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As obras de mobilidade urbana têm avançado em sua cidade?
Sim. Elas têm sido feitas dentro do cronograma para a Copa.
Sim. Têm sido construídas de acordo com a necessidade local.
Algumas sim. Mas não todas que são necessárias.
Não. Só as obras dos estádios avançam.



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Marina Silva
Primeiro ensaio
Por Marina Silva

A maior parte da mídia brasileira registrou e analisou a primeira exposição conjunta dos três candidatos à Presidência da República com maior pontuação nas pesquisas, no encontro promovido pela Associação dos Municípios Mineiros, em Belo Horizonte. Foi um ensaio interessante, não apenas para os candidatos, mas para observar a própria mídia e como ela se relaciona com o universo da política. É até compreensível que muitas vezes embarque nos pratos prontos que lhe são oferecidos, mas a verdade é que muitas vezes, ao aceitar essa facilidade temática, coloca à sombra aspectos importantes do quadro político. E, ao mesmo tempo, pode acabar servindo de escada para cacoetes da cultura política vigente que ela mesma critica com grande propriedade vez ou outra.

Do encontro entre presidenciáveis, podem ser extraídos dois bons exemplos. O primeiro, a avaliação de que o debate foi "morno". Há que tomar cuidado para não alimentar a velha ideia de que o debate entre candidatos é melhor quanto mais o clima for tenso, com provocações, pegadinhas, ataques mais incisivos. Talvez até com uma ou outra baixaria. Afinal, não é isso que se espera da política? Um bom vale-tudo?

Seria interessante ir além da suposta mornidão e pensar se a democracia e o país não estariam mais bem servidos com uma nova cultura política, com menos performances midiáticas dos candidatos e mais atenção aos temas, preocupações e propostas de que seriam portadores. A estatura política elevada do debate deve ser o termo de referência adequado para julgá-lo, e não o contrário. E isso não se mede pela virulência das críticas mútuas, mas pela sua pertinência e justeza. É preciso evitar a armadilha de incentivar o reducionismo de confrontos maniqueístas, de termos absolutos. É uma obrigação ética dos candidatos valorizar o que de bom foi feito antes, mesmo por oponentes, e aperfeiçoar e inovar a partir daí.

O segundo exemplo liga-se à ideia da "eleição plebiscitária". Pode até ser uma expressão de forte apelo, mas é empobrecedora e autoritária. Esse primeiro ensaio de debate foi a primeira oportunidade para desconstruí-la, mostrando o equilíbrio e o desempenho reais presentes no debate, em lugar de dar curso ao entendimento de que as eleições já estão decididas entre apenas dois contendores. Infelizmente não foi o que aconteceu, pois o recorte analítico mais utilizado foi exatamente esse.

Há inúmeros fatores na agenda das eleições. Quem ganha e quem perde é apenas um deles, ainda que muito importante. O que faria diferença seria marcar este momento pela inflexão para uma nova cultura política. Não é simples lutar contra os estereótipos, mas seria uma enorme contribuição.


Marina Silva

Pedagoga e afiliada ao PV. Esta coluna é a reprodução dos textos de Marina Silva publicado às sextas-feiras no jornal Folha de São Paulo.
Contato: contatomarinasilva@uol.com.br  

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Item Ser progressista hoje
Item Vigília pela Amazônia
Item Leitura obrigatória
Item Mais um passo, atrás
Item Eles não falaram
Item Ecos de um Brasil arcaico
Item Síndrome de Poliana
Item O que se espera do Brasil
Item Instituinte
Item Mutirão pela democracia
Item Dupla prevenção
Item Valor que não se mede
Item O besouro é nosso
Item Complexo de Lear
Item Um pequeno desvio
Item Conversa circular
Item Mudança no clima
Item Caminhos para a segurança
Item Do pré-sal ao pós-carbono
Item Eleição, internet e borboletas
Item Outros passos
Item Filhos do Brasil
Item Amargo veneno
Item Futuro ainda comprometido
Item O caminho mais fácil
Item Direção firme
Item Opinião pública e mudança climática
Item Fazendo do passado passado
Item Terra emprestada
Item Culpa e vergonha
Item Prazo para desmatar mais
Item Mais do que palavras
Item Janeiro por inteiro
Item Tragédias que se repetem
Item Garantias, recursos e persistência
Item Haiti, Zilda Arns e nós
Item Um fórum pelo mundo
Item Campus Party
Item Impasses de Belo Monte
Item Renúncia e alerta
Item Sem verbo e sem pão
Item 8 de março
Item Além de si mesmo
Item Dia da vida
Item Cidades sustentáveis
Item Plano de fuga
Item 19 de abril: é preciso ver
Item Represa de erros
Item Novas conquistas
Item Riscos calculados
Item Ao amado dom Moacyr
Item Na direção oposta
Item De junho a junho
Item O verde não é partido
Item Intolerável
Item Eliana Calmon
Item Rio menos 20?
Item "Me inclua fora disso"
Item Aos jovens do presente
Item Entre nós
Item Enxurrada de descasos
Item Ajuda também em casa
Item Ampliar o debate
Item A Justiça na balança
Item Democratizar a democracia
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Item Aridez do descaso
Item Democracia e corrupção
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