| O que você espera da Rio+20? | |

Desmatamento em área de agricultura em Mato Grosso/Foto: leoffreitas
O governo brasileiro ainda não definiu a posição que o país vai adotar na 15ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP-15) de Copenhague, marcada para dezembro, na capital da Dinamarca. No entanto, ao que depender da ala majoritária formada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, Itamaraty e Casa Civil, o país deve evitar o estabelecimento de uma meta específica de redução dos gases causadores de efeito estufa.
Para este grupo, o único compromisso que o Brasil deverá ter nesse sentido é com a redução de 80% do desmatamento da Amazônia, objetivo que caso seja alcançado será responsável, automaticamente, pelo corte de 20% das emissões de gases poluentes na atmosfera até 2020. Já o Ministério do Meio Ambiente quer que o país se comprometa a diminuir em 40% a quantidade de CO2 emitida nesse período.

Minc acredita que o país tem meios para reduzir emissões em 40% até 2020/Foto: Antônio Cruz/ABr
Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, o cientista Carlos Nobre, pesquisador do Instituto acional de Pesquisas Espaciais (Inpe), defendeu a intenção da ala majoritária. “Começa a haver uma tendência de achar que a meta de 80% do desmatamento e a consequente redução no ritmo de emissão de CO2 de 20% é pouca coisa. As pessoas se esquecem que até pouco tempo não havia no governo nem mesmo consenso para redução do desmatamento”, sustentou o também membro do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).
Segundo Nobre, a meta de redução de 80% no desmatamento já é difícil de ser atingida, porque demanda uma política de incentivos para uma série de atividades, o que vai além de medidas como fiscalização e controle. A ala majoritária argumenta que a proposta não é modesta, mas “realista e livre de riscos de não ser alcançada”.
Já o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, procura demonstrar que as metas de se reduzir as emissões em 40% e o desmatamento em 80% podem ser mantidas caso o Brasil cresça de 5% a 6% nos próximos anos, como previu a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef. O projeto do chefe da pasta ambiental do governo trabalhava num cenário de 4% de crescimento econômico. Ele informou que os técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) contratados para desenvolver a nova projeção já possuem os novos valores a serem investidos para garantir o objetivo.
Leia também
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Portal EcoD é um projeto do Instituto EcoDesenvolvimento
Direitos Autorais - Condições de uso do conteúdo
SEJA PARCEIRO DO ECOD