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Foto: Marshall Astor
Vamos concordar, quem que gosta de carne e não fica babando por um pedaço suculento de picanha ou um bife bem temperado? A carne, além de possuir proteínas e vitaminas importantes para a nossa saúde, é uma delícia. Mas ela também é a responsável pela destruição de grande parte da floresta Amazônica e do desmatamento de 90% das florestas tropicais ao redor do mundo. O que fazer então, quando a consciência ambiental entra em conflito com a vontade de atacar um churrasco?
Não precisa entrar em desespero. A solução é optar por produtos de qualidade e que foram produzidos seguindo critérios da sustentabilidade. Muitos criadores e abatedores em todo o país já criam seus animais pensando em reduzir os impactos no meio ambiente, na saúde dos consumidores e também na qualidade de vida das pequenas comunidades.
O Grupo Pão de Açúcar, por exemplo, em parceria com o Instituto Ethos e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) desenvolve desde 2005 o Programa Tear. No projeto, eles formam uma parceria com pecuaristas para produção da "carne sustentável", pondo em prática princípios da responsabilidade econômica, social e ambiental em toda cadeia produtiva.
Os resultados do investimento de US$ 74 mil em treinamento com proprietários de 35 fazendas participantes já estão aparecendo. A melhoria do processo de produção promoveu a geração de renda e emprego, além de avanços sócio-econômicos e inclusão social dos envolvidos que passaram a contar com maior qualificação profissional, educação, acesso à informática, entre outros benefícios. Entre as exigências ambientais estão a coleta seletiva de lixo e a realização de eventos sustentáveis com a comunidade.
O próximo passo do programa é identificar de forma mais clara estes "produtos sustentáveis" nas lojas e atrair novos consumidores. Portanto, se você quer fazer a sua parte e se tornar um legítimo carnívoro, sem abrir mais do respeito ao meio ambiente, siga as instruções abaixo e bom apetite!
Poucas pessoas têm tanto poder de gerar mudança quanto os consumidores. Por isso procure saber de onde veio o produto que você está comprando, como o animal foi criado e abatido e se aquela empresa realiza algum trabalho voltado para o desenvolvimento sustentável. Ao comprar carnes produzidas de forma diferencial, você estará investindo e apoiando esse tipo de iniciativa e fazendo com que outros produtores mudem suas práticas.
Ao comprar carne de pequenos e médios produtores você estará incentivando a economia local, melhorando a qualidade de vida dessas famílias e deixando de contribuir com grandes latifúndios, responsáveis pela derrubada de milhares de árvores para a construção de pastos. Além disso, comprar alimentos locais reduz o tempo e o combustível gastos durante o transporte, diminuindo a poluição atmosférica.
Quando for comprar carne, procure saber como aquele animal foi criado. Dê sempre preferência àqueles que cresceram e engordaram de forma natural, se alimentando de pasto ou alimentos orgânicos. Muitos produtores fazem uso de produtos químicos, hormônios, pesticidas e antibióticos a fim de antecipar a engorda dos animais ou evitar que eles adoeçam. Isso tudo prejudica o meio ambiente e claro, a sua saúde.
Também dê preferência àqueles criadores que utilizam técnicas de manejo e conservação do solo, da água e dos recursos naturais da propriedade. Cuidado e respeito aos trabalhadores também são fundamentais. Infelizmente não são raros os casos de trabalho escravo em grandes latifúndios do país, portanto fique atento se o fazendeiro que te vendeu aquela carne cumpre todas as leis trabalhistas e ambientais do país.
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