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Sim. Elas têm sido feitas dentro do cronograma para a Copa.
Sim. Têm sido construídas de acordo com a necessidade local.
Algumas sim. Mas não todas que são necessárias.
Não. Só as obras dos estádios avançam.



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Marcelo Linguitte
Sustentabilidade e a Crise Global
Por Marcelo Linguitte

Muito tem se falado e escrito sobre a crise pela qual atravessa o mundo. Preocupações sobre o futuro da economia são prodigamente apresentadas pelos veículos de comunicação e pelos especialistas de plantão, com prognósticos que vão desde pequenos impactos até situações comparáveis àquelas que o mundo viveu em 1929. Alguns setores da economia têm sido fortemente afetados, como o setor automobilístico norte-americano, e empresas da área de logística. A tradicional DHL, por exemplo, reduziu drasticamente suas operações nos Estados Unidos e tem operado basicamente remessas para ou vindo do exterior. Aqui mesmo no Brasil, demissões têm ocorrido, férias coletivas decretadas e surgem por todos os lados negociações envolvendo empresas, trabalhadores e, algumas vezes, governos locais, que têm buscado favorecer a continuidade das operações das empresas instaladas em seu território, como é o caso de Minas Gerais e sua ajuda a empresas do setor de mineração. Enfim, basta abrir qualquer jornal, revista ou site de internet para se atualizar sobre os últimos eventos relacionados à crise e para ouvir as mais diversas (e distintas) opiniões a respeito de sei real impacto sobre a sociedade.

Nesse contexto, tenho presenciado algo interessante: várias empresas estão extinguindo ou diminuindo suas áreas de Sustentabilidade ou de Responsabilidade Social, entendendo que, neste momento de expectativas, o melhor é cortar todos aqueles setores da empresa que não geram receita ou economias de recursos. E, como essas áreas vêm sendo entendidas como geradoras de despesas, são os alvos prioritários nos cortes das empresas. Não mencionarei nomes, mas, o leitor mais ou menos “antenado” no tema, já deve ter ouvido a menção a diversas empresas nessa situação. Porém, cabe a pergunta: “Porque isso está ocorrendo se o tema é tão importante para as empresas e tem sido demandado cada vez mais pela sociedade? Não estariam as empresas cortando de forma pouco inteligente?”.

Sem querer polemizar – mas já o fazendo – tenho algumas observações a esse respeito que explicam um pouco a razão pela qual, neste momento de crise, áreas que deveriam ser preservadas e incentivadas são enfraquecidas ou eliminadas dos quadros organizacionais.

Estive recentemente em viagem aos Estados Unidos para alguns encontros com empresários e acadêmicos que tratam do tema de Sustentabilidade e também para umas férias familiares. A visão norte-americana é , como se sabe, muito pragmática e focada em resultados para as empresas. Ou seja: muito boa e importante a questão de Sustentabilidade e toda essa questão de ajudar o planeta e a sociedade. Porém, qual o resultado objetivo que minha empresa pode obter com esse tema? Ou, parodiando a João Cabral de Melo Neto: “Qual é a parte que me cabe nesse latifúndio?”.

Por mais dura e egoísta que pareça essa visão, ela tem uma orientação muito clara para aqueles que trabalham com o tema de Sustentabilidade: “Se consideramos que o tema passará como outras modas, caso ela não traga benefícios sociais e ambientais concretos, da mesma maneira devemos perceber que, caso ele não seja percebido como trazendo valor para as empresas, ele será sempre um tema marginal, menor e que nunca entrará nas estratégias principais das empresas”. Ou seja, nas primeiras marolas e ventos de crises, o facão da redução de custos será implacável com as áreas de Sustentabilidade e Responsabilidade Social. E quanto a isso, não nos enganemos.

Atuando já há mais de dez anos com esses temas, percebo que apenas aqueles setores onde há benefícios concretos para as empresas, ou ainda, onde há pressões suficientemente fortes, é que as empresas estão atuam de forma um pouco mais sustentável. Veja alguns exemplos:

  1. Conscientes de que a utilização dos Princípios do Equador pode significar uma importante redução no risco de concessão de crédito – e, em certa medida, também na inadimplência - alguns bancos têm adotado os Princípios do Equador ou outros critérios socioambientais na concessão de crédito a seus clientes;
  2. A percepção de que a sociedade está interessada em aspectos ambientais, como o aquecimento global, várias empresas têm vinculado sua imagem a estratégias de comunicação “verde”, o que lhes garantiriam um melhor posicionamento de marca;
  3. Visando a atender a exigências de redes varejistas da Europa, vários produtores agrícolas têm seguido critérios de produção sustentáveis e buscado certificações que demonstrem essa sua preocupação e dedicação ao tema.

Não que as empresas, que desenvolvem tais práticas, somente as fazem por questões de interesse de seu próprio negócio, sem uma real consciência social e ambiental. Muitas empresas realmente acreditam genuinamente em sua co-responsabilidade planetária. Porém, elas percebem no tema Sustentabilidade algo que lhes agrega valor verdadeiro ao negócio, seja através da redução de custos ou de riscos de operação, seja através do aumento de receitas, seja melhorando sua imagem e, portanto, contribuindo para ampliação do market share, seja porque o tema ajuda a desenvolver o capital humano ou, ainda, porque permite acesso a outras fontes de capital. Ou seja, a Sustentabilidade, da mesma forma como a qualidade, a inovação, o marketing, melhora algum aspecto da competitividade empresarial.

No entanto, sejamos sinceros. O que vemos hoje é exatamente o contrário: a Sustentabilidade é não é vista como atributo de competitividade e sim como algo importante, interessante, de que todos gostam, mas que não contribui com resultados para a empresa. Portanto, como uma empresa poderá manter áreas ou projetos de Sustentabilidade uma vez que eles representam “centros de custo” e não de receitas, principalmente em momentos de crise?

Miopia das empresas? Não creio que seja exatamente assim. Acho que existe um vício de partida de consultores e ONGs que trabalham com o tema em dar toda a ênfase aos benefícios que a Sustentabilidade traz à sociedade e ao meio ambiente e pouca (ou nenhuma) importância aos resultados que o tema traz às empresas. Ou seja, não adianta idéias sociais e ambientais maravilhosas, grandes doses de voluntarismo, se o EBITDA (sigla inglesa para lucro auferido antes de juros, impostos, depreciação e amortização) for diminuto, com pequena capacidade de geração de caixa.

E, muitas vezes, os consultores e ativistas de ONGs não conseguem comprovar às empresas que a Sustentabilidade tem realmente a capacidade de contribuir para seus negócios no longo prazo (O itálico não foi acidental). Daí, o resultado é que a Sustentabilidade continua sendo vista como algo importante, mas não fundamental, para a sobrevivência do negócio da empresa. Em um momento de crise, ninguém pensa em cortar algo que lhe permita aumentar vendas e margens, reduzir custos e diminuir o capital empregado. Será que as empresas acreditam que a Sustentabilidade tem essa capacidade? Creio que por não acreditarem (ou terem comprovado) plenamente é que elas acabam cortando ou diminuindo as áreas e projetos em Sustentabilidade e Responsabilidade Social.

Portanto, o maior desafio para quem atua na área é o de mostrar-lhes o contrário. E isso não se faz apenas com discursos bonitos, mas vazios, como, infelizmente tem sido a regra, inclusive entre ONGs e consultorias importantes. Isso se faz com método e com uma gestão da Sustentabilidade voltada para resultados. Somente com essa visão, a Sustentabilidade irá avançar entre as empresas. Pelo menos, com a atual compreensão do que ela significa.

Em nossas atividades de consultoria temos tido sucesso, pois tentamos contemporizar essa visão centrada no negócio com a visão mais ética e moral do negócio. Ou seja, buscamos sempre fazer com que a idéia do “ganha-ganha” realmente ocorra e que a empresa perceba os ganhos consistentes que tem em adotar comportamentos mais sustentáveis que contribuem com a sociedade e com o meio ambiente.

Apesar de este artigo parecer muito business-oriented e um pouco pessimista com relação ao tema, ocorre justamente o contrário. Tenho a plena convicção de que apenas posturas gerenciais sustentáveis têm a condição de possibilitar a operação das empresas no longo prazo e de permitir o seu bom funcionamento no futuro. Até por isso, acho importante revisar um pouco nossos conceitos de como a Sustentabilidade deve ser trabalhada no âmbito das empresas. Somente entendendo sua dinâmica e necessidades é que poderemos fazer com elas promovam seus negócios de forma mais sustentável.
Por fim, como sabemos, é nas crises que encontramos grandes oportunidades. Já que a China está também sendo muito impactada pela crise, vale lembrar que, quando escrita em chinês, a palavra crise é composta de dois caracteres. Um representa o perigo e o outro representa a oportunidade. Assim, como disse Richard Nixon: “Em uma crise, esteja consciente do perigo, mas identifique a oportunidade." A Sustentabilidade está procurando a sua.

Um forte abraço.


Marcelo Linguitte

Marcelo Linguitte é engenheiro civil com pós-graduação em Ética e Responsabilidade Social. Possui grande experiência em desenvolvimento organizacional, planejamento estratégico e relações internacionais. Atuou por oito anos no Instituto Ethos e é diretor gerente da Terra Mater Empreendimentos Sustentáveis. É considerado uma das principais referências latino-americanas em Sustentabilidade.
E-mail: marcelo.linguitte@tmater.com.br

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Item Sustentabilidade, inovação e América Latina
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