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O sociólogo Boaventura de Souza Santos defende novas hegemonias mundiais, observado pela senadora Marina Silva/Foto: Murilo Gitel/EcoD
Quais são os novos parâmetros para o desenvolvimento sustentável? Em tempos de mudanças climáticas e da recuperação mundial pós-crise econômica, os encarregados para responder a este questionamento no Fórum Social Mundial (FSM) de Porto Alegre foram o sociólogo Boaventura de Souza Santos, a senadora Marina Silva (PV-AC) e o idealizador tanto do FSM como do Movimento Nossa São Paulo, Oded Grajew.
Cerca de 300 pessoas compareceram ao Armazém 7 do Cais do Porto na quinta-feira, 28 de janeiro, em um dos eventos mais concorridos do FSM. O debate foi aberto por Oded Grajew, que destacou uma mudança de mentalidade da sociedade civil organizada. “A próxima eleição não será uma daquelas em que o candidato fica o tempo todo beijando criança para aparecer na televisão. A população quer saber é de qualidade de vida”, ressaltou.

Oded Grajew abordou a importância da sociedade civil. Sentados, Boaventura e Marina, com a Lagoa Guaíba de fundo/Foto: Murilo Gitel/EcoD
Em seguida, a palavra foi passada para o professor Boaventura de Souza Santos, que já começou sua participação com duas polêmicas: propôs a abolição do conceito de desenvolvimento, uma vez que este termo, segundo ele, serve para designar o capitalismo desde a década de 1950. Na sequência, o sociólogo reivindicou a mudança do slogan do FSM.
“Fiz isso hoje [quinta-feira] lá na Unisinos. Em vez de “um outro mundo é possível”, seria melhor que a organização trocasse para “um outro mundo é necessário. E urgente”, exemplificou Boaventura.
Para o delírio do público presente, nem mesmo o colega de sociologia e ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso foi poupado. “Alguns dos que teorizavam alternativas ao capitalismo, como o meu colega FHC, aplicaram depois o capitalismo duro, neoliberal”, criticou.
Democracia sustentável e radical
A proposta de Boaventura na direção de uma nova ordem mundial girou em torno do que ele chamou de “democracia sustentável”. “Meu pensamento crítico fala do desenvolvimento sustentável, desenvolvimento democrático, mas na Bolívia e no Equador existem outras palavras, como ‘indicadores de viver bem’. Seria melhor se as adotássemos”.
O sociólogo português também defendeu as políticas de economia solidária e o trabalho desenvolvido por cooperativas e associações. “Isto é preciso porque hoje nós não temos uma economia de mercado. Nós temos uma sociedade de mercado - e aí milhões morrem a míngua”.
Boaventura expressou a ideia de que o melhor seria se cada cidadão pudesse escolher em quais setores os impostos que paga fossem destinados. “Por exemplo, eu daria 45% para a educação, 30% para a saúde, 15% para a limpeza, 10% para a segurança e 0% para as Forças Armadas”. Mais aplausos. Ele defendeu que uma “democracia radical” tenha lugar em nossa sociedade, no intuito de se criar novas hegemonias, lutas e eventuais conflitos.
Marina
Em um dos momentos mais aguardados do FSM, a senadora Marina Silva procurou ser bem didática para explicar o que pensa sobre o desenvolvimento sustentável. Na visão da ex-ministra do Meio Ambiente, a sustentabilidade cultural é tão importante quanto os aspectos econômicos, ambientais e sociais.

A senadora Marina Silva chega para participar do debate "Novos Parâmetros para o Desenvolvimento"/Foto: Murilo Gitel/EcoD
“As diferenças dos seres humanos são fundamentais. Um cientista diplomado sabe da existência das mudanças climáticas, mas o conhecimento indígena acerca da biodiversidade pode, por exemplo, auxiliá-lo nos seus estudos”, argumentou Marina.
Na sequência, a também pré-candidata do PV à Presidência da República comentou a respeito da crise econômica global e os desafios ambientais do planeta. “Todo o mundo acompanhou os desdobramentos da crise econômica. Foi mais fácil mobilizar trilhões e trilhões para salvar os bancos. É preciso ser dito que estamos no mesmo barco. Ou pensamos na nossa forma de produzir e consumir ou não haverá um espaço para a fuga”.
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