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O ministro do Meio Ambiente do Reino Unido, Ed Miliband (dedo apontado), culpou a China pelo fracasso da COP-15/Foto: Department of Energy & Climate Change
Marcada pelo fracasso, a 15ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre o Clima (COP-15) terminou na sexta-feira, 18 de dezembro, depois de 11 dias seguidos de reuniões em Copenhague, capital da Dinamarca. No entanto, os desdobramentos da cúpula ainda prometem dar o que falar, principalmente depois de um artigo do ministro do Meio Ambiente da Grã-Bretanha, Ed Miliband, publicado no domingo (20) no jornal inglês The Guardian, no qual ele acusa a China de ter sido a responsável pelo fiasco da convenção.
Em resposta a Miliband, a porta-voz do governo da China, Jiang Yu, rebateu a acusação feita pelo ministro, ao afirmar que "certos políticos britânicos" tinham "intenções óbvias" de se esquivar das próprias obrigações e fomentar conflito entre os países em desenvolvimento.
A COP-15 reuniu representantes de 192 países na capital dinamarquesa, mas foi concluída sem o estabelecimento de um acordo capaz de prolongar o Protocolo de Kyoto (que expira em 2012) até 2020. Sem limites para a emissão de gases causadores do efeito estufa, a tendência, segundo os climatologistas, é de que a temperatura global registre alta superior a 2ºC nas próximas décadas - fator que coloca em risco a vida na Terra.
Intitulado "Acordo de Copenhague", um documento assinado pelos Estados Unidos, China, Brasil, Índia e África do Sul foi o único resultado do encontro, embora tenha deixado de fixar limites à poluição, o que fez com que alguns países o rejeitassem, como foi o caso da Venezuela, Bolívia, Nicarágua, Sudão e Tuvalu - este último um dos mais ameaçados pelos efeitos das mudanças climáticas.
Divergências
"Nós pedimos a eles que corrijam seus erros, cumpram com suas obrigações para com os países em desenvolvimento de forma séria e mantenham-se afastados de atividades que prejudiquem a cooperação da comunidade internacional no combate ao aquecimento global", afirmou a porta-voz chinesa em mensagem dirigida à Grã-Bretanha.
De acordo com o artigo de Miliband, um acordo entre todos os países membros das Nações Unidas não foi possível porque havia o interesse de alguns em "engavetar" o documento. O ministro inglês acusou os chineses de vetar duas propostas de corte nas emissões de gases causadores do efeito estufa "apesar do apoio de uma coalizão de países desenvolvidos e da vasta maioria de países em desenvolvimento".
Vale lembrar que durante as negociações, os países desenvolvidos e a China estiveram em lados opostos. Os chineses e outros emergentes insistiram que as nações ricas deveriam se comprometer de forma mais ousada com metas de redução dos gases-estufa, já que são as maiores responsáveis pela poluição do planeta, uma vez que entraram no processo de industrialização mais cedo.
Por outro lado, os países ricos alegaram que a China é a maior emissora de gases-estufa do mundo, além de pedir garantias de que poderiam fiscalizar a gerência dos recursos provenientes de um possível fundo de financiamento, o que os chineses consideraram uma ameaça a sua soberania.
Com informações da BBC Brasil
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