| O que você espera da Rio+20? | |
De micro-programa de rádio universitária a um compilado de mídias (internet, televisão e rádio) o Canta Cantos cresceu nesses cinco anos de vida. Com a ideia de "fazer geografia de forma alternativa", a pílula (como era chamada cada edição do programa radiofônico) virou projeto e hoje faz parte do programa de divulgação científica do curso de Geografia da Universidade Federal de Minas Gerais.
O responsável por tudo isso, Lucas Mello, conversou com o EcoD e explicou como é que o pessoal do Canta Cantos se diverte estudando geografia.
Portal EcoDesenvolvimento.org - O que é o Canta Cantos?
Lucas Mello - O Canta Cantos é hoje um projeto de divulgação científica de Geografia. Mas há cinco anos, ele era apenas um micro-programa da rádio universitária Geografia da UFMG Educativa (ou 104.5 FM).
A transformação de micro-programa de rádio em projeto se deu com o desenvolvimento das atividades de divulgação científica na UFMG (vale a pena conhecer também os projetos Na Onda da Vida e Universidade das Crianças, do núcleo de biologia e o pontociencia do núcleo de química), que passaram, em 2006, a dispor de um espaço próprio no Centro de Comunicação desta universidade, o Núcleo de Divulgação Científica (NDC).
Assim, aproveitando a nova infraestrutura, a "pílula" (como chamamos o programinha) ganhou a companhia de uma programa de rádio de uma hora de duração, o Canta Cantos Especial; um blog; videoclipes paradidáticos; histórias em quadrinhos e muito mais.
Portanto, pode-se dizer que o Canta Cantos funciona atualmente como um projeto do tipo "guarda-chuva", isto é, preparado para abrigar e orientar novas propostas de divulgação científica em Geografia.
Quais atividades desenvolvidas pelo projeto?
O grande objetivo do Canta Cantos é divulgar formas alternativas de se fazer Geografia. Uma diretriz que permanece desde os tempos da "pílula" e que funciona como um elo que dá unidade para as diversas atividades de divulgação que promovemos hoje em dia.
Cada uma possui objetivos específicos que às vezes se parecem, às vezes se distinguem. Por exemplo, na "pílula" o trabalho com as músicas somado às provocações que fazemos na locução buscam colocar o ouvinte e os pesquisadores mais pertos uns dos outros; por outro lado, no Blog a idéia é disponibilizar todo o material que produzimos em outras mídias para facilitar o seu acesso e ainda ser um canal aberto de sugestão e críticas.
Isto é, cada atividade tem os seus objetivos próprios, mas todas seguem a ideia de que podemos fazer geografia de outras maneiras.
Como e quando o projeto surgiu?
O micro-programa de rádio Canta Cantos surgiu em meados de 2004, do meio para o final da minha graduação em Geografia na UFMG. Na época, confuso em relação ao próprio curso, entrei em contato com Elias Santos, coordenador executivo da UFMG Educativa, para tentar fazer um programa de música nordestina na nova emissora.
Porém, a rádio ainda não estava "no ar" (de fato, a inauguração da rádio ocorreu em 6/9/2005) e sua coordenação estava mais preocupada com as questões burocráticas do que com a programação. Foi aí que o Elias me pediu que eu aproveitasse o tempo de preparação da rádio para pensar em um programa que envolvesse o que eu queria, a música, e o que eu fazia dentro da universidade, a Geografia.
Sem saber, ele acabou resolvendo o meu problema com o curso e, consequentemente, com minha vida profissional.
Hoje o projeto conta com a participação de muita gente. Como foi a construção desse pessoal?
Inicialmente eu fazia o trabalho todo sozinho - evidentemente, sem contar com o apoio da UFMG Educativa. Ou seja, as pesquisas bibliográficas e musicais das pílulas; a produção, entrevista e pré-edição dos especiais; e a primeira versão do blog foram feitas por mim.
Só mais tarde, a partir de 2007, que passei a contar com a ajuda esporádica de estagiários e/ou colaboradores. Na virada de 2009, após o 2º Encontro Nacional de Rádio & Ciência, a professora Márcia Lousada (IGC/UFMG) passou a ser uma grande parceira, tanto no rádio, quanto no NDC e até na sala de aula (juntos ofertamos uma disciplina optativa para os cursos de Geografia e Turismo).
Ainda em 2009, o geógrafo-quadrinhista Evandro Alves também se tornou um colaborador muito presente, assim como os estagiários "provocantes" do Programa de Iniciação Científica Júnior (Provoc) da UFMG.
Agora em 2010, o doutorando e professor Venilson Luciano (IFMG/Ouro Preto) tem começado à escrever sobre Geografia e Futebol no Blog. Aos poucos o projeto vai crescendo!
Quem são as pessoas que visitam o blog do Canta Cantos ou que ouvem as rádios?
É difícil dizer exatamente quem é o nosso público, até porque usamos veículos de comunicação muito diferentes, cada um com o seu poder de penetração.
Sabemos que a UFMG Educativa pode transmitir para toda a Região Metropolitana de Belo Horizonte, mas esbarramos na pouca potência do transmissor e no relevo ondulado do próprio sítio urbano. Na internet, temos mais noção por causa dos monitores de visitação que usamos. Só para se ter uma idéia, o Blog atingiu a marca de 100 mil visualizações logo após completar 1 ano de vida. Usuários de 222 cidades brasileiras acessam nossas páginas, bem como usuários estrangeiros de 40 países diferentes.

Do mais forte ao mais claro, cada círculo representa as visualizações do blog do Canta Cantos pelo Brasil/Ilustração: Canta Cantos
E todos eles podem participar do projeto interagindo com a nossa equipe, fazendo sugestões e críticas para que possamos melhorar o nosso trabalho. Quanto mais e-mails e comentários recebemos mais animados nós ficamos!
Qual o principal objetivo do Canta Cantos agora?
Nosso grande objetivo ainda é a divulgação de formas alternativas de se fazer Geografia. Mantê-lo como tal é fundamental por dois motivos, para que o projeto continue dando frutos e também para continuar nos orientando.
Prezamos muito nossa criatividade para poder geografar de jeitos diferentes. Portanto, não dá para se ater a uma lista muito grande de critérios. A última coisa que queremos é engessar o projeto! Entretanto, romper com essa única diretriz é praticamente o mesmo que navegar sem instrumentos. É ela quem diz para onde vamos.
Veja também:
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Portal EcoD é um projeto do Instituto EcoDesenvolvimento
Direitos Autorais - Condições de uso do conteúdo
SEJA PARCEIRO DO ECOD