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Catadoras do coco babaçu costumam inutilizar a casca, importante para a produção de biomassa/Foto: Leonardo Melo
Um projeto de investidores alemães para produção e comercialização da casca de babaçu foi apresentado ao governo do Maranhão para ser implantado na Região dos Cocais, onde há grande quantidade de matéria-prima. A meta é que até 2015 sejam substituídas cerca de 17 milhões de toneladas de carvão mineral pela biomassa gerada na queima da casca do coco, que servirá de fonte de energia termoelétrica na Alemanha.
Ao todo, serão investidos R$ 45 milhões, quantia que inclui os trabalhos de 8 mil quebradeiras de coco e a produção logística para deslanchar o projeto. O município de Gonçalves Dias é o primeiro a contar com a iniciativa.
Outra proposta é implantar uma indústria de beneficiamento de amêndoas na cidade, com o objetivo de extrair o óleo e fabricar produtos. A expectativa é aumentar a colheita mensal, que é atualmente de 200 toneladas, para 20 mil toneladas.

Carvão mineral é um dos vilões do aquecimento do planeta, pois emite resíduos poluentes/Foto: rekahop
Segundo Bernhard Eckner, integrante da representação alemã, São Luís viverá um momento histórico importante com a chegada do primeiro navio de exportação de cascas de coco babaçu no estado, em março de 2010.
O vice-governador João Alberto garantiu que o Maranhão tem o maior interesse na implantação do projeto, uma vez que este beneficiará a população rural com o aumento na geração de renda e criação de 500 empregos diretos, além de desenvolver a economia da região. Segundo o acordo, o estado assegura a infraestrutura na recuperação das estradas que ligam os municípios onde se concentra o coco babaçu, para possibilitar o transporte das mercadorias.
Alternativa
Segundo tese de doutorado defendida por Marcos Alexandre Teixeira em 2003, na Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp (FEM), 985 mil toneladas de cascas do coco babaçu (média anual registrada no Norte/Nordeste) são capazes de gerar o equivalente a 104 megawatts de eletricidade por ano, o que corresponde a cerca de 5% da matriz energética nacional. De acordo com o engenheiro mecânico, trata-se de um sistema de geração de energia ecologicamente correto, principalmente em locais onde a cana não é uma boa opção. No trabalho orientado por Luiz Fernando Milanez, o pesquisador fez um cálculo custo/benefício e concluiu que a melhor alternativa seria produzir vapor de alta pressão a 4,56 Mpa (Mega Pascal) a 420 graus centígrados.
Mega Pascal é uma unidade de pressão de fluidos que pode ser genericamente traduzida por força sobre a área. O vapor de alta pressão alimentaria as turbinas para gerar energia elétrica. O fruto está disseminado em toda a Amazônia Legal, além dos estados do Piauí e Maranhão. Diariamente, as catadeiras de coco deixam nas matas de 5 a 7 quilos de casca. Segundo Teixeira, a tecnologia para geração de energia a partir do babaçu é a mesma usada em relação à biomassa de cana-de-açúcar. “São necessários apenas algumas ajustes nas caldeiras”, explicou.
Vale lembrar que o carvão mineral, além da poeira preta, emite dióxido de carbono e enxofre na atmosfera, além de óxidos de nitrogênio. Quando queimado, o recurso vira um dos principais vilões da camada de ozônio, contribuindo para a mudança climática e, consequentemente, para o aquecimento global. Daí a importância de sua substituição por alternativas menos poluentes.
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