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Degelo no Ártico deve afetar 1/4 da população mundial, aponta WWF
Postado em Mudanças Climáticas em 03/09/2009 às 12h45
por Redação EcoD
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Nível do mar deve crescer mais de um metro até 2100, caso índice atual de degelo permaneça/Foto: sxc.hu

Cerca de 1,5 bilhão de pessoas deverão ser afetadas em todo o mundo caso o derretimento no Ártico mantenha os níveis atuais. A informação consta no relatório Feedbacks do Clima do Ártico: Implicações Globais, divulgado pela ONG World Wildlife Fund (WWF) na quarta-feira, 2 de setembro. Segundo o documento, existe a possibilidade de o nível do mar crescer mais de um metro até 2100, inundar regiões costeiras e atingir potencialmente um quarto da população mundial.

Há dois anos, um estudo do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) estimou o aumento do nível das águas no Ártico em 59 centímetros, número bem aquém do previsto agora pela WWF, que considerou o fato de as temperaturas na região dobrarem em relação à média global nas últimas décadas.

"O que este relatório nos permite ver são as (...) amplas consequências globais deste aquecimento", explicou Martin Sommerkorn, cientista e consultor da ONG sobre o tema, em entrevista divulgada no site Youtube.

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Gelo contido no solo do Ártico é capaz de liberar gases causadores de efeito estufa/Foto: sxc.hu

De acordo com a WWF, o relatório é o primeiro do tipo a incorporar o impacto do derretimento do gelo na Groenlândia e da porção ocidental da Antártida sobre o nível do mar - regiões que não foram consideradas nas projeções do IPCC, em 2007.

O documento prevê que o aquecimento do Ártico influenciaria o clima além da região, ao transformar a temperatura e os padrões de precipitação de chuvas na América do Norte e Europa, fatores capazes de afetar a agricultura, florestas e recursos hídricos.

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Derretimento do Ártico compromete a população mundial humana e a fauna/Foto: sxc.hu

Caso as altas temperaturas no Ártico sejam mantidas, o gelo contido no solo da região será derretido e irá liberar níveis significativos de dióxido de carbono e metano na atmosfera – principais gases causadores do efeito estufa.

"Este relatório mostra que é urgentemente necessário controlar as emissões dos gases do efeito estufa enquanto ainda podemos (...) Se nós permitirmos que o Ártico fique quente demais, há dúvidas sobre se poderemos manter a cadeia de implicações desse fenômeno sob controle", alertou Sommerkorn.

ONU preocupada

Em meio à terceira Conferência Mundial sobre o Clima, realizada em Genebra, na Suíça, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon se mostrou impressionado com a situação do Ártico. Ele visitou a base internacional de Ny Alesund (Noruega) nos últimos dias, onde observou de perto o impacto da mudança climática sobre a região. “O Ártico está aquecendo mais rápido do que qualquer outro lugar na Terra e pode ficar sem gelo até 2030", relatou.

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Ban afirmou que o mundo se dirige ao abismo/Foto: UN

Diante de cerca de mil participantes presentes no encontro de Genebra, Ban voltou a reforçar o pedido para que os governos cheguem a um acordo climático convincente em relação ao que chamou de “profundos cortes nas emissões” na 15ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP-15), que será realizada em dezembro, em Copenhague, capital da Dinamarca.

"Estamos pisando no acelerador e nos dirigindo ao abismo", alertou o secretário-geral da ONU, em tom catastrófico. A autoridade explicou que o Ártico está absorvendo o calor, em vez de refleti-lo. Ele também voltou a ressaltar que só restam 15 dias de eventos preparatórios para os líderes internacionais ajustarem as negociações antes da COP-15. "Só restam 15 dias, 15 dias para resolver alguns dos assuntos mais complexos", enfatizou Ban.

O secretário-geral da ONU defendeu que os países mais industrializados devem viabilizar o financiamento de tecnologias para as nações em desenvolvimento se adaptarem às mudanças climáticas. No entanto, Ban espera que os governos das regiões menos desenvolvidas também se comprometam a reduzirem suas emissões de gases causadores de efeito estufa.

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Tags: Biodiversidade , Ciência e Tecnologia , Mudanças Climáticas , Economia e Política
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