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A campanha pretende reduzir as emissões de gases do aquecimento global em 80% em dez anos/Foto: Rob Atkins
“Não estamos em crise porque não temos soluções. Estamos em crise porque não estamos implementando as soluções já disponíveis.” É com esse espírito de urgência e viabilidade, que o State of the World Forum (SWF) e seus parceiros iniciaram uma campanha de mobilização mundial visando reduzir as emissões de gás carbônico em 80% até o ano de 2020, e não 2050, como pretendem as grandes governanças mundiais.
Essa mudança será feita por meio de redes sociais com cidades, Estados, regiões e países de todos os lugares do mundo que estão aderindo ao Compromisso 2020. “Nosso compromisso é enviar Equipes de Reação Rápida para ajudar. Elas serão compostas por profissionais e especialistas oriundos principalmente da própria região, mas também de outros países. A estratégia 80/20 (80% de redução das emissões até 2020) irá utilizar tecnologias existentes e será implementada de forma a economizar energia, criar empregos e gerar oportunidades de crescimento e prosperidade do clima”, afirmam.
As ações do projeto seguirão sete alicerces:
1. Reduzir a dependência dos combustíveis fósseis;
2. Implementar a eficiência energética;
3. Criar tecnologias limpas;
4. Desenvolver energias renováveis;
5. Limpar os sistemas naturais;
6. Criar estilos de vida sustentáveis;
7. Criar uma cultura de crescimento sustentável.

Jim Garrison, presidente do State of the World
10 anos para mudar o clima
Para o estudioso, o calendário de Copenhague, que é o ponto principal das negociações e prevê uma redução de 80% das emissões de carbono até 2050, não leva em consideração o fato de a humanidade não dispor de mais 40 anos para solucionar a crise. “Nós temos apenas alguns anos, no máximo, para tomar as ações necessárias e, em algum nível, qualquer um que esteja prestando um mínimo de atenção no assunto sabe disso”, afirmam os organizadores.
O documento ainda reforça os dados de Lester Brown, que apontam que a redução das emissões de carbono em 80% até 2020 permitirá uma estabilização da temperatura mundial em 1° C acima dos níveis atuais, enquanto que a concentração de CO2 permanecerá em 400 ppm.
Mesmo se os governos forem bem sucedidos em reduzir as emissões de carbono em 80% até 2050, isto seria irrelevante para lidar com o aquecimento global de forma significativa. Um estudo recente realizado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) afirma que se todos os governos cumprirem totalmente suas atuais promessas, que basicamente consistem em reduzir as emissões de carbono em 80% até 2050, já teremos alcançado mais de 600 ppm de CO2 até então, e as temperaturas globais terão subido pelo menos 4° C.
“Nós acreditamos que o mundo deve se mobilizar em torno do que é cientificamente urgente e não em torno do que é politicamente oportuno. Por isso, nossa intenção estratégica é muito simples: o que os nossos governos estão negociando para 2050 deverá ser realizado até 2020 e temos que estar preparados para demonstrar a liderança necessária para fazer isso”, defendem.
Isso seria apenas a primeira parte do processo de reversão das mudanças climáticas. Depois de estabilizar o clima, a humanidade partiria em busca da redução dos níveis de gás carbônico para níveis abaixo de 350 ppm, que Jim Hansen, Bill McKibben e outros cientistas conceituados consideram como o nível mínimo para que as mudanças climáticas devastadoras não sejam inevitáveis.

Sem ações drásticas, o Planeta passará por mudanças devastadoras inevitáveis/Foto: Rebecca Yale
Lideranças globais
Mas enquanto um compromisso 80/20 é essencial do ponto de vista científico, essa redução ainda é politicamente inviável, afirma o documento. Para a SWF, a crise do aquecimento global é uma crise de governanças e lideranças. “A realidade política é que nossos governos nacionais não irão guiar esse processo. Essa liderança deverá partir das pessoas, em todos os níveis da sociedade, que sentem essa urgência e que estão dispostos a assumir isso.”
A resposta para o otimismo, segundo o documento, está na união das pessoas em todo o mundo. “É possível porque as pessoas estarão interligadas com outras de todo o mundo e saberão que o que eles estarão fazendo é parte de uma solução global que irá realmente resolver os problemas do Planeta.”
Brasil: um líder mundial
O Brasil foi escolhido para sediar o lançamento da campanha, que aconteceu em Belo Horizonte, em Agosto de 2009, por ser considerado pelos organizadores do projeto um líder climático global.
Quesitos como diversidade de raças, contradições e circunstâncias o tornam o “microcosmos do mundo”. Ainda assim, o povo brasileiro está em paz com os outros e é capaz de celebrar a vida, mesmo com os problemas. Além disso, o país possui um sistema de energia que utiliza fontes renováveis, como hidrelétricas e o etanol, e ainda tem a maior área livre do mundo - 40% das terras fora da floresta não estão sendo usadas.
Para reforçar essa posição, o Brasil se comprometeu recentemente a reduzir o desmatamento da Amazônia em 80% até 2020, o que irá gerar uma redução de 20% das emissões brasileiras. “O fato de a Amazônia está se comprometendo com a meta 80/20 é um excelente ponto de partida”, afirmam os organizadores da campanha.
Os próximos encontros acontecerão em dezembro (durante a COP-15), em fevereiro de 2010 (em Washington) e em maio de 2010 (em Rio Branco, no Acre).
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