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O 15º ECOMM, que foi realizado na cidade de San Sebastian, na Espanha, entre 12 e 16 de maio, trouxe uma contribuição importante para a reflexão sobre modelos de cidades pensadas com valores socioambientais a favor de uma mobilidade mais sustentável e com coesão social.
Está mais do que na hora da cidade de São Paulo provocar um encontro destes, discutir soluções e maneiras de redesenhar a cidade. A conferência reuniu 438 delegados dos cinco continentes, sendo que o Projeto MelhorAR de Mobilidade Sustentável foi a única delegação sul-americana presente no evento.
Se seguirmos a lógica de alguns especialistas, que defendem que a economia mundial tende a dobrar de tamanho a cada 14 anos, no futuro haverá mais carros circulando nas cidades à medida que cresce o ritmo da produção e o poder aquisitivo da população. A capital paulista, em pouco tempo, entrará em colapso por falta de espaço para circulação de pessoas, isso se continuarmos optando pelo deslocamento individual.
Uma das soluções para esse cenário caótico é a adoção de medidas que proporcionem a mudança de hábito na maneira como nos deslocamos pela cidade. É importante ter consciência de que o carro sozinho não é o vilão, mas a forma como é utilizado é que o transforma como tal.
Durante o ECOMM foi possível constatar que cidades pequenas, com dois mil habitantes, na Suécia, por exemplo, estão comprometidas em reduzir o número de pessoas que circulam por automóveis ao passo que megacidades como São Paulo estão adormecidas e presas nos engarrafamentos diários. Obviamente que os números, recursos financeiros e cultura são outros, mas estamos falando de um encontro que já tem mais de 15 edições anuais.
As cidades européias estão trabalhando no conceito de diminuir os deslocamentos por veículos individuais, convertendo espaços públicos em espaços mais humanos. Cidades mais sustentáveis onde se potencializam a mobilidade em transporte público de qualidade e onde as caminhadas adquirem o protagonismo. As cidades estão redesenhando os seus espaços em favor do bem-estar das pessoas e não dos veículos. A nova ordem é frear a deterioração do meio ambiente, adotar iniciativas para dissuadir e reduzir o uso do automóvel e potencializar a mobilidade a pé, o transporte público e os deslocamentos por bicicleta.
A cidade de San Sebastian foi a patrocinadora do 15º ECOMM e logo no credenciamento todos os participantes receberam um cartão com acesso a todos os meios de transportes da cidade, incluindo bicicletas, ônibus, trem, táxi e estacionamentos. A abertura do evento foi realizada pelo Governador de San Sebastian, Odon Elorza, que colocou as dificuldades de levar a cabo um projeto de mobilidade numa cidade que pertence ao País Basco e sofre com atentados terroristas do ETA .
O Projeto Caminhe +, de San Sebastian, é um plano intermodal que liga todos os meios de transportes e estacionamentos públicos, fazendo com que as pessoas tenham muitas alternativas para seus deslocamentos podendo utilizar seu veículo até os bolsões de estacionamento, caminhar um trajeto e pedalar outro.
Além dos elementos clássicos de uma política de mobilidade baseada na infraestrutura e gestão, o plano de mobilidade de San Sebastian estabeleceu também uma série de programas centrados na configuração social, na demanda de deslocamentos, na cultura e nos comportamentos relativos à mobilidade. Para cuidar deste projeto, a cidade criou um Centro Municipal de Informações e Gestão de Mobilidade que facilita o impulso de uma mudança comportamental com um enfoque cultural e pedagógico.
Diretor da Green Mobility Brazil.
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