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Muitos projetos de sustentabilidade visam apenas prédios novos. O que fazer com os antigos?
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brookings apontou que, em 2030, metade das construções terão sido erguidas depois do ano de 2000. Isso significa que nas primeiras décadas desse século teremos a mesma quantidade de construções modernas e antigas brigando por espaço nas cidades. Novas técnicas, materiais e, principalmente, uma nova mentalidade dos arquitetos e construtores, asseguram um mínimo de sustentabilidade nos próximo prédio. Mas e o que fazer com os antigos?
“Existe uma ideia de que trabalhar em um prédio histórico é o mesmo que estrangular o trabalho do designer”, lamenta a doutoranda da Universidade de Texas, Meghan Kleon. Em entrevista ao site Architect Magazine, Kleon, que estuda a interseção entre preservação histórica e a arquitetura sustentável, conta que garantir a viabilidade em longo prazo do ambiente construído, seja ele novo ou antigo, requer grande imaginação e poder de visão.
“Preservação é a vanguarda da sustentabilidade”, enfatiza a curadora do Museu da Construção Nacional dos EUA, Susan Piedmont-Palladino. “Foram os preservacionistas os primeiros a defender um pensamento radical de que poderia haver outros critérios de valorização de uma construção que não fossem apenas a utilidade ou os retornos econômicos. Os prédios e a vizinhança precisam ser avaliadas também pelo que receberam de energia humana e cuidado”, completa.

Os arquitetos do KieranTimberlake Associados reformaram a Universidade de Yale e introduziram modernidade no prédio de 1930/Foto: Divulgação
Kleon concorda: “Para tornar algo sustentável, a comunidade precisa querer manter aquilo vivo, precisa cuidar. Às vezes eu me pergunto se os arquitetos realmente pensam em como seus projetos irão se aparentar e como estará a sua funcionalidade daqui a 25, 50 ou 100 anos”.
Os mais profissionais mais criativos e antenados asseguram que pensam nisso sim. “Nossa maior responsabilidade não é construir coisas novas – é repensar o que a gente já tem”, diz também em entrevista ao Architect Magazine Stephen Kieran, da KieranTimberlake Associados. O grupo é conhecido pelas técnicas inovadoras que implantam em novas construções, apesar disso, mantém em seu site uma seção inteira voltada para a conservação, reutilização e aproveitamento de construções antigas.
“Se nós quisermos realmente mudar de forma rápida o nosso consumo de energia (e precisamos fazê-lo) nós temos a responsabilidade ética de melhorar a eficiência do que nós já trouxemos ao mundo”, defende Kieran.
Para aqueles designers e arquitetos acostumados a criar coisas novas e re-imaginar o que já existe, pensar em formas de reaproveitar construções antigas por ser uma oportunidade de embarcar em um nicho de mercado com tendência a crescer. Afinal, como afirma o arquiteto Lance Hosey, “o mais radical e responsável que um arquiteto pode fazer é não construir”.
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