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Mekonen aponta quatro mudanças básicas para que os investimentos no setor não aumentem só o número de matrículas, mas também elevem a qualidade do ensino de todo o planeta / Foto: Sxc.hu
Em uma recente análise da Educação dentro dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, o pesquisador Yehualashet Mekonen, do African Child Policy Forum, pontuou que a adoção de metas unicamente quantitativas nos ODM relacionados ao tema é equivocada e pode produzir efeitos negativos.
Em seu artigo, publicado na última edição da Poverty In Focus, revista do CIP-CI (Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo), Yehualashet defende: “É a qualidade, não apenas a quantidade, da educação que importa”, diz o pesquisador, ressaltando a sua opnião sobre os efeitos negativos da educação de baixa qualidade entre a população pobre.
Apesar de estudar o problema apenas em países da África Subsaariana, Mekonen lança o olhar sobre uma questão que também acontece em outros lugares do mundo. No Brasil, por exemplo, a proporção de pessoas de 7 a 14 anos matriculadas no ensino fundamental passou de 81,4%, em 1992, para 94,5%, em 2005, segundo dados citados no Relatório Nacional de Acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 2007. Paralelamente, o estudo também apontou que a nota média dos estudantes no SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica), tanto na rede pública quanto na privada, caiu consideravelmente.
Equilibrando a balança
Intitulado “Uma agenda de 2015 para a África”, o artigo de Mekonen observa que várias nações africanas vão alcançar ou ficar muito próximas da meta de universalizar o ensino fundamental. Em 2005, 66% das pessoas em idade de frequentar a escola básica estavam matriculadas. No entanto, outros indicadores pioraram — o número de alunos por professor, por exemplo, aumentou. A média mundial é d 25 estudantes por docente, mas na África Subsaariana é de 43 e, em alguns casos, superior a 50, como Congo (83) e Chade (69), conforme o artigo.
“É relativamente mais fácil aumentar a matrícula nas escolas; é muito mais difícil elevar a qualidade do ensino”, comenta o pesquisador. “Muitos países da região não têm a infraestrutura básica necessária para assegurar educação de qualidade”, acrescenta. O problema é especialmente importante porque, como nota Mekonen, a educação é crucial para o crescimento econômico e a redução da pobreza.
O texto do pesquisador ainda faz outra crítica à formulação dos ODM de educação, apontando a sua restrição à educação fundamental. Esse foco, acredita Yehualashet, deixou de lado a educação secundária, negligenciando-a. “Centrar-se em metas de curto prazo, como matrículas no ensino fundamental, pode levar a negligenciar as necessidades de médio prazo de um país, como as matrículas no secundário”, diz.
O pesquisador sugere quatro mudanças no modo de se lidar com os Objetivos do Milênio e repensar os objetivos até 2015, são elas:
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