Democratizar a democracia
Por Marina Silva
a transformação em rede
Por Silvio Meira
É a indústria...
Por Delfim Netto

O que você espera da Rio+20?
Reflexões sobre o atual estado das nações;
Debates apenas sobre meio ambiente;
Nova política pela sustentabilidade global;
Metas e prazos firmes para todos os países;
Não espero muita coisa.



Arquivos 2011
» Março
» Abril
» Maio
» Junho
» Julho
» Agosto
Arquivo
Arquivos 2008
Arquivos 2009
Arquivos 2010






A sustentável leveza do ser
Postado em Vida e Saúde em 25/10/2009 às 14h00
por Pedro Hijo - Redação EcoD
Diminuir Fonte Fonte Padrão Aumentar Fonte

capa-suzana.jpg

Suzana é educadora e permacultora/Foto: Blog pessoal

Suzana Maringoni teve contato com a natureza desde cedo. Seus trabalhos como educadora já tinham levado a jovem senhora a se preocupar com o meio ambiente e com a sua qualidade de vida. Foi este impulso que levou Suzana a sair da cinza São Paulo e ir para Florianópolis. Na capital catarinense, ela conheceu Jorge Timmermann, ecólogo, que a aproximou da Permacultura, um sistema de planejamento para a criação de ambientes humanos sustentáveis. Ela diz que o contato com a Permacultura foi amor à primeira vista. E deve ter sido mesmo, porque a partir dali, Suzana tornou-se permacultora, integrou-se a rede de profissionais Permear e até escreveu um livro que fala sobre as lendas tradicionais aplicadas ao sistema de construções ambientalmente corretas. E para quem ainda tem dúvidas do poder da Permacultura, ela diz: "Esse é um dos caminhos para construirmos uma nova maneira de vivermos como espécie neste planeta".

EcoD - De certa forma, a própria vida lhe levou à Permacultura. O que este contato mudou na sua vida? Mudou a forma de ver o mundo e à natureza?

Suzana - Bem, já havia esta perspectiva na minha vida antes do Jorge, meu marido, tanto que fugi de São Paulo, por entender que ali não era um espaço para se viver, nem para criar minhas filhas. Em Florianópolis pude ter a possibilidade de ir além, de aprofundar nestas questões buscando não apenas olhar os problemas, mas construir soluções, ações sustentáveis. Acho que a grande mudança foi esta: a possibilidade de ajudar a natureza, de trabalhar junto, a favor, construindo sistemas humanos mais sustentáveis. Daí muda a maneira de consumir, de estar, de se alimentar etc. Engraçado, porque antes eu considerava meu marido um radical, e hoje vejo como estou parecida com ele.

Quer dizer que antes ele era o radical ecológico e agora você também é?

Bem, a ilustração melhor disto é a discussão sobre o banheiro seco. Antes de ser permacultora eu dizia que isto era algo que tinha poucas chances de dar certo, que o banheiro seco lembrava o cheiro da latrina, que a água aqui é abundante, e que não precisava disso. Aí fiz o PDC (Curso de Design em Permacultura) e depois usei alguns banheiros deste tipo. Juro que até coloquei a cara dentro do banheiro para ver se tinha cheiro forte. Bom, hoje este espaço é a primeira coisa que eu penso em uma construção, a minha grande defesa em qualquer discussão. Ou seja, mesmo vivendo há anos com um permacultor, ajudando-o a planejar cursos, sabendo de Permacultura mais do que a maioria, ao fazer o curso, muita coisa foi compreendida, aprofundada, e passou a fazer outro sentido.

O que suas filhas acham de terem pais engajados em projetos envolvendo permacultura? Elas também às vezes acham vocês radicais ou também levam esses conceitos para a vida e participam dos projetos?

As meninas convivem com Permacultura desde bem pequenas. Muitas coisas mudaram na vida delas, a principal foi a alimentação: mais iogurte natural, mais pães e grãos, e nada de refrigerantes, biscoito recheado, ou seja, em casa apenas alimentos naturebas e orgânicos. Isto foi duro e, às vezes, elas até brincavam de contrabando em casa, trazendo comidas menos naturais. Hoje elas acompanham os projetos, entendem de Permacultura, admiram, mas como jovens que são, estão na fase em que é preciso distância dos pais, para ver outras coisas o que é natural e aceitável.

murofinal.jpg

Suzana e Jorge fazem pose sentados em uma escada feita de pneus da casa na montanha

“A Permacultura é uma tentativa de se criar um Jardim do Éden” essas são palavras de Bill Mollison, um dos fundadores do conceito da Permacultura. Você concorda?

Não vou discordar do que Mollisonn disse, mas concordo em parte. A Permacultura busca o equilíbrio, aprender com a natureza e não se posicionar contra ela, de ter um espaço fértil, onde tudo se oferece, onde há equilíbrio, sabedoria e fartura. Mas se formos um tantinho além, esta imagem do Jardim do Éden remete à cultura judaico-cristã, e também a ordem divina de “crescei, multiplicai-vos e dominai”. Puxa aí a coisa encrenca feio! Pois esta visão de que somos melhores que as outras criaturas é de doer! Ficaria mais com a ideia que Lutzemberger usou num texto que fala sobre Gaia (conceito que acredita no planeta Terra como um ser vivo), que diz o mesmo que os povos aborígenes já diziam: somos parte e não dominadores. Mas, claro que a imagem que Bill faz sobre a Permacultura é sedutora: a terra prometida, a fartura, sabedoria etc.

Então é possível não depender de sistemas públicos de saneamento, como energia, coleta de lixo e água?

Puxa, eu diria que não só é possível, como é desejável! Em Permacultura, Bill Mollison diz que os problemas devem ser resolvidos o mais próximo possível da sua origem. A reutilização da água a partir das chuvas, por exemplo, se chove bastante na maioria das regiões do Brasil, logo a captação de água de chuva é possível, simples e barata. Quando o assunto é esgoto, com banheiros secos, bacias de eco-transpiração ou círculo de bananeiras isso pode ser resolvido. Já o lixo, quando orgânico se composta até em minhocários (que podem ser usados em apartamentos). Já os outros tipos de lixo podem ser diminuídos com atitudes simples como fazer compras recusando embalagens e plástico, reciclar este lixo. É importante também, consumir menos e fazer bens duráveis como carros ou computadores, por exemplo, durarem. Não é necessário trocar de carro todo ano, né? Agora, um ponto fundamental é repensar o tamanho das cidades. Mega cidades não são sustentáveis. Isso é uma verdade que pode ser comprovada: As mega cidades existem em maior quantidade em países em desenvolvimento do que em países de 1º mundo. Por que será?

Você leva essa auto-suficiência para a vida? Ou seja, também tenta viver de forma sustentável, reaproveitando os bens utilizados? Consegue isso de forma integral?

David Holmgren, co-fundador da Permacultura explica essa questão do 100% sustentável de maneira clara. Há coisas onde é possível ser mais autônomo: alimentação, habitação, saneamento, por exemplo. E outras coisas onde isso é mais difícil: não consigo fazer um carro, ou um computador. O ser sustentável, entendo eu, está em, na medida do possível, trazer a roda de produção do consumo para o mais próximo de ti: ou seja, compro comida de produtores locais, da minha cidade. E assim vamos, além de colher água de chuva, tratar meus esgotos etc.

Em seu livro há uma busca em tratar as lendas construídas na sociedade e aproximá-las da Permacultura. De que forma os mitos e as construções sustentáveis estão ligados?

O livro Lendas do saber traz lendas e mitos tradicionais, e eles trazem símbolos que remetem aos princípios da Permacultura. Por exemplo, a lenda da Bela e a Fera pode ser associada ao primeiro princípio da Permacultura que é “Observe e interaja”. A partir daí são propostas atividades com grupos para vivenciar este princípio, vinculando a alguma atividade permacultural, que pode ser, neste caso, observar o entorno, colher elementos e analisá-los e ainda transformá-los em obras de artes, como gravuras, desenhos, colagens, esculturas.

Qual a sensação de construir a própria casa?

Fazer a própria casa é um prazer que as pessoas não imaginam. Nem o prazer, nem suas capacidades em fazer isso. Engraçado, pois antigamente era a coisa mais natural do mundo produzir a própria casa. Claro que existem alguns problemas na construção. Na casa da montanha, por exemplo, a maior dificuldade foi o clima. A estrutura também foi problemática, porque fizemos grande parte da obra sem energia elétrica, mas depois que passa, vira história e diversão.

A Permacultura prega que a sustentabilidade humana pode surgir a partir do ciclo de utilizações dos recursos. A vida também é assim? Cheia de ciclos?

Certamente na vida nós recebemos o que plantamos. Anos atrás nosso computador deu pau, quebrou, morreu, com todas as informações, cursos, planos de aula, fotos etc. Se fossemos do tipo que não compartilha nada com ninguém muita informação estaria perdida. Mas como somos meio promíscuos neste aspecto, foi mandar um e-mail para a rede de amigos, que quase tudo foi resgatado. Ou seja, se tivéssemos pensando que estávamos guardando “preciosas informações” teríamos perdido tudo. Quanto mais compartilhamos, mais ganhamos, mais crescemos.


Confira outras histórias que inspiram:

 



Tags: Cidades Sustentáveis , Responsabilidade Social , Vida e Saúde
Voltar

Ver Comentários (0)  imprimir  indicar
Comentar
Você pode adicionar um comentário, em formato de texto simples, preenchendo o formulário abaixo.
Nome
(Required)
(Required)
(Required)
Enter the word
*A mensagem que estou enviando acima não é um spam




EcoDesenvolvimento é um conjunto de práticas que estimula o desenvolvimento global, reforçando a atenção a questões ambientais, sociais, econômicas, culturais, de gestão participativa e ética...
(Leia mais)


CONTEÚDO
 
Canais Especiais
     
 
UTILITÁRIOS
 
 
 
PARCEIROS
 
 
 
INSTITUCIONAL
 
 
 
unibanco suzano
Etiqueta

O Portal EcoD é um projeto do Instituto EcoDesenvolvimento
Direitos Autorais - Condições de uso do conteúdo
SEJA PARCEIRO DO ECOD