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Trem na Índia contabilizava tantas pessoas no teto dos vagões quanto nos assentos/Fotos: Divulgação
Quem ler as reportagens que o jornalista americano Carl Hoffman publica em revistas como National Geographic Traveler, Wired e Popular Mechanics está habituado com as maiores novidades tecnológicas, inovações sobre transportes e veículos futuristas.
Essas pessoas vão se surpreender ao ler o livro recém-lançado de Hoffman: o Lunatic Express (“Expresso Lunático”, em tradução livre). Quem espera designers futuristas, combustíveis alternativos ou motores elétricos vai se decepcionar. A obra narra uma jornada do autor pelos quatro cantos do mundo utilizando os meios de transporte mais perigosos e decrépitos encontrados pelo caminho.
No livro, Hoffman narra histórias como a viagem que fez pelos Andes em um ônibus mais famoso pela quedas nos despenhadeiros do que pela pontualidade nas paradas. Outro trecho conta de quando ele andou em um trem na Índia que de tão superlotado, contabilizava tantas pessoas no teto dos vagões quanto nos assentos.

Péssimas condições de um ferry boat em Bangladesh
Já nas ilhas da Indonésia, Hoffman decidiu trocar um voo curto e cômodo (mas não menos inseguro) por um passeio de balsa, no mínimo, questionável. Um modelo igual ao usado pelo escritor afundou há alguns anos matando mais de mil pessoas.
Realidade à flor da pele
A ideia do livro surgiu depois de uma viagem sofrida pela República Dominicana do Congo. Na época, Hoffman já era aficionado pela história de um ônibus peruano que caiu de um despenhadeiro e causou a morte de 50 pessoas.![]()
Assim, ele decidiu dar a volta ao mundo da forma mais real possível, o que significava passar longe dos veículos modernos e confortáveis, comuns nas publicações especializadas no assunto.
“Eu pensei que seria uma aventura divertida, e mais importante que isso, seria uma janela para o mundo real - como ele é, e não como queremos que ele seja”, diz.
Assim, o Lunatic Express (sem tradução ainda para português) traz detalhes da rotina de pessoas que não têm opção, a não ser conviverem diariamente com as situações mais perigosas e desconfortáveis possíveis para irem de um local a outro.
“Eu tenho viajado por todo o mundo, da América do Sul à América Central, do Sudão até a Ásia, e em todos os lugares que fui eu notei que há uma grande quantidade de pessoas se deslocando. Eles são colocados em minivans e abarrotados em ônibus e nos telhados dos comboios. E não são poucas, mas milhões de pessoas”, diz o jornalista.
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Minivan superlotada em Bamako, Mali
Hoffman fundamenta seu alerta em fatos como os encontrados em Bangladesh, onde todos os anos cerca de mil pessoas morrem em decorrência de acidentes com os ferryboats da região.
“E não se trata apenas do risco. É perigo, calor, poluição sonora, é não saber quando um transporte vai sair exatamente ou quando ele vai chegar ou se vai chegar e se vai ser disponível para todos. Essas são coisas que as pessoas estão sujeitas todos os dias, em todo o mundo”, revela.
O jornalista, que passou 159 dias viajando ao redor do mundo para escrever o livro, conclui alertando a todos para que prestem mais atenção na realidade dos sistemas de transporte, especialmente nas regiões mais pobres do planeta. “Nossos problemas de transporte são insignificantes quando comparados ao resto do mundo. Não há dúvida sobre isso", garante.
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