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Apresento um resumo de minha revisão sumária dos efeitos da poluição química em ambientes estuarinos e marinhos costeiros, os dados físicos, as atividades principais potencialmente poluidoras da Baía de Todos os Santos (BTS) e a distribuição geográfica dos níveis dos principais poluentes químicos (metais pesados, pesticidas organoclorados e hidrocarbonetos alifáticos e policíclicos aromáticos) medidos pelos Laboratório de Química Analítica Ambiental (LAQUAM) e Instituto de Química (IQ) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) no sedimento do infra e mesolitoral e em três espécies de moluscos comestíveis em toda a baía.
O norte, nordeste e noroeste da BTS estão altamente contaminados com cádmio, chumbo, cobre e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs), mediamente contaminados com n-alcanos e petróleo degradado ou em degradação, fracamente contaminados com arsênio e não contaminados por manganês e cromo. Há um enriquecimento de pesticidas organoclorados ao longo de toda a costa da BTS, com indicações de aplicação destes compostos (proibidos desde 1985) nos últimos quatro anos.
A avaliação de risco de consumo regular dos moluscos contaminados, prática comum das comunidades de marisqueiros locais, indica os níveis de ingestão de contaminantes recomendada pela FAO/WHO sendo superadas para cádmio em 61% das estações estudadas e para chumbo em 56%. No caso de HPAs, muitos deles carcinogênicos, e para os quais não há recomendação ainda estabelecida pela FAO/WHO para ingestão, o risco foi calculado com base em recomendações diversas internacionais, concluindo-se que em 90% das estações o consumo supera estas recomendações.
O retrato atual disponível da distribuição de contaminantes químicos permite tomada de muitas decisões por parte do governo e das empresas. A situação retratada demanda ações adicionais às de saneamento básico, já tomadas pelo Governo do Estado da Bahia, e de redução de emissões, também desenvolvidas pela Petrobrás. Estudos adicionais têm que ser feitos visando a alocação de fontes, a avaliação de risco mais específica, ou seja, a nível de compostos individuais para HPAs, e o prognóstico de depuração.
Tania Mascarenhas Tavares é professora titular do Departamento de Química Analítica e membro dos programas de pós-graduação da UFBA de Química e de Saúde, Ambiente e Trabalho com doutorado na USP e pós-doutorado na Universidade de Dortmund, Alemanha. Também é fellow Ashoka e representante da Fundação AVINA para Recursos Marinho-Costeiros e Hídricos. Sua produção científica cobre ampla faixa de aspectos da qualidade do meio ambiente, de ecossistemas marinhos e fotoquímica atmosférica a efeitos da poluição sobre populações humanas.
E-mail: tania.tavares@avina.net
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