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O Espanha acredita que é o ferro quem diz qual peça ele deve produzir/ Fotos: Site pessoal
Localizada na Rua Alegria do Castro Neves, uma casa chama atenção. Não possui pessoas sentadas na calçada conversando, nem crianças, ou um morador antigo e contador de histórias como a maioria das casas de Salvador, na Bahia. O que diferencia a casa branca, localizada entre mais uma ladeira do bairro de Brotas e uma estofaria é a sua decoração peculiar. O colorido dos artigos presos na parede de fora da casa dá o tom alegre e irreverente. Espelhos com frases de sabedoria popular, obras de arte e peças decorativas de forma incomum chamam a atenção de quem passa. A residência é exceção numa rua onde os tons pastéis e a discrição, tomam conta da decoração das casas.
O EcoD foi conversar com o dono da casa e das obras de arte, o espanhol Silvestre Garcia. Artista plástico há mais de 30 anos, O Espanha, como é conhecido por todos, possui mais de 500 peças, as que não estão expostas na parte de fora de sua casa estão guardadas nas oficinas na parte interior. As obras que chamam atenção são feitas de ferros reaproveitados, que ele recebe dos amigos ou que colhe nos restos de materiais do seu outro trabalho na prefeitura, onde planeja passarelas.
Mesas, quadros, animais todos montados a partir de ferro recolhido no bairro e em partes da cidade. O Espanha ganha ou acha um pedaço de ferro da rua, leva para casa, analisa e vê o que ele poderia se tornar. “É o ferro que me diz o que eu devo fazer” comenta o artista. Dentro de sua casa ainda estão expostas outras peças menores, como quadros montados com azulejos, bancos de design inovador, mesas e ferros retorcidos que possuem significado e muito de como Espanha vê o mundo e a cidade onde vive.

Visão externa da casa: um mundo feito a partir do ferro
Dar uma vida nova a algo esquecido. Esta é a característica principal do trabalho do espanhol que escolheu o Brasil como sua nova casa. Quem se espanta com a decoração peculiar das paredes externas, não sabe o mundo que o artista esconde por dentro da sua casa. Pedaços de azulejos velhos se unem em quadros que estampam o caminho até o seu atelier onde podemos encontrar mais ferro e mais peças. E não foi tão complicado ter acesso àquela área, O Espanha é amigo dos vizinhos e tem uma ótima relação com eles, tanto que até já produziu peças que estampam as portas da vizinhança.
Na parede, ele ainda produziu uma placa em homenagem a rua. “Não há quem não pare, olhe, admire e ache diferente” analisa o artista, “algumas pessoas até já pararam para fazer a barba no espelho preso na parede”. Rosângela Silveira, moradora do bairro de Brotas há nove anos, viu o crescimento da decoração da parede externa da casa ao longo de todo esse tempo. “É muito bom ver arte nos lugares mais improváveis”, comenta. Mas há quem não goste das formas excêntricas e aparentemente comuns de se fazer “Isso até meu filho faz” disse uma moradora da rua, “gosto apenas do espelho com a frase bíblica” completou. O material exposto é tão incomum que já gerou casos engraçados. O Espanha conta que por diversas vezes pessoas já bateram à sua porta para fazer consultas pensando ser sua casa um terreiro de candomblé ou um centro espírita.
O Espanha possui peças expostas em Salvador, e já teve uma sereia de ferro, peça que para ele é “a sereia mais bonita da Bahia”, embelezando o Dique do Tororó, cartão postal da cidade. Apesar do reconhecimento, ele não quer transformar isso numa profissão. Continua trabalhando na prefeitura enquanto encanta os moradores do bairro com seu hobby: fazer uma arte cheia de reaproveitamento, cores, formas e pureza.
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