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Número temático sobre lixo marinho prestes a ser publicado em revista científica internacional
Por Walter Martin Widmer

Neste mês de dezembro de 2010, conversei com o Dr. Walter Widmer, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC), que organizou juntamente com a Dr. Monica Costa da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e o Prof. Allan Williams da Universidade de Swansea (Reino Unido), um número especial dedicado ao Lixo Marinho na Revista de Gestão Costeira Integrada. Para a comunidade científica dedicada aos estudos relacionados ao Lixo Marinho, este número especial representa um grande passo na busca do conhecimento da importância do tema, e como parte desta comunidade, só tenho a agradecer aos organizadores pelo empenho e dedicação dedicados a esta publicação. Esperamos que esta seja apenas a primeira de muitos outras!

E, não se esqueҫa: neste Natal, use menos embalagens, se necessário use embalagens recicláveis, reutilize e recicle aquelas que você ganhou e busque sempre alternativas para minimiza o lixo produzido.

*Juliana Ivar do Sul


Está prevista para março de 2011 a publicação do número temático sobre lixo marinho da Revista de Gestão Costeira Integrada / Journal of Integrated Coastal Zone Management. Essa revista publica artigos sobre temas relacionados com a gestão costeira, incluindo assuntos tratados pela oceanografia costeira, bem como os aspectos de engenharia, poluição, geografia, economia, sociologia, direito, política, antropologia, entre outros, que se refiram explicitamente ao espaço costeiro.

A RGCI tem como um dos públicos-alvo a comunidade que fala português (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste) que no conjunto têm mais de 210 milhões de pessoas. No sentido de dar maior visibilidade internacional aos trabalhos, a RGCI publica os artigos em português com resumo expandido em inglês, e os redigidos em inglês têm resumo alargado em português.

A ideia desse número temático nasceu ainda na segunda metade de 2008, quando a Profa. Monica Costa (UFPE) e eu acreditamos que já havia no Brasil produção científica (e.g. Machado & Fillmann, 2010; http://www.aprh.pt/rgci/pdf/rgci-215_Machado_small.pdf) sobre esse tema, que justificasse um número temático. Foi feita então a proposta desse número temático para a Revista de Gestão Costeira Integrada (RGCI), a qual foi aceita pela Comissão Editorial da revista, com o Prof. João Alveirinho Dias coordenando o processo. A partir daí, temos tido um trabalho intenso, constante e muito interessante. Primeiramente, foi produzida uma extensa lista de pesquisadores e a eles foi encaminhada uma carta-convite em português e em inglês. À medida que as contribuições dos autores iam sendo recebidas, as mesmas eram distribuídas entre os editores convidados. Nesse momento, o Prof. Allan Williams, da Universidade de Swansea (Reino Unido), se agregou ao time de editores convidados. O trâmite editorial avançou por vários meses, seguindo o protocolo da RGCI no seu processo de convidar ao menos dois avaliadores independentes, enviar a eles os manuscritos, zelar pelo cumprimento dos prazos da revisão, encaminhar aos autores o resultado da avaliação e os comentários pertinentes, cuidar para que os autores atendam as alterações propostas pelos avaliadores, até finalmente encaminhar a versão aceita para publicação on-line. Esse processo estará concluído até o final deste ano, quase dois anos após a ideia inicial.

Do total de manuscritos sobre lixo marinho encaminhados à revista, pelo menos 14 deles foram aprovados e atualmente encontram-se em fase de publicação. O número temático da RGCI sobre lixo marinho trará artigos das regiões Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil, além de contribuições da América do Sul (Chile e Peru) e do Norte (região norte-americana do Mar do Caribe e do Golfo do México). Como é política da revista, para que os trabalhos tenham visibilidade e possam ser referenciados tão rapidamente quanto possível, os artigos são disponibilizados on-line assim que a formatação fica concluída, estando já vários disponíveis no portal da RGCI, em http://www.aprh.pt/rgci/artigosprelo.html. Em breve aí poderão ser consultados quase todos os artigos.

Uma rápida descrição de alguns desses artigos encontra-se a seguir:

• Christine Ribic e colaboradores utilizaram os dados de um programa nacional de monitoramento de praias nos Estados Unidos para analisar quantidades, composição e tendências do lixo marinho na região norte-americana do Mar do Caribe e do Golfo do México, entre 1996 e 2003;

• Martin Thiel e colegas apresentaram uma revisão a respeito da ocorrência de lixo marinho na região sudeste do Oceano Pacífico (costa do Chile e Peru) (Figura 1), juntamente com a discussão de possíveis soluções para o problema;

• Com o uso de questionários, o grupo de Marcelo José Dias Filho avaliou a percepção dos banhistas e dos vendedores de praia que frequentam uma praia urbana na cidade do Recife (Pernambuco, Brasil) a respeito da contaminação da praia por lixo marinho;

• Na capital de Santa Catarina, Brasil, Bianca Vieira e suas colegas quantificaram o encalhe de lixo marinho em um manguezal na Estação Ecológica de Carijós;

• Luana Portz e colegas apresentaram quantidades, fontes e padrões espaço-temporais da presença de lixo marinho no setor Norte do litoral do Rio Grande do Sul, Brasil;

• Rafael Neves e colaboradores analisaram qualitativamente a distribuição espacial e temporal do lixo na praia da Barrinha (Espírito Santo, Brasil).

• José Antônio Baptista Neto e Estefan Monteiro da Fonseca fizeram uma contribuição sobre o problema na Baía da Guanabara durante anos diferentes, iniciando um monitoramento sistemático;

• Charles Moore e seus colaboradores avaliaram o lixo que é transportado de canais urbanos para o mar na Califórnia, Estados Unidos (Figura 2);

• Paulo Garreta e toda equipe do Projeto Lixo Marinho descreveram políticas públicas nacionais e necessidades para o tratamento do problema;

• Andréa Oliveira e pesquisadores do Instituto Oceanográfico da USP trabalharam no litoral do estado avaliando o lixo marinho em relação às outras características da praia;

• Cristiane Farrapeira da UFRPE fez uma revisão sobre as espécies de organismos que se associam ao lixo flutuante;

• Paula Tourinho e Gilberto Fillmann da FURG estudaram o lixo marinho na praia do Cassino, Rio Grande do Sul, a maior praia do Brasil;

imagem1

Figura 1: Mamífero marinho (Arctocephalus philippi) enredado em fragmento de rede de pesca na ilha de Robison Crusoe, Chile. Cortesia de Layla Osman.

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Figura 2: Método de coleta de dados para quantificação de fragmentos plásticos oriundos de fontes terrestres usados em Coyote Creek, Long Beach, California (EUA) / Fotografia do Capitão Charles Moore, Algalita Marine Research Foundation

Essa breve descrição dos artigos ilustra a importância desse número temático, ao agregar e sintetizar estudos realizados em lugares variados e com diferentes abordagens metodológicas, resultado do esforço da comunidade científica – que inclui profissionais bastante experientes como também jovens pesquisadores - na busca pela ampliação do conhecimento atual sobre o problema do lixo marinho (Figura 3). Vale ainda destacar o fato de que diversos colaboradores desta coluna também contribuíram com artigos para esse número temático da RGCI. Dessa forma, espera-se que o material produzido contribua significativamente para um maior intercâmbio dos conhecimentos sobre o tema e para que esse assunto seja definitivamente pautado nas políticas de gestão ambiental dos países costeiros. Todos os autores, revisores e demais pessoas envolvidas no processo de produção desse número temático estão de parabéns pelo resultado alcançado. Convido agora todas as pessoas interessadas nesse assunto a desfrutar desse trabalho. Boas leituras!

imagem3

Figura 3: Plásticos, vida marinha e arte na praia de Cape Blanco, Oregon (EUA)/Fotografia de Angela Pozzi


Walter Martin Widmer

Dr. Walter Martin Widmer
Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC)

E-mail: walter.widmer@ifsc.edu.br

*Juliana Ivar do Sul é Coordenadora Científica do Projeto Lixo Marinho – Associação Praia Local Lixo Global
E-mail: juliana.sul@globalgarbage.org

Esta coluna é escrita mensalmente por especialistas que estudam o tema lixo marinho em diferentes estados brasileiros.

 

 

 

 

 

Separador Item
Item Lixo Marinho: você já ouviu falar?
Item O lixo marinho & eu
Item O bote e o lixo
Item O lixo marinho na Ilha do Arvoredo, litoral de SC
Item Nosso lixo de cada dia – de casa para o mar
Item Pellets plásticos e as praias
Item Lixo Marinho e Política Pública: uma visita ao Programa de Lixo Marinho da NOAA nos EUA
Item Lixo Marinho: com certeza você já ouviu falar
Item Tudo é uma questão de percepção
Item Lixo flutuante na baía de Guanabara: um complexo desafio para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016
Item A gestão do lixo de praia
Item O I Workshop Brasileiro sobre Lixo Marinho: pequeno passo de uma grande conquista
Item O mar está para peixe ou para o lixo?
Item Lixo marinho: um alimento perigoso
Item O que temos a ver com isso? Perspectivas de ação de uma ONG
Item Lixo marinho e nós: quem pode dar conta?
Item O que a Antártica e a Ilha de Trindade, no Oceano Atlântico tropical, podem ter em comum? Lixo Marinho, sim!
Item O verão no Rio Grande do Sul e seus resíduos sólidos
Item Lixo Marinho na Praia do Cassino (RS): o tempo passa e o problema continua!
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