| As obras de mobilidade urbana têm avançado em sua cidade? | |

Foto: Arquivo Green Mobility
Em 2011 como todos sabem, será um ano de muitos ajustes econômicos e de maior controle nos gastos do governo federal, as taxas de juros serão mais altas, o custo unitário do transporte público (bilhetes) também crescerão contribuindo para o aumento da inflação, afetando não só o custo de vida das pessoas, mas também os custos de distribuição, logística e consequentemente a rentabilidade das indústrias e as atividades econômicas em geral. A venda de automóveis e motos continuarão crescendo devido ao aumento das passagens de ônibus, o que afetará ainda mais a vida das pessoas nas cidades, esse fato ocorrerá independente do aumento da taxa de juros e as condições de financiamento facilitados pelos Bancos. O transporte público não atende a demanda atual de passageiros, e mesmo que atendesse, a população não faria uso dele meramente por questões culturais, tais como a relação que ele tem como “meio de transportes de pobre” e com uma mobilidade social cada vez mais frequente, decorrente do crescimento do PIB e da estabilização econômica, o carro por sua vez é o produto de consumo que mais simboliza a mudança de status de uma classe social cada vez mais emergente.
Para mudar essa condição de eterno “País em desenvolvimento”, melhorar o trânsito e acelerar o desenvolvimento e a qualidade de vida da população, é fundamental a realização de um Pacto de Mobilidade Sustentável nas cidades, um movimento voltado para a diminuição do uso de transportes individuais motorizados, que incentiva com que trabalhadores distantes até 5 km do seu trabalho utilizem meios alternativos mais sustentáveis para deslocar-se nas cidades, isto significa na prática, o governo continue estimulando o consumo do carro pela população, mas que também possa incentivar o seu uso racional, ou seja, a utilização do carro no máximo em 40% de todos os deslocamentos diários. Pesquisas de origem e destino estimam que cerca de 70% dos motoristas que trafegam em áreas Metropolitanas estejam nestas condições.
Sozinhos, tanto o Governo Municipal quanto Estadual e Federal não conseguirão mudar este panorama de caos nas cidades, igualmente as empresas. Será necessário um pacto de mobilidade sustentável onde os Governos locais garantam condições mínimas para que a população neste perímetro, consiga fazer seus deslocamentos de forma mais sustentável possível e que as empresas garantam que seus funcionários façam opções por deslocamentos alternativos não motorizados, encontrando meios e incentivos adequados para que isso ocorra de forma eficiente e organizada.
O que a população desconhece é que mesmo optando pela compra de automóvel, ela ainda poderia optar por deslocamentos alternativos com o intuito de evitar os transtornos relacionados com o acúmulo de transportes individuais motorizados na cidade, o que reduziria o trânsito e os problemas decorrentes dele tais como as emissões de Co2, gases tóxicos e mortes. Entramos assim num outro problema: da falta de calçadas e infraestrutura para bicicletas que não são apenas referente a construção de ciclovias, ciclofaixas ou vias compartilhadas, mas de um projeto de educação e respeito mútuo entre motoristas, pedestres e ciclistas.
Acompanhei recentemente um passeio cicloturistico com a Relações Públicas Novaiorquina de um dos Hotéis mais sofisticados da cidade (Ela estava avaliando o Projeto U-Bike e aproveitando para conhecer a cidade de São Paulo de Bicicleta), me contou que os motoristas paulistas respeitam mais os ciclistas do que os motoristas americanos de Nova Iorque, que já estão acostumados com as ciclofaixas. Isso quer dizer que teríamos condições de mudar essa cultura voltada para o uso indiscriminado do automóvel bastando apenas vontade política.
Outra questão importante é a falta de interesse das empresas e governos em desenvolverem projetos de Mobilidade Sustentável Corporativa para redução do tráfego de automóveis na cidade, elas poderiam resolver dois problemas: os altos custos de transportes na cidade que afetam a logística de distribuição de mercadorias e a péssima qualidade de vida dos seus trabalhadores e população em geral.
Diretor da Green Mobility Brazil.
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