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Daniel Goleman defende que os consumidores devem fazer escolhas mais conscientes como forma de mudar a indústria e o comércio
Para o autor do livro Inteligência Ecológica, Daniel Goleman, tudo que compramos e fazemos gera consequências em todas as esferas globais. Para reduzirmos esses impactos e tornarmos essa relação mais sustentáveis, Goleman defende o uso da inteligência como ferramenta capaz de trazer as mudanças essenciais que poderão salvar o planeta – e nós mesmos.
O jornalista e psicólogo revela por que tantos produtos apresentados como “verdes” são na verdade “miragens” e ensina aos consumidores e empresários como avaliar com precisão o quanto suas ações são verdadeiramente sustentáveis.
“Se pegarmos todos os benefícios ecológicos de todas as coisas boas que nós fazemos e colocarmos em uma mão e em outra depositarmos todos os impactos negativos causados por tudo que nós compramos, essa outra irá pesar muito mais”, defende.
Goleman afirma que vivemos uma realidade de consumismo na qual “o fabricante sabe tudo, o consumidor não sabe nada”. Para o especialista essa é um fato que precisa mudar urgentemente.
Para isso, ele defende a “ecologia industrial” – ciência que estuda todo o ciclo de vida de um produto, desde a extração da matéria-prima até a sua comercialização, e avalia os impactos ambientais que ele causa ao longo desse processo.

O jornalista também é autor de best-sellers, como Inteligência emocional e Inteligência social
“Nós não podemos ver até que ponto as coisas que compramos e usamos diariamente têm outros tipos de custos sobre o planeta, sobre a saúde do consumidor, e sobre as pessoas cujo trabalho garante o nosso conforto e as nossas necessidades”, diz.
Dessa forma, todos os envolvidos no processo (meio ambiente, economia e sociedade) devem ser lembrados, e os impactos causados pelo ciclo de vida daquele produto em suas vidas devem ser avaliados cuidadosamente.
Inteligência emocional aplicada na sustentabilidade
Para criar o conceito de inteligência ecológica, Goleman se baseou em seus livros anteriores, sobre inteligência social e a emocional. Segundo o autor, essa forma de inteligência tem a ver com a capacidade de nos colocarmos no lugar dos outros e de sermos solidários com eles, expandindo essa habilidade inerente ao ser humano para todos os sistemas naturais.
Dessa forma, aqueles que possuem essa inteligência ecológica se angustiam com o sofrimento do planeta e se mobilizam para reverter a situação, analisando racionalmente as causas do problema.
Para facilitar a propagação dessa inteligência, o autor defende uma transparência radical, capaz de informar ao consumidor todos os impactos sociais, econômicos e ambientais causados por determinado produtos ainda na prateleira.
“Nós podemos impulsionar a inteligência ecológica fazendo com que dados sobre os impactos dos produtos estejam à disposição dos clientes. Isso pode mudar o mercado ao fazer com que as empresas enxerguem com mais clareza as vantagens competitivas em fazer melhorias ecológicas em seus produtos”, afirma.
Godman lembra ainda que muito se fala sobre como pequenas ações podem ajudar a transformar o planeta - como trocar o carro pela bicicleta, utilizar lâmpadas fluorescentes e reciclar o lixo.
“Todas essas mudanças são louváveis e quantos mais pessoas as fizerem, maiores serão os benefícios. Mas nós podemos ir além. O verdadeiro impacto daquilo que nós compramos vem sido ignorado pelo mercado”, defende.
“Utilizar uma compreensão profunda do impacto das coisas que usamos para orientar nossas decisões de compra pode servir como uma alavanca para mudanças reais no comércio e nas indústrias. Isso abrirá as portas para uma grande oportunidade de melhorarmos o nosso futuro”, conclui.
- Ouça o podcast na íntegra (em inglês) -
Leia mais:
Confira um trecho da palestra de Daniel Godman à Book TV sobre seu livro Inteligência:
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