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Vera Patury é internacionalmente conhecida por tornar belo o grito a favor do meio ambiente/Foto: Divulgação
Uma estrada foi o motivo para que Vera Patury começasse a se preocupar com as causas ambientais. Tudo começou quando ela viu o encantamento de belas áreas de Mata Atlântica em Porto Seguro, Bahia, ser substituído pelas obras da BR101. Junto com a estrada vieram grandes impactos ambientais na área, um progresso inconsciente e surgiu nela uma vontade urgente de tornar mais claro o que já era óbvio: era preciso fazer alguma coisa diante daquela abrupta mudança de cenário.
A melhor opção para a artista plástica, arquiteta e ambientalista baiana foi a arte. Com esta ferramenta, Vera Patury tem aberto os olhos do mundo, com suas telas, objetos e instalações representativas que se baseiam na natureza e na beleza da Mata Atlântica. Vera tem jogado brilho na beleza do meio ambiente, contrastando os problemas e dando cores ao que ela chama de arte de desenvolvimento do sentido.
Seu trabalho que mistura técnicas indígenas com arte contemporânea ganhou força quando, em uma exposição na Itália, Vera viu que era possível reconstruir de forma artística, a Mata Atlântica que tanto lhe chamou a atenção quando morava no Brasil. A beleza das matas poderia surgir da pureza das mãos de crianças, que seguiriam a intuição pessoal, criatividade e a voz experiente de Vera. As instalações, como são chamadas as obras têxteis, ganharam espaço e resultaram num braço da arte de Vera: as oficinas feitas em grupo.
Nesta ocasião, outro aspecto semelhante às características da Mata Atlântica foi levantado pela exposição: a capacidade de abrigar plantas estrangeiras, neste caso, pessoas de diferentes culturas. “A Mata é um exemplo de que nós podemos conviver em harmonia com as mais diversas culturas, com pessoas de lugares diferentes” constata a artista.

As obras ficam expostas em Salvador, BA, até o dia 22 do próximo mês
Desde a época, Vera Patury conseguiu reconhecimento de suas obras e tornou belo o grito de alerta para as causas ambientais. “Sem o amor à natureza o ambientalista não terá força suficiente para lutar por ela”, disse a artista, que ainda disseminou o seu aprendizado com a equipe do Museu de Arte da Bahia que abraça a exposição Mata Atlântica: Paisagens. A recepção das crianças, jovens e adultos que participaram das oficinas de arte foi tão boa que mesmo sem a presença da artista, Salvador continuará com as esculturas, objetos e telas até o dia 22 de novembro. A artista desenvolveu peças especiais para a exposição na capital baiana, que conta também com os trabalhos populares desenvolvidos nos workshops.
Quando perguntada sobre as amarradas de sua outra paixão, a arquitetura, Vera diz que são as artes plásticas que possibilitam uma criação mais pessoal, livre do controle das obras. A libertação surge do aspecto positivo da natureza: “Um dos pontos que prejudicaram o ser humano foi o seu afastamento da natureza, por isso me inspiro na beleza e não na destruição do meio ambiente” acredita a artista.
O olhar que já está acostumado a ver tanta destruição se espanta com a beleza das peças de Vera que só retratam o que já era belo por si só. “O meu desejo é utilizar as peças para fazer um resgate do amor à terra, do amor ao meio ambiente, quero resgatar o convívio pacífico com a natureza” completa. Vera Patury acredita que sua obra é capaz de despertar determinados sentidos, o principal é o afeto: “Eu acho que o que eu faço chama-se ecologia afetiva"; e nem a natureza há de duvidar disso.
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