
Negociadores dos países da África exigem comprometimento concreto das nações desenvolvidas/Foto: Ryan Brown
Um clima de tensão marcou os dois primeiros dias da cúpula da ONU realizada desde segunda-feira, 2 de novembro, em Barcelona, na Espanha. O motivo da instabilidade foi um comunicado enviado pelos negociadores dos países africanos, no qual eles ameaçaram não participar do encontro na cidade espanhola – o último antes da 15ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre o Clima (COP-15), que será realizada de 7 a 18 de dezembro, em Copenhague, capital da Dinamarca.
Os representantes das nações africanas chegaram a pedir a suspensão de todas as novas negociações até que os países desenvolvidos, principalmente os Estados Unidos, acenem com propostas concretas de redução de emissões dos gases causadores do efeito estufa.
Eles lembraram a responsabilidade histórica das potências industrializadas em relação à poluição do planeta e observaram que a ajuda precisa partir delas. Contudo, os líderes mudaram de ideia horas depois e resolveram participar da reunião. A chegada deles em Barcelona está prevista para esta quarta-feira, 4 de novembro.

Responsabilidade histórica dos EUA coloca governo Obama sob pressão/Foto: Matt Ortega
Recentemente, os negociadores da África afirmaram que não irão aceitar um novo pacto que substitua o Protocolo de Kyoto porque não consideram justo estabelecer metas próprias de redução de emissões, levando-se em conta a situação socioeconômica de seus países em comparação com a das nações mais desenvolvidas. Eles também rejeitam a fusão do documento assinado em 1997 na cidade japonesa com um novo pacto, previsto para ser firmado durante a COP-15.
Mãos vazias?
O secretário-executivo da Convenção da ONU para Mudanças Climáticas, Yvo de Boer, afirmou que qualquer acordo nesse sentido precisa envolver os Estados Unidos, um dos principais emissores de dióxido de carbono do mundo. “Eu não acho que a comunidade internacional vai aceitar um acordo que carece de clareza sobre as metas norte-americanas”, ressaltou.
Já o ministro do Clima e Energia da Dinamarca, Connie Hedegaard, advertiu ao presidente norte-americano, Barack Obama, que será vergonhoso caso os Estados Unidos cheguem a Copenhague, em dezembro, com as “mãos vazias”, numa referência à indecisão da Casa Branca sobre se comprometer ou não com metas de redução convincentes. “Eles não podem continuar se escondendo atrás do Senado, até porque não são os únicos a enfrentar dificuldades com a passagem de legislações sobre o tema”, observou.

Yvo de Boer duvida que a comunidade internacional assinará um novo acordo sem os EUA se comprometerem/Foto: oxfam international
"Nós levamos as nossas obrigações a sério e cumpriremos os nossos objetivos [...] Queremos que todos os países desenvolvidos se comprometam em nível internacional, de forma quantificada, com metas de redução. E todos os países devem tomar medidas imediatas", alertou o ministro do Meio Ambiente sueco, Andreas Carlgren.
Apesar de não ter trazido avanços concretos e bem detalhados, a Cúpula Europeia realizada nos dias 29 e 30 de outubro, em Bruxelas (Bélgica), indicou ao menos que as nações do bloco concordam em disponibilizar US$ 100 bilhões por ano até 2020 para as economias em desenvolvimento. A reunião de Barcelona termina na sexta-feira, 6 de novembro.
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