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Discursos da UE são otimistas, mas ações não são concretas/Foto: Paulo Figueiras/UN
Realizada em Bruxelas, capital da Bélgica, nos dias 29 e 30 de outubro, a Cúpula Europeia deixou de fixar uma proposta financeira concreta capaz de propiciar aos países em desenvolvimento meios de adaptação e mitigação em relação às mudanças climáticas. Os representantes das 27 nações que integram o bloco estimaram em US$ 147 bilhões até 2020 os custos a serem repassados aos governos emergentes, e prometeram que estão dispostos a assumir “compromissos justos” no esforço mundial.
No entanto, os dirigentes europeus fracassaram na tentativa de fornecer a quantia que doarão ao montante global, em um possível acordo durante a 15ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre o Clima (COP-15), em dezembro, na Dinamarca. No atual momento é incerto afirmar quanto cada Estado-membro da União Europeia (UE) fornecerá aos países em desenvolvimento, o que frustrou os parceiros da Europa Oriental, que insistiam em definir esse ponto. Os representantes da região Leste do continente resistem a se comprometer com a redução de emissões dos gases de efeito estufa.
A UE apresentou três propostas sobre fontes de financiamento no intuito de reunir a quantia necessária para os países emergentes. A primeira sugere que as próprias nações em desenvolvimento injetem dinheiro em um fundo que será criado, o que desagrada governos como o do Brasil, China e Índia. A segunda estimula a utilização massiva do mercado internacional de carbono, enquanto a última determina que as economias industrializadas recorram a instituições internacionais para conseguir ao menos metade da cifra.

Financiamento de tecnologias sustentáveis para países em desenvolvimento ainda tem pontos indefinidos/Foto: Pedro Moura Pinheiro
Para os climatologistas, um compromisso neste sentido é determinante para o estabelecimento de um acordo na COP-15, centrado em reduzir as emissões de CO2 e evitar que o aquecimento planetário seja superior a 2 graus centígrados. Uma questão precisa ser esclarecida: dos US$ 147 bilhões estimados para os países em desenvolvimento, a UE defende que metade deste valor deve vir das nações mais ricas, enquanto o restante deste bolo viria do fundo de financiamento.
Ambientalistas presentes no encontro de Bruxelas condenaram o bloco de 27 nações pelo fracasso em apresentar uma definição concreta que pudesse pressionar os maiores poluidores do mundo (China e Estados Unidos) a cortarem suas emissões de gases causadores do efeito estufa, a apenas um pouco mais de um mês do início da COP-15.
Já os representantes dos governos da UE argumentam que foram os primeiros a apresentar ao mundo seus compromissos de redução de emissões de CO2 (20% a menos até 2020 em relação aos níveis de 1990), e estão dispostos a elevar essa cifra a 30% se as demais nações desenvolvidas aderirem ao acordo. "Ninguém quer pagar por Copenhague. Vocês conhecem algum chinês que quer fazer isso? Só a UE quer pagar", ironizou o ministro polonês de Assuntos Europeus, Mikolaj Dowgielewicz.
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