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Será que as empresas brasileiras estão preparadas para uma economia de baixo carbono?
 
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No início de 2009 eu conversava com o CEO de uma grande multinacional européia instalada em São Paulo sobre como o C02 iria modificar a forma de gestão das empresas e como as empresas estavam preparando suas estratégias dentro de uma nova perspectiva de baixa emissão carbono.

O assunto parecia não ser muito importante e nem relevante na época (cinco meses atrás), na verdade as empresas aqui no Brasil estavam muito distantes de um pensamento estratégico voltado para uma economia de baixo carbono, até que Barack Obama ganhou as eleições para o governo americano e muita coisa tem mudado.

No entanto, para as empresas brasileiras, ainda existe certo incomodo em relação ao desenvolvimento de inventários de C02 e seu real desdobramento na gestão estratégica por muitos motivos, o principal deles é que os países em desenvolvimento não tem metas de redução das emissões de CO2 e os inventários de emissões de GEE ( Gases de Efeito Estufa) são realizados para atender uma necessidade da matriz no exterior ou de forma voluntária por empresas brasileiras, para responder um item ou outro nos relatórios de sustentabilidade ou nos questionários DJSI ( Dow Jones Sustanainatily Indexes). Isso parece que vai mudar depois do COP 15, a reunião da ONU sobre mudanças climáticas em Copenhague em dezembro de 2009, que substituirá Kyoto e trará consequências para os países em desenvolvimento.

O governo brasileiro está estudando um modelo para tributar os créditos de carbono, prevendo que as empresas brasileiras que poluem muito precisarão comprar créditos de carbono, como uma “licença para poluir”, mas ainda não se sabe se os recursos provenientes destes créditos para quem os vende serão serviços ou receitas.

Independente de se o Brasil seguir o caminho que os EUA irão adotar em relação a tributação e regras para o mercado de carbono, a cada dia fica mais evidente que a política do CO2 não trata apenas das mudanças climáticas, e sim de um novo modelo de políticas sociais e econômicas.

Os impactos de uma política de baixo carbono serão sentidos pela população, mais pelo efeito do que de fato pela percepção, isto porque o maior controle sobre as emissões de CO2 vai proporcionar empresas mais seguras e ecoeficientes, vai abrir novas janelas de investimentos, gerar novos empregos e um novo impulso para uma economia global em recuperação.

Uma das empresas que tem se destacado no controle das emissões é a Coca-Cola UK. Recentemente a companhia publicou em seu site um inventário completo de carbono de todo o ciclo de vida de seus produtos, isto é, desde a plantação dos ingredientes, manufatura, distribuição, máquinas de “vending”, consumo, descarte das embalagens até a reciclagem.

Acontece que a Coca-Cola descobriu cedo que essa medida iria tornar a empresa mais eficiente em relação ao uso da água e o controle das emissões de C02, além de permitir o controle de desperdício de energia elétrica, vapor e combustíveis fósseis durante a distribuição de produtos e deslocamentos de funcionários, entre outras medidas.

Mudanças operacionais internas foram realizadas e investimentos foram feitos para o desenvolvimento de um produto mais ecoeficiente. Hoje a empresa tem uma grande vantagem na frente de seus concorrentes, menor custo de operação e uma estratégia de venda focada no consumidor.

Nos produtos comercializados pela Coca-cola UK terão destacados em suas embalagens a quantidade de gramas de CO2 emitidas em todo o ciclo de vida dele. A empresa utiliza isso como estratégia de marketing, anunciando que o produto tem menor taxa de emissão de CO2, pois o produto é comercializado localmente, evitando grandes deslocamentos por veículos motorizados, evitando assim novas emissões de CO2...

Será que o consumidor esta preparado para incluir no seu dia a dia mais um item de consumo, a baixa emissão de carbono? Como podemos ver, a política de baixo carbono vai ajudar o clima do planeta daqui a 50 anos, mas produz economias mais robustas agora, melhorando a vida das pessoas nas cidades.

Realizar um inventário de CO2 proporciona às empresas oportunidades de redução de despesas, máquinas e equipamentos mais eficientes e um produto na prateleira do supermercado que agride menos o ambiente ecológico, social e econômico. E vai abrir um olhar para a vida nas cidades porque a distribuição de produtos e os deslocamentos das pessoas para o trabalho têm um impacto enorme em nossas vidas, e melhorar isso vai depender da política de baixa emissão das empresas.
 



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