SOPA e pirataria
Por Silvio Meira
O Tempo é História
Por Valdir Cimino
Deusas: o que são, afinal?
Por Tato

O que você espera da Rio+20?
Reflexões sobre o atual estado das nações;
Debates apenas sobre meio ambiente;
Nova política pela sustentabilidade global;
Metas e prazos firmes para todos os países;
Não espero muita coisa.



Arquivos 2011
» Março
» Abril
» Maio
» Junho
» Julho
» Agosto
Arquivo
Arquivos 2008
Arquivos 2009
Arquivos 2010






EcoD Geral
Colunas
 
Diminuir Fonte Fonte Padrão Aumentar Fonte

Tennyson Pinheiro
Perspectivas da inovação social para a sustentabilidade
Por Tennyson Pinheiro

Carla Cipolla* é uma parceira de longa data da live|work no Brasil, é pesquisadora e lidera uma importante frente no país no que diz respeito a inovação social. Nesse artigo abaixo criado por ela especialmente para minha coluna no EcoD, ela detalha um pouco mais o termo inovação social e exemplifica o seu impacto na transformação da sociedade.


O termo “inovação social”, unido ao termo “sustentabilidade”, não vem definindo exclusivamente iniciativas voltadas à promoção de pessoas em desvantagem econômica e social, ainda que as considere de modo relevante. O termo inovação social é proposto também em uma perspectiva abrangente, visando desvelar todo o seu potencial na promoção de modos de vida sustentáveis: mudanças no modo como indivíduos ou comunidades atuam espontaneamente para obter um resultado (isto é, resolver um problema ou gerar uma nova oportunidade). Estas inovações são motivadas mais por mudanças de comportamento do que mudanças tecnológicas ou de mercado, e nascem de processos “bottom-up” (mais do que processos “top-down”). Se o modo de obtenção de um resultado é totalmente novo, o termo utilizado é “inovação social radical”

Pesquisas realizadas no contexto europeu (Emude, EU-FP4) no tema, individualizaram uma série de casos de inovação social para a sustentabilidade, que juntas compunham o possível cenário de um futuro sustentável, onde ações da vida cotidiana eram organizadas em novas bases: cidadãos ativos que, autonomamente, resolviam seus próprios problemas, criando soluções locais. Geravam um modelo de bem estar não baseado sobre o consumo exclusivo e individual de produtos industriais, mas um modelo denominado “ativo” e “baseado no contexto” expresso em soluções baseadas na convivialidade, regeneração do tecido social local, revalorização dos bens comuns.

Temos como exemplos o micro crédito, a autoconstrução, o “co-housing”, creches em casa, hortas comunitárias no contexto urbano, o slow food. A série de casos inclui, em algumas capitais pelo mundo, o car-sharing e o car-pooling. Muitas iniciativas também se organizaram baeadas nas novas tecnologias de comunicação e informação, internet e tecnologias móveis. Todos exemplos de uma criatividade localizada gerando soluções que, mais tarde, vieram a se consolidar como resposta para demandas dos mais diversos grupos e lugares. Casos isolados que, através de processos mais ou menos espontâneos, se aperfeiçoaram e encontraram um modo próprio de reconhecimento e difusão , tornando-se alternativas ao atual modelo de desenvolvimento, pautado por um bem estar “baseado no produto”, que em termos ambientais demonstrou todos os seus limites.

Inovações sociais, consideradas na perspectiva da sustentabilidade, são capazes de inspirar novos modelos de negócio, novas soluções (produtos e serviços), gerar orientação para o desenvolvimento tecnológico e novas perspectivas para a gestão pública. A promoção da sustentabilidade passará por uma revisitação de nossas práticas sociais cotidianas: como nos transportamos, alimentamos, levamos nossos filhos à escola, etc. Todas estas ações, tal como organizadas hoje, precisarão ser revistas. Esta revisão certamente não será somente resultado de processos de inovação tecnológica.

A Young Foundation, reconhecido centro de inovação social baseado em Londres, afirma que o tema da inovação social não tem obtido a devida atenção da parte dos gestores públicos. Segundo esta entidade, “grandes investimentos são feitos em inovações tecnológicas, mas o investimento específico no tema da inovação social é baixo, a despeito do fato de que tantas soluções, novos modelos de negócios e políticas públicas (hoje consolidadas) tenham tido suas origens em inovações sociais “radicais”.

No Brasil, a progressiva conscientização do valor da inovação social vem sendo manifesta através de iniciativas tais como o Prêmio Finep – categoria Inovação Social que atua a nível regional e nacional. Considerando uma perspectiva tecnológica e de desenvolvimento social, a Rede de Tecnologia Social - RTS integra instituições com o propósito de contribuir para a difusão e a reaplicação em escala destas soluções. Outras iniciativas, como o Banco de Tecnologias Sociais do Banco do Brasil, também contribuem para a construção de um quadro direta ou indiretamente relacionado à IS no Brasil hoje.

Neste cenário de múltiplas esforços, nacionais e internacionais, o termo “inovação social” assume múltiplos aspectos e definições. Fato inegável porém é que tais inovações estão em torno a nós, oferecendo respostas a demandas inicialmente e aparentemente insolúveis, formando um quadro alternativo ao processo de desenvolvimento insustentável que enfrentamos. Seus resultados melhoram diariamente a vida de milhares de pessoas.

A perspectiva que se abre portanto é a de que empresários, gestores públicos a nível regional e nacional, organizações da sociedade civil, desenvolvedores de novas tecnologias, dentre outros, possam aprender com a criatividade difusa expressa pelas inovações sociais e, potenciando-a, gerem benefícios sociais, econômicos e ambientais valiosos para nosso país.

* Carla Cipolla é doutora em Design pelo Politecnico di Milano e professora da UFRJ/Coppe, Programa de Engenharia de Produção onde desenvolve uma linha de pesquisa, ensino e extensão sobre Design de Serviços, tendo como uma de suas abordagens os novos modelos de serviço que emergem a partir de casos de inovação social. Participou durante seu doutoramento de significativas pesquisas e atividades européias de Design para a Inovação Social e Sustentabilidade tal como EMUDE, CCSL e Lola. Atualmente é coordenadora brasileira da rede DESIS – Design para a Inovação Social e Sustentabilidade, braço da rede internacional do mesmo nome.


Tennyson Pinheiro

Sócio-Diretor da live|work no Brasil e Design Thinker - especialista em Design de Serviços.
A live|work é pioneira em Design & Inovação de Serviços com escritórios em Londres, Oslo e São Paulo atendendo a clientes como Sony, Fiat, BBC, Experian. Tennyson possui formação no Brasil e Estados Unidos em Marketing, Tecnologia, Gerenciamento de Projetos e especialização em Branding.

Separador Item
Item Desenhando serviços sustentáveis
Item Inovação social
Item Service Thinking - Serviços sustentáveis em um planeta de recursos escassos
Voltar



EcoDesenvolvimento é um conjunto de práticas que estimula o desenvolvimento global, reforçando a atenção a questões ambientais, sociais, econômicas, culturais, de gestão participativa e ética...
(Leia mais)


CONTEÚDO
 
Canais Especiais
     
 
UTILITÁRIOS
 
 
 
PARCEIROS
 
 
 
INSTITUCIONAL
 
 
 
unibanco suzano
Etiqueta

O Portal EcoD é um projeto do Instituto EcoDesenvolvimento
Direitos Autorais - Condições de uso do conteúdo
SEJA PARCEIRO DO ECOD