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Depois de quase extintas, as baleias jubarte começam a se recuperar/Foto: IBJ
As ações humanas em todos os cantos do mundo têm causado consequências graves para a biodiversidade. Entre os animais mais impactados estão os das espécies marinhas, como as baleias jubarte. Apesar do tamanho imponente, esses gigantes do mar quase sucumbiram à degradação causada pelos homens e iniciativas tentam, a todo o custo, preservar o que restou da espécie.
Cada baleia da espécie costuma medir entre 15 e 17 metros e pesa cerca de 40 toneladas. Por possuir gordura e proteína em grande quantidade, esse animal foi alvo de grandes caçadas desde o século 19, quando sua população foi devastada para que se produzissem óleo, cordas e produtos diversos.
Desde então, a quantidade de baleias jubarte em todo o mundo foi reduzida drasticamente. Segundo o Instituto Baleia Jubarte, até 95% da população original pode ter sido abatida durante o período da caça comercial. Somente no hemisfério sul, 200 mil baleias foram capturadas até que a lei que proíbe sua caça fosse instituída, em 1987.
Apesar da matança, as baleias continuam frequentando o litoral brasileiro. Do Rio Grande do Sul ao Piauí, incluindo o arquipélago de Fernando de Noronha e o Atol das Rocas, as praias do Brasil são o destino dos animais que querem aproveitar as águas quentes para dar a luz aos seus filhotes.
Sedes do Instituto Baleia Jubarte no Brasil
A maior concentração de baleias ocorre no Banco dos Abrolhos, sendo esta a principal área de reprodução da espécie no Atlântico Sul Ocidental. Nos últimos anos, as avistagens de baleias jubarte no litoral norte da Bahia, incluindo a região metropolitana de Salvador, passaram a aumentar significativamente, colocando a Bahia e o Espírito Santo como maiores concentradores desses animais no Brasil.
Progressos a passos lentos
Devido à proibição da caça comercial, em vigor em muitos países desde 1949 (quando uma comissão internacional foi criada para impedir a extinção da espécie e uma moratória foi instituída para quem descumprisse a regra), o número de animais segue crescendo.
Alguns biólogos acreditam que desde a década de 1960 os oceanos ganharam cerca de 40 mil animais adultos e 15 mil jovens. O número de baleias jubartes no hemisfério sul também cresceu e pode ter dobrado desde 1997. Hoje o Brasil abriga oito mil baleias jubartes e a estimativa é de que existam 60 mil em todo o mundo.
Com isso, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) reviu a classificação desses animais como “vulneráveis” para “menos preocupantes” em sua lista de animais em extinção.
O Instituto Baleia Jubarte existe desde 1988 e já é referência mundial de proteção à espécie/Foto: IBJ
Novos desafios
Mas não é por isso que o trabalho de preservação dessa espécie diminui. Segundo a diretora do Instituto Baleia Jubarte (IBJ), Márcia Engel, apesar de estarem em processo de recuperação, ainda existem muitos desafios a serem vencidos até que seja possível assegurar a sobrevivência das baleias.
“Hoje o maior desafio é impedir o retorno da caça comercial. O Japão anunciou que vai retornar a capturar jubartes. Além disso, todas as questões macro relacionadas aos problemas dos oceanos podem afetar as baleias. O aumento da temperatura dos oceanos, a diminuição da ocorrência do cril e o tráfego de embarcações são algumas das ameaças que ocorrem ao mesmo tempo e colocam as baleias em risco”, afirmou.
Uma das instituições mais respeitadas quando o assunto é a conservação de baleias jubartes, o IBJ já conseguiu resultados expressivos na batalha pela preservação da espécie.
Trabalhando em diversas linhas de pesquisa e buscando mobilizar a sociedade e os poderes públicos desde 1988, o instituto conseguiu estabelecer rotas de navegação de menos riscos para as baleias, mapear as atividades dos animais, fazer parcerias com pescadores e comunidades, entre outras atividades.
Apoiada por grandes organizações, como a Petrobrás, o projeto tem o objetivo de conservar as baleias jubarte e outros cetáceos do Brasil e preservar o patrimônio natural para os cidadãos de hoje e das futuras gerações.
As baleias jubarte podem ser identificadas por características únicas em suas nadadeiras/Foto: Rui Freitas Rego
Preservação global
Tendo o ambiente marinho como uma das suas diretrizes de responsabilidade social, a Petrobrás apoia ainda outras ONGs de proteção a espécies como a tartaruga marinha, o peixe-boi marinho e os recifes de coral. “Nós extraímos 95% de nossas riquezas no mar. É natural que a gente devolvesse esse cuidado”, afirma o Gestor de Programas Ambientais da Petrobras, Carlos Torres.
Para Torres, a importância dessas iniciativas não se limita à preservação das espécies bandeiras de cada projeto. “Ao incentivar a proteção dessas espécies, nós queremos também servir como espelho para outras ONGs, não apenas pela conservação, mas também pela própria organização institucional”, diz.
Para Engel, essa relação entre a preservação das espécies vai além. “Tudo está interligado. Quando a gente fala na conservação de um animal não estamos promovendo a conservação dele sozinho, mas de todo o ambiente em que ele está. Dessa forma, quando preservamos as baleias, estamos preservando também o maior banco de corais do Brasil, espécies de peixes importantes e que só existem ali, crustáceos, camarões, lagostas etc”, afirma.
São esses esforços que estão garantindo que pessoas como o fotográfico marinho Enrico Marcovaldi continue se inspirando nesses gigantes do mar. “Conseguir captar os grandes momentos das baleias jubarte nas profundezas é fantástico. Realmente, isso é muito emocionante”.
Para conferir um pouco dessa emoção, assista ao vídeo abaixo feito por um cinegrafista amador ao encontrar duas baleias adultas bem próximas ao seu barco. E para saber mais sobre o Instituto Baleia Jubarte, confira na nossa área do Programa Arte Social a Edição 6, feita exclusivamente sobre o projeto.
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