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O Comitê do Patrimônio Mundial retirou nesta quinta-feira, 29 de julho, Machu Picchu, no Peru, e as ilhas Galápagos, no Equador, da Lista do Patrimônio Mundial em perigo. Já a Cidade Velha de Jerusalém e seus muros foram mantidos na lista, enquanto que as Tumbas dos Reis Buganda, em Uganda, a Catedral Bagrati e o Monastério Gelati, na Geórgia, foram incluídos na relação.
As decisões foram tomadas pelos Estados Partes durante a 34ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, que estão reunidos desde o dia 25 de julho em Brasília para deliberar sobre as novas candidaturas e o estado de conservação e de risco dos bens já declarados Patrimônio da Humanidade. Mais de 180 delegações participam do evento, que segue até o dia 3 de agosto.
Entre as decisões mais destacadas está a retirada de Machu Picchu da lista de patrimônios ameaçados, ficando mantido apenas como Patrimônio Mundial. Os esforços das autoridades em conservar o sítio foram os argumentos utilizados por peruanos e brasileiros, que lembraram que o seu estado de deteriorização se deve aos fortes temporais que recentemente atingiram o local.
O Comitê, no entanto, recomendou a aplicação de um mecanismo de acompanhamento reforçado e que o Centro do Patrimônio Mundial e as entidades consultivas ajudem na manutenção desse patrimônio.
Já a Cidade Velha de Jerusalém e seus muros, ameaçados por escavações em sua área envoltória, foram mantidos na Lista do Patrimônio em Perigo. O Comitê lamentou que as pesquisas arqueológicas tenham avançado recentemente e também recomendou acompanhamento reforçado.
A Comissão anunciou ainda que as ilhas Galápagos, no Equador, já não integram a lista dos locais em perigo do organismo e que as ameaças colocadas pelo turismo excessivo foram debeladas pelos esforços do Governo do Equador, que tomou medidas bem sucedidas de controlo do número de visitantes e erradicação de espécies animais estranhas às ilhas.
Novos integrantes
Outro destaque da reunião foi a inclusão das Tumbas dos Reis Buganda, em Uganda, e da Catedral Bagrati e o Monastério Gelati, na Geórgia, na lista dos patrimônios ameaçados.
Em março de 2010, um incêndio destruiu quase completamente o prédio Muzibu Azaala Mpanga, estrutura principal do local que continha quatro tumbas reais Buganda. O sítio, exemplo extraordinário de um estilo arquitetônico desenvolvido pelo Reino Buganda desde o século 13, será reconstruído.
Já a Catedral Bagrati e o Monastério Gelati sofreram com as intervenções do governo local no processo de reconstrução, que foram consideradas irreversíveis, não foram aprovadas e comprometeram o valor de caráter universal, a integridade e a autenticidade dos sítios.
O documento recomenda que o Governo da Geórgia suspenda imediatamente todas as intervenções e tome medidas para recuperar o valor, a integridade e a autenticidade. O Comitê espera ainda que o governo implemente estratégias de ordenação do turismo e uso dos prédios históricos.
A construção da Catedral de Bagrati começou no final do Século X e foi concluída no começo do Século XI. O nome foi uma homenagem a Bagrati III, o primeiro rei da Geórgia após a unificação. Apesar de ter sido parcialmente destruída em 1691, durante um conflito com a Turquia, as ruínas ainda permaneceram no centro de Kutaisi.
Já o Monastério de Gelati foi uma das principais construções erguidas entre os séculos XII e XVII e que mantém sua decoração original com mosaicos e pinturas nas paredes. O conjunto formado pela catedral e pelo monastério é considerado o principal legado da arquitetura medieval na Geórgia.
Sobre o Comitê do Patrimônio Mundial
Criado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em 1972, o Comitê do Patrimônio Mundial é uma instância intergovernamental voltada para a proteção do patrimônio cultural e natural de valor universal excepcional, que congrega 21 representantes de países participantes, eleitos pela Assembleia Geral da Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural.
Atualmente o Comitê é composto pela África do Sul, Austrália, Barbados, Barein, Brasil, Camboja, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Estônia, Etiópia, Federação Russa, França, Iraque, Jordânia, Mali, México, Nigéria, Suécia, Suíça e Tailândia.
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