. Representantes dos 17 maiores poluidores mundiais participarão do encontro, que é patrocinado pelo governo norte-americano. Todavia, já é certo que a conferência não será realizada nos Estados Unidos.

Em abril, uma série de reuniões extras da ONU sobre o clima serão feitas na Alemanha, no intuito de intensificar os esforços de combate ao aquecimento global. "As negociações estão ganhando força novamente após Copenhague. Há uma atmosfera positiva e construtiva e todas as partes estão ansiosas para seguir adiante com as negociações", garantiu Lykke Friis, ministra dinamarquesa de Clima e Energia. 

De Boer, Ceticismo e COP-16

Cerca de uma semana depois de ter anunciado que deixará em junho o cargo de secretário-executivo da Convenção do Clima da ONU, o holandês Yvo de Boer concedeu entrevista ao jornal Folha de S.Paulo na qual expressou ceticismo quanto a possibilidade de fechamento de um acordo na COP-16, que será realizada em dezembro deste ano, em Cancún (México).

"Eu acho que isso vai provavelmente levar mais dois anos", projetou De Boer. Segundo o diplomata, criar no México uma arquitetura para implementação sob a convenção e acordar um segundo período de compromisso para o Protocolo de Kyoto já seria um passo muito a frente do que foi dado em Copenhague. Ele acredita que um tratado climático global com peso de lei só deve ser assinado na COP-17, em 2011, na África do Sul.


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Tags: Ciência e Tecnologia , Economia e Política , Mudanças Climáticas
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