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A exploração não sustentável da caatinga traz consequências para o meio ambiente/Foto: Stock
O bioma Caatinga vem sofrendo fortes alterações ambientais devido às atividades antrópicas, como a agropecuária e o extrativismo madeireiro. A degradação ocasionada pelas práticas inadequadas de exploração dos seus recursos naturais tem provocado resultados negativos sobre a biodiversidade em geral da Caatinga. A remoção da vegetação, com o desmatamento e as queimadas, altera drasticamente os ambientes originais, resultando no aumento da erosão e redução da fertilidade dos solos, o que, com o tempo, pode torná-los improdutivos. A perda do habitat natural também contribui para o desaparecimento de animais silvestres.
Para tentar manter um equilíbrio e contribuir com a conservação da biodiversidade e do bioma, sistemas de produção agropecuários foram desenvolvidos para tornar essa exploração antrópica sustentável, de modo a desenvolver uma relação saudável entre o homem e o meio ambiente.
Os sistemas agrossilvipastoris são alternativas ecologicamente sustentáveis para o semiárido, uma vez que promovem a integração dos componentes agrícola, animal e florestal. Esta integração garante a preservação de espécies vegetais arbóreas do bioma, mantém ativa a circulação de nutrientes e o aporte significativo de material orgânico, controlando assim a erosão e melhorando a fertilidade do solo, deixando-o sempre pronto para um novo plantio. A preservação das matas ciliares dentro dos sistemas produtivos, conforme preconiza a legislação, também é fator importante para a manutenção da biodiversidade da fauna local.
O principal fator a contribuir para o equilíbrio ambiental de um ecossistema é a biodiversidade, promovida pela presença de diferentes espécies vegetais e animais, que exploram nichos diversificados dentro da área e mantém o bom funcionamento dos mesmos. As diferentes espécies estão interligadas por mecanismos naturais com importantes funções ambientais, como a proteção dos solos e das bacias hidrográficas contra a erosão; o controle de pragas; a ciclagem de nutrientes; a manutenção de recursos genéticos, entre outras.
Dessa forma, uma estratégia para a sustentabilidade agrícola é a restauração da biodiversidade do agroecossistema, uma vez que a mesma realiza serviços ecológicos essenciais, permitindo que estes sistemas sejam capazes de manter a fertilidade do solo, a proteção das culturas e a produtividade. A conservação da diversidade biológica, somada ao uso racional dos recursos naturais, irão permitir que tanto a agricultura quanto a pecuária se desenvolvam de maneira sustentável, e que o homem passe de degradador para protetor do meio ambiente.
Mônica Matoso é pesquisadora da Embrapa Caprino e Ovinos
Valdívia Maria Aragão Silva é aluna do curso de Biologia da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA)
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