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O designer húngaro Andras Gyorfi ganhou o prêmio principal com o projeto "The Swimming City"/Imagens: Divulgação
Phillippe Starck defendeu que todos nós devemos ter o poder da visão e enxergar a frente do nosso tempo, não apenas para cuidar dos nossos interesses, mas também dos interesses do resto da humanidade. Essa ideia parece se encaixar perfeitamente nos conceitos do Seastead, uma organização que pretende criar novas fronteiras para uma civilização alternativa e construir cidades como a “Swimming City”, capazes de revolucionar as formas de governo e os sistemas sociais a nível mundial, permitindo a experimentação, a inovação e a livre concorrência.
A cidade aquática
Desenvolvida pelo designer húngaro Andras Gyorfi, a "Swimming City" foi projetada para concorrer ao primeiro concurso de design promovido pela Seastead. Deu certo! O resort recreativo, com extensa área de lazer, piscinas, anfiteatros ao ar livre, pista de pouso de helicóptero e uma marina sombreada, venceu o concurso na categoria principal e o projetista levou para casa o prêmio de US$ 1 mil.
Além dele, outros profissionais venceram em outras categorias, como concepção estética, personalidade, melhor imagem e escolha do público. Todos ganharam US$ 250 de premiação. Entre os 41 projetos inscritos foi possível ver estruturas aquáticas de diversos tipos, como arenas esportivas, centros médicos, universidades, hotéis e residências.

Outros projetos venceram em mais quatro categorias.
Porém, o que mais chama a atenção são as intenções do Instituto Seasteading (TSI). Ele foi fundado em 2008 com a missão de "promover o estabelecimento e o crescimento de comunidades oceânicas permanentes e autônomas, possibilitando a inovação a partir de novos sistemas políticos e sociais".
Sociedade alternativa
A instituição pretende fazer dos oceanos os locais ideais para a construção de cidades completas, autossuficientes e plenamente habitáveis. O objetivo é fazer dessas cidades locais onde as pessoas poderão experimentar novos conceitos, técnicas, ideias e modelos de sociedade.
“Atualmente é muito difícil experimentar sistemas sociais alternativos em menor escala; os países são tão grandes que é difícil um indivíduo fazer a diferença”, dizem. Por isso, os organizadores do TSI defendem “algo como a Web 2.0”, onde vários pequenos governos serviriam a muitos nichos de mercado. Seria um sistema dinâmico em que pequenos grupos experimentam e todos copiam o que funciona, descartam o que não dá certo e reajustam o que sobrou para fazer com que dê certo.

A cidade flutuante seria o local aonde novas ideias e modelos de sociedade poderiam ser testados em micro escalas.
“Imagine se pequenos grupos tivessem a capacidade de testar suas próprias ideias em pequena escala e ver o que aconteceria. As pessoas poderiam criar sociedades com prioridades diferentes, e nós veríamos rapidamente quais soluções funcionam na prática. Algumas irão funcionar bem, outras vão funcionar terrivelmente mal; mas acima de tudo, nós acreditamos que quaisquer que sejam as nossas ideias, precisamos parar com as argumentações e proselitismos e começar a colocá-las em prática”, sugerem.
Tornando real
Para tornar estas cidades reais, entretanto, é preciso muito mais que argumentos. Um sistema como este seria possível? Como funcionaria? “ É difícil dar uma resposta breve sobre isso. O que podemos é apontar os navios de cruzeiro industriais como a prova de que o fornecimento de energia, água, alimentos e internet sobre o oceano não é apenas possível, como também rentável”, dizem.
E se você pensou que a intenção dos idealizadores do projeto é construir uma cidade aquática do dia para noite, se enganou. Eles afirmam que pretendem velejar rumo ao futuro com planos concretos e viáveis. A estratégia é começar pequeno: primeiro uma maquete em miniatura, “capaz de flutuar em um copo”. As proporções iriam crescendo, de copo para aquário, seguido por costa, até chegar a dimensões oceânicas.

As cidades seriam autônomas e autossuficientes.
O TSI já recebeu o apoio da publicação norte-americana Wired e um incentivo de US$ 500 mil de Peter Thiel, co-fundador da PayPal e investidor de diversas companhias, como a LinkedIn e o Facebook.
Para Patri Friedman, diretor executivo da TSI, o Seastead não é uma utopia. Ex-engenheiro de software do Google, ele disse em entrevista ao Wired que a multinacional definiu seus padrões de como algo pode crescer rapidamente. “Isso tem potencial para ultrapassar essas normas, se fizermos uma Seastead, há espaço para mil”, defende.
Como funcionaria uma cidade flutuante

Ilustração: Kate Francis/ Wired
1. Plataforma
Com uma extensão de 50 km2 , a plataforma de aço deixa qualquer deck de navio com vergonha. Cabos de fibras de carbono são ancoradas nos pilares para reforças a estrutura e possibilitar uma superfície mais larga.
2. Abastecimento de água
Em uma cidade aquática o que não falta é água. Presente por todos os lados, essa substância estará sempre disponível graças a equipamentos de dessalinização, capazes de fornecer água doce para consumo e cultivo.
3. Base de sustentação
Tanques de água inseridos em quatro pilares de flutuação irão sustentar a cidade a nove metros acima do nível do mar e minimizar o impacto das ondas.
4. Sala de motores
Não gostou da vizinhança? Mude-se. A ilha pode viajar a uma velocidade de até 2 nós alimentada por quatro motores a diesel, reforçados com geradores elétricos.
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