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Programa “Água das Florestas” convoca a sociedade para cuidar da água
Postado em Água em 22/04/2010 às 10h55
por Redação EcoD
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foto: reda��o ecod
Jequitibá centenário às margens do rio Tietê, próximo a cidade de Itu (SP), revela a importância da preservação

A região da Grande São Paulo, incluindo cidades do entorno como Jundiaí, Itu, Campinas, é considerada pelas Nações Unidas uma eminente área de conflito no Brasil por falta de água, sendo comparada ao sertão nordestino. Quem reforça este alerta é Malu Ribeiro, gestora ambiental da Fundação SOS Mata Atlântica, ao explicar que o problema não é por escassez do recurso, mas sim pela quantidade de habitantes e a disponibilidade de água limpa nos rios e efluentes da região. “Cada gota é disputada por todos, indústrias e cidadãos”, conta Malu.

Diante do problema, e por também estar inserida no município de Jundiaí, a empresa Coca-Cola por meio de seu instituto decidiu, então em 2007, desenvolver o programa Água das Florestas Tropicais Brasileiras, junto a SOS Mata Atlântica. O objetivo do projeto é de recuperar e proteger mananciais de água através da recomposição florestal de margens de rios e lagos.

A primeira fase do programa é em São Paulo, na bacia do Ribeirão Piraí que abastece os municípios de Indaiatuba, Salto, Itu, Cabreúva, Itupeva e Jundiaí, mobilizando a sociedade a preservar e criar áreas de plantio de espécies nativas da Mata Atlântica.

De acordo com a equipe que coordena o projeto, a mata preservada mantém a qualidade da água e da biodiversidade, recompondo o ecossistema local. “Em uma área devastada dá para sentir na pele como o clima muda, e propicia uma série de problemas com o solo, plantas e animais. Se você tira a mata, tira também a vida daquela região”, explica Malu Ribeiro.

foto: reda��o ecod
Vinícius Madazio e Malu Ribeiro mostram uma área em que a floresta foi devastada e está sendo feito o trabalho de replantio

Trabalho em conjunto com a sociedade

O programa Água das Florestas funciona com a participação direta da comunidade e produtores rurais. As áreas de plantio são feitas dentro das propriedades ao longo dos rios, sendo firmada uma parceria de 30 anos que prevê a garantia de que as florestas fiquem de pé e a manutenção dos mananciais de água. Porém, um dos primeiros passos, é mudar a consciência da sociedade.

Para Vinicius Madazio, geógrafo, é preciso valorizar quem mantém a floresta, pois são estas pessoas que estão investindo na preservação da qualidade da água que todos vão se beneficiar. “Antes o proprietário da terra via a mata como um ‘mato’, algo sem serventia. Ao valorizar a mata em pé, ele torna-se um produtor de água, vendo assim também outras formas de negócios, como o ecoturismo ou turismo rural, por exemplo”, completa.

O envolvimento com a comunidade vem também por meio de apoio técnico e financeiro. Quem adere ao programa, recebe a remuneração pelos serviços ambientais de acordo com o mercado de carbono, estabelecido na Convenção do Clima do Protocolo de Kyoto. Uma equipe técnica fica responsável pelo plantio e monitoramento da qualidade da água dos rios, avaliando os resultados das ações em determinada localidade.

O projeto prevê o reflorestamento com cerca 3,3 milhões de espécies nativas em uma área de 3.000 hectares em até cinco anos. O investimento estimado é de R$ 27 milhões. Hoje o Água das Florestas conta com a adesão de 17 proprietários na região de Itu, conseguindo recuperar 70 hectares de mata.

Maria Beatriz Prado, gerente da Fazenda Capoava, conta que decidiu fazer parte do projeto por concordar e acreditar na proposta da iniciativa, tendo o respaldo da SOS Mata Atlântica. “A Capoava sempre quis criar zonas de preservação, até porque é obrigação do produtor, mas no meio rural não é assim que funciona. Não existe um fiscal que vem aqui e diz o que você tem que plantar, até porque existem bilhões de forma de não se fazer. Desta maneira, através de uma parceria, é a forma ideal porque junta vários interesses em comum.”, revela.

A obrigação que Beatriz se refere é de acordo com a Reserva Legal, contida no Código Florestal Brasileiro, que determina uma área permanente de cada propriedade particular onde não é permitido o desmatamento, mas que pode ser utilizada através de uso sustentável. Malu Ribeiro conta que o trabalho de aproximação com os donos de terra é árduo e minucioso em busca de mostrar as vantagens da parceria. “Quem não cumpre a determinação da Reserva Legal está sujeito a ser enquadrado no TAC (Termo de Ajuste de Conduta), tendo que fazer sua obrigação por meio judicial”, alerta Malu.

foto: reda��o ecod
Vista da mata preservada na Fazenda Capoava

Na Capoava, já é possível perceber os primeiros benefícios do replantio com a recuperação da vida animal e a vasta mata que beira o rio que passa pela propriedade. “Aqui para nós, ganhamos também com o aumento de visitantes e o interesse de outras organizações para fazer eventos. É como um selo certificador de qualidade”, diz Ana Beatriz.

O projeto Água das Florestas recebeu o certificado de reconhecimento especial da Clinton Global Initiative (CGI) após o painel “Protecting Tropical Forests” (Protegendo Florestas Tropicais). A atuação de promover a recuperação de bacias hidrográficas através do reflorestamento de matas ciliares está em linha com os objetivos da The Coca-Cola Company que, junto com parceria com a WWF Global recupera sete das principais bacias hidrográficas do mundo, com o objetivo de tornar-se neutra no uso da água.

A Redação EcoD conheceu o projeto Água das Florestas a convite do Instituto Coca-Cola.


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Tags: Água , Biodiversidade , Empresa Sustentável , Responsabilidade Social
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Pagamento por serviços ambientais

Comentado por Rodrigo Aguiar em 20/08/2010 00:52

Sou Eng. Agronomo e também trabalho na área ambiental, porque não trabalhar o pagamento por serviços ambientais aos agricultores familiares (80% da renda originária da propriedade rural), pois só assim acabaremos com a famosa briga de gato e rato agricultura x meio ambiente.
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