| As obras de mobilidade urbana têm avançado em sua cidade? | |
![]()
Avatar / Foto: divulgação
Na fila do cinema, a moça do tempo ouve a costumeira pergunta:
- Quando vai parar de chover em São Paulo? Não aguento mais a mesma previsão de temporais!
A porta-voz das desgraças climáticas trata de alentar o telespectador indignado:
- As primeiras semanas de fevereiro serão menos chuvosas…Uma massa de ar seco vai afastar as áreas de instabilidade.
A consulta informal se transforma num tratado meteorológico quando o entusiasmado telespectador cobra uma resposta sobre os motivos do tempo maluco:
- Você disse ontem no Jornal Nacional que a culpa é do El Niño e do aquecimento das águas do Atlântico Sul, né?
- Pois é. A cada três, quatro anos, o El Niño reaparece e altera a circulação dos ventos, deixando a chuva mais intensa e volumosa no centro-sul do país. Já o aquecimento de até três graus da parte sul do Oceano Atlântico, é um fenômeno mais recente e associado aos gases de efeito estufa… mas se houvesse uma política de prevenção e combate às enchentes, São Paulo venceria a guerra contra São Pedro….
A conversa é encerrada quando a moça do tempo recebe uns óculos próprios para enxergar uma animação em 3d.
Avatar é o nome do filme. A mais nova superprodução de James Cameron.
Em minutos, todos estão imersos num mundo fantasioso de imagens reais. É o planeta Pandora, onde vivem os Na’vi, seres altíssimos e magros, de cor azul, cara e agilidade de gato, criaturas selvagens, que estabelecem conexões profundas com a natureza, como se fossem células de um organismo vivo, em que todos fazem parte do meio ambiente.
Os Na’vi têm nos cabelos uma espécie de cabo eletrônico e quando o plugam aos animais, conseguem comandá-los por meio de ondas cerebrais e voar livremente pelos céus de Pandora. Cada bicho é reverenciado com uma prece quando precisa morrer para suprir as necessidades do grupo. Pandora é a quimera, a utopia dos ambientalistas. A Gaia definida por James Lovelock como o éden.
A moça do tempo volta pra casa fazendo uma associação entre o filme e o imaginário coletivo da humanidade. A raça predadora, que historicamente explora os recursos naturais e desvirtua a própria função no seu habitat, agora se vê diante da urgência: a derradeira oportunidade de rever radicalmente os rumos de sua vida no planeta.
Entre um paralelo e outro, a moça do tempo sonha com uma previsão em que natureza e tecnologia possam encontrar um ponto de equilíbrio harmonioso. Quisera esquecer a crise da água, a camada de ozônio, a poluição do ar pelas emissões de veículos e industrias, o lixo despejado nos rios e mares, a desertificação e os eventos severos caracterizados por tempestades e ventos intensos. Quisera falar do paraíso perdido, do sonho dourado de Pandora, a terra prometida de onde "emana leite e mel" para todos...
Mas as notícias teimam em reproduzir o caos.
Eis que se renovam as esperanças. No dia seguinte descubro que Avatar é o maior sucesso de bilheteria da história do cinema, entre outros superlativos. A mente visionária e quântica do autor de Avatar pode ser a semente de um novo tempo, em que os seres humanos consigam se reinventar para garantir sua pacífica sobrevivência na Casa em que habitam.
Rosana Jatobá é jornalista, graduada em Direito e Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da Universidade de São Paulo. O texto acima faz parte de uma coleção de oito artigos sobre sustentabilidade que Rosana escreveu para o blog do Milton Jung.
E-mail: rosana.jatoba@tvglobo.com.br
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Portal EcoD é um projeto do Instituto EcoDesenvolvimento
Direitos Autorais - Condições de uso do conteúdo
SEJA PARCEIRO DO ECOD