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A rua foi fechada para os carros em 1972/Foto: Mathieu Struck
Em 1972, um prefeito teve a coragem de banir qualquer tipo de carro de uma movimentada rua no centro de Curitiba e torná-la exclusiva para pedestres. Foi a primeira vez que esse tipo de ação acontecia no Brasil, o que causou revolta em muitos moradores e comerciantes locais. Décadas depois, a Rua XV de Novembro, mais conhecida como Rua das Flores, se tornou um exemplo de urbanismo voltado para as pessoas, fato documentado no vídeo da StreetFilms.
A iniciativa partiu de Jaime Lerner, o então prefeito da cidade. "Nós precisamos de lugares onde possamos nos encontrar, um lugar agradável. No meio desse caos de carros, precisamos de um lugar para as pessoas”, afirma no vídeo. Lerner também foi o responsável pela implantação da Rede Integrada de Transporte (RIT), que já serviu de inspiração para sistemas semelhantes implantados em lugares como Bogotá, Santiago do Chile, Los Angeles, Panamá, Guatemala e Cidade do México.
No vídeo (com trechos em português e em inglês), o ex-prefeito conta como aconteceu a migração. “O problema era as pessoas que eram contra, os comerciantes que eram contra, nós mostramos os projetos, mas vimos que não tinha jeito, se queríamos fazer, tinha que ser imediatamente. Então eu liguei para meu secretário e perguntei quanto tempo tínhamos para retirarmos todos os carros das ruas. Ele falou cinco meses, eu respondi: ‘eu preciso disso para 48 horas’, ele disse: ‘você é louco’. No final, concordamos com 72 horas. Começamos na sexta-feira à noite e terminamos na segunda-feira à noite”.
Mudanças para melhor
Apesar da revolta de alguns, logo a mudança foi aceita e o projeto se estendeu por mais 15 blocos. “O que aconteceu em Curitiba é que éramos um grupo de profissionais e tínhamos a coragem de começar e quando começamos nós vimos que aquilo poderia ficar cada vez melhor e que uma solução faria uma sinergia para outra solução”, conta.
Quanto à velocidade do processo, Lerner se defende: “às vezes nós temos que trabalhar rápido. Por quê? Primeiro para evitar uma burocracia errada, segundo para evitar problemas políticos (...) e terceiro para evitar uma falsa insegurança”.

"No meio desse caos de carros, precisamos de um lugar para as pessoas”
Hoje, a grande via pública exclusiva para pedestres é um ponto turístico da cidade. Cenário de edifícios e sobrados centenários, bares turísticos, lojas e canteiros de flores, a Rua XV de Novembro ainda é palco de artistas de rua, como palhaços que interagem com os passantes, músicos e homens-estátua.
Confira o vídeo:
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