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Yvo de Boer vê como prioridade a resolução de quatro pontos específicos/Foto: Paulo Filgueiras/UN
Faltam apenas dez dias para o início da 15ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre o Clima (COP-15), mas ainda sobram indefinições a respeito do encontro de Copenhague, no qual a comunidade internacional espera que seja assinado um novo acordo climático global capaz de substituir o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. Até mesmo o estabelecimento desse pacto entre os países é uma incógnita. Para o secretário-executivo da Convenção do Clima das Nações Unidas, Yvo de Boer, nem tudo estará perdido caso o documento deixe de ser elaborado na Dinamarca.
Em entrevista concedida a jornalistas na quarta-feira, 25 de novembro, em Bonn (Alemanha), Yvo de Boer afirmou que a COP-15 já será de suma importância caso consiga esclarecer, definitivamente, quatro pontos em especial:
• As metas de redução de emissões poluentes dos países desenvolvidos;
• Os compromissos dos países em desenvolvimento;
• O financiamento de ações para combater o aquecimento global nos países menos desenvolvidos;
• Clareza sobre como (e quando) será disponibilizada a verba.
Na concepção do principal diplomata da ONU sobre assuntos do clima, depois que esses tópicos ficarem claros em Copenhague, “será necessário um curto prazo para finalizar o tratado, se os países decidirem que é isso o que querem”. Segundo Yvo de Boer, ao contrário de significar um retrocesso, uma decisão como essa pode trazer algumas vantagens.
"Quem acompanhou o processo de Kyoto sabe como o protocolo demorou a entrar em vigor. Se as decisões forem adotadas assim, isso significaria ações imediatas para mitigação, adaptação, tecnologia, financiamento, capacitação e desmatamento", argumentou o holandês.
No entanto, Yvo de Boer considerou que não há um plano B para Copenhague. “Só há um plano A. E 'A' de ação.” Ele defende que o acordo não deve ser adiado para 2010, já que a maioria dos países já sinaliza com metas de redução dos gases-estufa.
Críticas
O secretário-executivo da Convenção do Clima da ONU voltou a criticar as propostas de redução das emissões de CO2 dos países desenvolvidos, ao considerá-las “insuficientes”. “Elas não bastam para manter a temperatura do planeta abaixo de 2ºC”, alegou. Yvo de Boer também condenou os governos que impõem condições aos outros para promover cortes de gases-estufa. A União Europeia, por exemplo, já adiantou que só aumentará sua meta de 20% para 30% até 2020, se os demais fizerem o mesmo.
Em relação aos países em desenvolvimento, o executivo da ONU elogiou o comprometimento recente feito pela Coreia do Sul e o Brasil, embora tenha ponderado que as nações menos industrializadas precisam detalhar mais sobre os processos que utilizarão para possibilitar a redução de seus níveis de emissões.
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