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Boas ideias e força de vontade são capazes de transformar a vida de garotas em todo o mundo/Fotos: Divulgação
Como boas ideias podem melhorar a vida de meninas e mulheres ao redor do mundo e ainda servir de inspiração para outras pessoas? Foi essa a pergunta do desafio “Mulheres Virando o Jogo no Esporte”, promovido pela AshokaChangemakers e Nike. Dos 406 projetos inscritos de mais de 50 países, três foram eleitos vencedores e levaram para casa o prêmio de US$ 5 mil. Mais do que dinheiro, essas mulheres ganharam notoriedade e provaram que é possível mudar a vida das pessoas.
Conheça as vencedoras:

O projeto oferece treinamento gratuito de trekking para mulheres da área rural do Nepal.
“Eu 1993 e eu minhas irmãs estávamos em um restaurante e alojamento em Pokhara (Nepal) quando um grupo de jovens mulheres se aproximou e nos contou da dificuldade que tinha com os guias homens, como embriagues, assédio sexual e clima desconfortável”, conta Lucky Chhetri. Ela é uma das três fundadoras do grupo que promove treinamento para mulheres do Nepal para se tornarem guias de trekking nas montanhas do Himalaia.
Todos os anos, entre 60 e 70 mulheres passam pelos seis meses de treinamento que envolve aulas de inglês, trekking, leitura de mapas, planejamento de viagens, primeiros-socorros, além de conhecimentos sobre a fauna, flora, geografia, cultura e religião local. As alunas iniciam uma espécie de “estágio” remunerado após quatro semanas de treinamentos e recebem pagamento enquanto adquirem experiência.
O programa é uma oportunidade de melhoria financeira, social e de auto-estima para mulheres em situação de risco, como moradoras da zona rural. Além dos benefícios imediatos para a participante e sua família, toda a comunidade é favorecida indiretamente pelo programa, que estimula a economia e o turismo local.
Mais de 600 mulheres já foram beneficiadas pelo projeto. “Elas usam o dinheiro para pagar os estudos, as despesas médicas da família ou para abrir seus próprios negócios”, afirma Chhetri.
Team Up for Youth: Team-Up for girls

Técnicas são estimuladas a oferecer treinamento a garotas carentes na Califórnia.
Zulma Muñoz é uma jovem treinadora de futebol da Universidade de Berkeley, na Califórnia. Criada em uma comunidade carente e rodeada de perigos comuns a esse ambiente, como drogas e marginalidade, Muñoz conta que foi Suz, sua técnica de futebol da escola, que a inspirou a seguir o caminho do esporte.
“Eu vi muitas amigas se envolverem com drogas e engravidarem ainda jovens. O futebol me manteve no caminho certo e graças ao meu esforço e persistência eu me tornei uma líder não apenas no campo, mas em toda a minha vida”, afirma.
Como não podia deixar de acontecer, Muñoz se tornou treinadora ainda na escola “por questões financeiras”, diz. “Treinar jovens jogadoras de futebol se tornou a maior paixão da minha vida”, conta. “Suz me inspirou a fazer mais do que apenas treinar essas garotas. Eu quero inspirar e estimular outras meninas como eu através do poder do futebol. Assim como Suz, eu posso fazer a diferença para outras garotas e transformar o futebol em uma esperança de uma vida diferente”.
Transformar vidas como a de Muñoz e estimular a participação de meninas no esporte é o objetivo do projeto Team Up for Youth: Team-Up for girls. Ele recruta técnicas das universidades da Califórnia para realizar treinamento esportivo voluntário com meninas de comunidade de baixa renda e promover atividades esportivas depois das aulas.
O objetivo é estimular a criação de jovens líderes nas escolas, por isso o projeto, que já envolveu 750 treinadoras e 7.500 meninas de regiões urbanas da Califórnia, recruta, treina e fornece todos os recursos necessários para que novas técnicas organizem times e ajudem a mudar a vida de jovens jogadoras através do esporte.

Falta de absorvente leva garotas a abandonarem os treinos e a escola durante o período menstrual.
O que pode parecer insignificante para a maioria das mulheres, pode ser uma barreira para meninas dos países em risco social. Um pacote de absorvente pode ser um luxo para garotas do Quênia. Seu alto custo põe em risco a saúde das meninas, que deixam de praticar esportes e frequentar a escola durante o período menstrual.
Para resolver o problema, uma ideia simples e eficiente: criar um absorvente feito de papiro (planta local) e distribuí-lo entre meninas e mulheres para que elas possam praticar esporte regularmente. A proposta é beneficiar 5 mil mulheres com o kit de absorvente que também conterá informações sobre sexualidade e reprodução.
Além dos problemas de higiene, a dificuldade em comprar absorventes induz muitas meninas à prostituição como forma de ter acesso a esse bem. “É evidente que a falta de absorvente leva as meninas a um mau desempenho na escola e a uma iniciação precoce na vida sexual, o que aumenta o risco de gravidez e de infecção pelo HIV, além de ser uma barreira à participação em atividades esportivas”, afirma Sarah Forde, organizadora do projeto.
Participação brasileira
Dois projetos brasileiros receberam destaque na competição. Um foi da Equipe de Corredores Parque Santo Dias, que ganhou o prêmio Brasil no valor de R$ 5 mil. O projeto oferece treinamento, inscrição, transporte e distribuição gratuita de equipamentos com o intuito de facilitar o acesso ao esporte e oferecer oportunidades às corredoras carentes.
Já o projeto Vencedoras se classificou como um dos 13 finalistas escolhidos pelo júri internacional. O programa utiliza o futebol e outros esportes em equipe para ajudar as jovens da América Latina a desenvolverem habilidades necessárias para serem competitivas no mercado de trabalho atual.
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