| As obras de mobilidade urbana têm avançado em sua cidade? | |
Este mês, na coluna sobre Lixo Marinho do EcoD, conversei com o pesquisador Dr. Gilberto Fillmann, da Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Para mim é uma grande hora, pois foi com Prof. Gilberto que dei meus primeiros passos em pesquisas relacionadas ao lixo marinho! Através de amostragens nas décadas de 1990 e 2000, o Prof. Gilberto e seus colaboradores identificaram um aumento significativo na quantidade de lixo depositado na Praia de Cassino, sul do estado do Rio Grande do Sul.
Aproveito a oportunidade para agradecer a Marinha do Brasil pela oportunidade de embarcar no NDD “Rio de Janeiro” em uma experiência única, levando mais uma vez o tema lixo marinho aos que se dedicam a proteger nossos mares e salvaguardar a vida humana nestes ambientes.
*Juliana Ivar do Sul
Reconhecido como um dos principais problemas relacionados à poluição marinha, o lixo nos ambientes marinhos e costeiros vem sendo estudado nos mais diversos aspectos e em diferentes regiões do planeta. Como o aporte destes materiais no ambiente está distribuído tanto espacial quanto temporalmente, estudos de longo prazo são essenciais para o estabelecimento de padrões de contaminação, que devem ser utilizados pelas autoridades competentes na busca de soluções para o problema do lixo.
Estudos voltados à presença de lixo na Praia do Cassino (Rio Grande, sul do estado do Rio Grande do Sul) (Figura 1) e seus possíveis impactos associados começaram ainda na década de 1990 (1994-1995), continuando oportunamente na década de 2000 (2003-2006). Para a amostragem do lixo eram demarcados transectos perpendiculares a linha d’água (Figura 2). Nestes transectos, todo lixo presente era recolhido e levado para laboratório, onde era classificado de acordo com o tipo de material (plástico, papel, metal, madeira, entre outros) e/ou principal fonte (atividades de pesca, usuários de praia, entre outros). Os principais objetivos dos pesquisadores eram identificar as fontes do lixo para a praia do Cassino, além de detectar tendências de aumento/diminuição da quantidade de resíduos sólidos na praia ao longo dos anos.

Figura 1: (a) Localização da Praia do Cassino, cidade de Rio Grande, no sul do estado do Rio Grande do Sul. (b) Vista aérea da Praia do Cassino. Fonte: PCSaudável

Figura 2: Transecto perpendicular a linha d’água utilizado para amostragem do lixo na Praia do Cassino.
Em 6 anos de monitoramento, 30 mil itens foram amostrados, totalizando 7,3 itens por cada metro de praia!! Seguindo padrões já identificados em outras partes do mundo, os plásticos foram o tipo de material mais amostrado, seguido pelas pontas de cigarro. Outros diferentes tipos de materiais também foram amostrados.
No verão (Dez-Fev), quando a população do Balneário Cassino aumenta de aproximadamente 25 mil para 200 mil pessoas, a quantidade de lixo na praia também aumenta significativamente quando comparada ao inverno (Jul-Ago). Através da análise individual dos itens amostrados, foi possível relacionar o lixo aos próprios usuários da praia. Alguns dos itens mais comuns eram canudos, copos e pratos plásticos, embalagens de salgadinhos e biscoito, pontas de cigarro, entre outros. Além disso, eventos de tempestades e ventos podem remobilizar o lixo depositado na praia no inverno, diminuindo a quantidade de lixo amostrada.
A partir deste estudo, foi possível constatar o aumento significativo da quantidade de lixo marinho na Praia do Cassino entre as décadas de 1990 e 2000. O tempo passa, mas o problema continua! Provavelmente, o crescimento populacional, o turismo e a atividade pesqueira contribuíram para essa tendência temporal. Embora o problema da contaminação por lixo marinho já tenha sido apontado anteriormente, nenhuma ação de gestão envolvendo educação, destinação e/ou remoção do lixo tem sido efetiva na busca de soluções ou mesmo da minimização deste grave problema de poluição marinha.
Novas ações são urgentemente necessárias, o que poderia envolver educação ambiental de crianças em idade escolar e usuários de praia, aplicação de leis e controle por parte de autoridades competentes e até mesmo o desenvolvimento e uso de novos produtos com uma menor meia-vida ambiental, minimizando os impactos ao meio ambiente.
Dr. Gilberto Fillmann é oceanógrafo e doutor em Ciência do Mar pela Universidade de Plymouth, Inglaterra. Na Universidade Federal do Rio Grande é Coordenador do Laboratório de Microcontaminates Orgânicos e Ecotoxicologia Aquática (CONECO).
E-mail: docgfill@furg.br
*Juliana Ivar do Sul é Coordenadora Científica do Projeto Lixo Marinho – Associação Praia Local Lixo Global
E-mail: juliana.sul@globalgarbage.org
Esta coluna é escrita mensalmente por especialistas que estudam o tema lixo marinho em diferentes estados brasileiros.
![]()

|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Portal EcoD é um projeto do Instituto EcoDesenvolvimento
Direitos Autorais - Condições de uso do conteúdo
SEJA PARCEIRO DO ECOD