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“É hora do plano B”

Postado em Economia e Política em 02/10/2009 às 16h00
por Redação EcoD Comentários (1) RSS
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Brown: “Adiar a ação só vai aumentar os danos. É hora do plano B”

"Quando os líderes políticos viram a necessidade de cortar as emissões de dióxido de carbono para frear o aquecimento global, eles se perguntaram: Quanto desse corte é politicamente viável? No Earth Policy Institute (EPI) nós fizemos uma pergunta diferente: Quanto corte é necessário para evitar os efeitos mais perigosos das mudanças climáticas?"

O dono desta frase e autor do Plano B é Lester Brown. Ele é fundador do Worldwatch Institute, presidente do Earth Policy Institute, um renomeado um instituto de pesquisa privado, sem fins lucrativos, destinado à análise das questões ambientais globais e é considerado um dos mais influentes pensadores da atualidade.

Em 2003, Brown e outros membros do EPI publicaram o primeiro livro da série “Plan B”, que trazia uma nova forma de planejar e gerir o planeta de forma a torná-lo habitável por muitos anos. Entre as propostas mais polemicas defendida nos livros, está a de reduzir as emissões de CO2 em 80% até 2020 e, com isso, manter os níveis de gás carbônico da atmosfera em menos de 400 ppm (o número atual já é de 384 ppm).

plano-b-2.jpgSegundo os autores, a missão é possível, mas para que aconteça será necessária uma mobilização mundial em uma "velocidade de guerra". O primeiro passo será investir em eficiência energética para garantir que a demanda crescente de energia será assegurada. Depois, será feita a substituição dos combustíveis fósseis por fontes renováveis - cortando 1/3 das emissões de carbono.

Outros 14% viriam da reestruturação do sistema de transporte e da redução do uso de combustível e carvão nas indústrias. O fim do desflorestamento seria responsável por mais 16% de redução dos níveis e de CO2. Por fim, a plantação de árvore e o manejo de solo fazendo com que ele sequestre carbono poderá absorver 17% das emissões atuais.

"Nenhuma dessas iniciativas depende de novas tecnologias. Nós já sabemos o que precisa ser feito para reduzir as emissões de CO2 em 80% até 2020. Só precisamos de lideranças”, afirmou Brown.

Planos B 4.0

Depois de três livros reconhecidos e premiados em todo o mundo, a EPI acaba de lançar a quarta edição trazendo um alerta para a capacidade mundial de produção de alimentos e de como esse pode ser o único meio capaz de mobilizar as lideranças a tomarem medidas contra os problemas que afetam o planeta.

“Em 2008, a Arábia Saudita anunciou que depois de ser auto-suficiente em trigo por 20 anos, seu aquifero, incapaz de ser substituído e responsável pelo bombeamento de água para a irrigação das plantações, estava quase esgotado”, escreveu Brown. “Como resposta, os governantes disseram que iriam reduzir a produção de trigo em 1/8 todos os anos, até cessar totalmente em 2016”, completa. Depois dessa medida, os sauditas planejaram utilizar sua riqueza petrolífera para importar grãos para sua população de quase 30 milhões de pessoas.plano-b-1.jpg

Segundo o autor, nenhum outro país é tão carente de irrigação quanto a Arábia Saudita. E o problema não seria tão grande se esse fosse um caso isolado em todo o mundo. O alerta, porém, é por conta de outros gigantes, como a Índia e a China, que também estão enfrentando sérios problemas com reservas de água e podem encarar grandes perdas na produção de alimentos. Isso significa que 175 milhões de indianos e 130 milhões de chineses estão se alimentando com grãos produzidos em áreas que estão prestes a secar.

"A triplicação dos preços mundiais do trigo, arroz e milho, entre meados de 2006 e meados de 2008 sinalizou a nossa crescente vulnerabilidade à escassez de alimentos", diz Brown. "E baixar os preços de grãos levou à pior crise econômica desde a Grande Depressão", afirma. Além da economia, diversos outros fatores agravam drasticamente a produção agrícola no mundo. “Cada tendência ambiental, desde a mudança climática até o desmatamento e a escassez de água, afeta abastecimento de alimentos”, diz o livro.

O Plano B ainda aponta que o número de pessoas com fome no mundo, que se manteve em declínio durante várias décadas, esteve no fundo do poço em meados dos anos 90, com 825 milhões de pessoas sem acesso à comida. Em seguida, subiu para 915 milhões em 2008 e saltou para mais de 1 bilhão em 2009.

Com tudo isso, a civilização do século 21 começa a mostrar sinais de estresse. A causa seria o fato de existirem vários países competindo não apenas pelos alimentos, já escassos, mas também por terra e água para produzi-lo. A tendência, segundo o autor, é chegarmos a um ponto crítico, como aconteceu com civilizações como os sumérios e os maias.

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A solução, segundo Brown, pode estar em uma nova forma de administrar o planeta. "Podemos avançar para um caminho econômico que seja ambientalmente sustentável? Nós achamos que podemos. É sobre isso que se trata o Plano B 4.0”, defende.

Para isso, o projeto prevê medidas capazes de estabilizar o clima e o crescimento da população mundial, erradicar a pobreza e restabelecer o sistema natural de apoio da economia. O plano pretende ainda cortar as emissões de carbono através de uma revolução verde que irá impactar em todas as áreas que conhecemos – desde a forma como iluminamos nossas casas, passando pela forma como geramos energia, até os meios de transporte.

“É um momento de decisão”, afirma Brown. "Assim como as civilizações anteriores, que também tiveram problemas ambientais, nós temos que fazer uma escolha. Podemos continuar com o negócio da forma como estão e assistir ao declínio da nossa economia e da nossa civilização, ou podemos adotar o Plano B e ser a geração que se mobilizou para salvar a humanidade. Nossa geração tomará a decisão, mas ela irá afetar a vida na Terra para todas as gerações que ainda virão", conclui.

Confira os outros volumes da série:

Plano B: Resgatando um Planeta sob Stress e uma Civilização em Apuros

Classificado como um dos dez melhores livros de 2003 pela Globalist e vencedor do prêmio de melhor livro pela Biblioteca Nacional Wen-Jin (edição chinesa), o Plano B apela para uma mobilização mundial para estabilizar a população e clima antes da situação sair do controle. Para isso, o livro fornece um plano capaz de sustentar o progresso econômico mundial.

Plano B 2.0: Resgatando um Planeta sob Stress e uma Civilização em Apuros

O livro é uma expansão e atualização do best-seller Plano B. Aqui, ele traça um plano, um orçamento e um calendário para resgatar a civilização do século 21. O plano inclui a erradicação da pobreza e estabilização da população, proteção e recuperação de solos, florestas, pastagens, agricultura e pescas e conservação da diversidade biológica do planeta.

Plano B 3.0: Mobilizando para salvar uma Civilização

Nesta edição revisada, Brown descreve uma estratégia de sobrevivência para a civilização do século 21. No livro, é possível descobrir como a escala e a complexidade das questões que o mundo enfrenta não têm precedentes. Brown apresenta um plano ambicioso que inclui o corte de emissões de carbono em 80% até 2020 - tarefa realizável com as tecnologias existentes, garante o autor. “A escolha é sua e minha.”

Faça o download do quarto exemplar da série na Biblioteca EcoD
 

Tags: Biodiversidade , Economia e Política , Empreendedorismo , Mudanças Climáticas , Responsabilidade Social
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LIVRO: PLANO B 4,0

Comentado por CARMEM DALLA PRIA em 25/11/2009 21:38

Sou Diretora da empresa Oxclean Soluções Ambientais - tratamento de água com ozônio e tenho não só propagado meu produto por motivos financeiros, mas buscando a conscientização de cada cliente em fazer a sua parte e proteger o planeta do uso de quimicos, pensando, na saude das pessoas e nos rios e sua fauna etc. Este livro me encanta e me move a lutar e fazer parte não só de uma empresa com missão verde, mas afiliar minha empresa na luta a favor da proteção da Espécie como comentou o autor na entrevista à Rede Cultura falando que o planeta não é mais o ponto, mas sim a preservação do ser humano. Ou mudamos ou mudamos!
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