| O que você espera da Rio+20? | |

China ainda precisa aliar crescimento econômico com desenvolvimento sustentável/Foto: Señor Codo
O governo chinês admitiu, pela primeira vez, o que o mundo todo já sabia: o país que mais cresce no planeta nos últimos anos também é o maior emissor de gases causadores do efeito estufa (GEE), em especial, o dióxido de carbono (CO2). Será que a consciência resultará em uma possível transformação de postura? De acordo com informações do jornal espanhol El País, assessores da presidência chinesa já alertaram ao presidente Hu Jintao sobre a necessidade de se limitar às emissões, de modo com que a China passe a apresentar resultados positivos nesse sentido a partir de 2030.
Embora ainda não tenham apresentado taxas específicas quanto as possíveis reduções de CO2, cientistas chineses do Centro de Investigação de Desenvolvimento do Conselho (estatal que orienta o governo) garantem que objetivos concretos a fim de que o país contamine menos o meio ambiente deverão ser anunciados nos próximos meses – um indicativo de que as boas notícias seriam divulgadas durante a Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-15), evento que será realizado em Copenhague, capital da Dinamarca, em dezembro.

Em visita recente à China, Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU (à esq.) conversou com Wen Jiabao, primeiro-ministro chinês, sobre o aquecimento global/Foto: Eskinder Debebe
A China sofre, atualmente, pressão da comunidade internacional por conta de sua falta de compromisso com o meio ambiente, razão pela qual Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas visitou o país recentemente, a fim de reforçar a importância da necessidade de uma nova postura de parte dos chineses. De acordo com o Instituto Industrial para Energias Renováveis (IWR, sigla em alemão), o país asiático é o maior emissor mundial de gases poluentes, seguido dos Estados Unidos e da Rússia (dados de 2008). Os pesquisadores do país apontam três estratégias como fundamentais para amenizar, consideravelmente, as emissões de CO2:
• Promoção das energias renováveis;
• Aumento das taxas aplicadas à produção e comercialização dos combustíveis fósseis;
• Uso consciente da venda de emissões no mercado de carbono.
Como é um país em desenvolvimento, a exemplo do Brasil e da Índia, a China encontra-se dispensada de respeitar os limites de emissões de poluentes estipulados para os países industrializados, de acordo com as metas (ainda vigentes) estabelecidas no Protocolo de Kyoto, assinado em 1997. A expectativa hoje é a de que metas mais ambiciosas do que o acordo protocolado no Japão, há 12 anos, sejam oficializadas durante a COP-15.

Governo chinês anunciou investimento bilionário em energia nuclear/Foto: thiswasmeantforyou
Neste encontro internacional que será promovido pela ONU, espera-se também que a China seja incluída entre os países com taxas de redução de CO2 a serem alcançadas, o que também deve ser uma realidade para outras nações em desenvolvimento, mas que contribuem, de alguma forma, para com o aquecimento global. No último encontro do G-8, grupo dos países mais industrializados do mundo acrescidos da Rússia, realizado em julho, na Itália, as grandes potências limitaram-se a reduzir 50% de suas emissões até 2050 – ao tomarem os níveis de 1990 como referência.
Justificativa e ceticismo
Na semana passada, Wen Jiabao, primeiro-ministro chinês, afirmou que controlar as emissões de gases poluentes é um dos “objetivos primordiais” do país, e que de sua parte, a China cumprirá com as negociações que visam melhorar o clima. Todavia, sempre que o governo é questionado sobre a liderança mundial de poluição ostentada pela potência asiática, um argumento permanece intacto: “nossas emissões por habitante são muito baixas”. Também pudera: por lá convivem mais de 1 bilhão de pessoas.
Segundo Xavier Labandeira, professor de Economia Aplicada da Universidade de Vigo e especialista em mudança climática, esse argumento deve sim ser levado em conta. “Este é um problema que, em essência, envolve uma coordenação global. Não se pode pretender que países em desenvolvimento, como China e Índia tenham objetivos mais ambiciosos do que os Estados Unidos e a União Europeia”, apontou.
Mais cético em relação a uma melhora da postura de Pequim em relação à mudança climática, Gonzalo Sáens de Miera, promotor do Grupo de Trabalho sobre Políticas Energéticas Sustentáveis observou que a China dificilmente registrará redução de emissões até 2040, já que o país planeja melhorar seu nível a partir de 2030. “Estratégias a médio prazo é que são essenciais, até porque daqui até 2030, 60% das emissões de CO2 serão de responsabilidade dos chineses”, projetou.
*Com informações do jornal El País
Leia também
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Portal EcoD é um projeto do Instituto EcoDesenvolvimento
Direitos Autorais - Condições de uso do conteúdo
SEJA PARCEIRO DO ECOD