Nunca foi tão propício para que o setor ‘non-profit’, ou seja, as organizações não-governamentais, incorpore o mundo digital com propriedade, assegurando, a suas causas, progressão constante, sólida e inspirando indivíduos neste atual período de macrotransição. Tudo hoje em dia está sendo repensado e se torna absolutamente impossível vivermos da maneira que vivíamos há dez, cinco ou três anos. Alguns fatos que podem exemplificar esta teoria: cidadãos estão usando cada vez mais o poder da rede para encabeçarem o ativismo social: Playpumps.org, Zyozy, Emma, epicchange.org, bicycles-for-humanity.org, diversas causas no Facebook e outras que emergem diariamente no Twitter são apenas alguns exemplos da importância que as redes sociais ganham no setor. Todas estas iniciativas perceberam que o diálogo gera sinergia, comprometimento e evangelismo. Eles notaram, no final das contas, uma oportunidade enorme de estarem em contato com as mais brilhantes mentes do mundo, ensinando e aprendendo, quebrando barreiras, ganhando influência, credibilidade e afirmação. Estas iniciativas olham para o futuro literalmente. Fato. Qual minha orientação para estas organizações e pessoas ligadas ao Terceiro Setor que embarcam no universo das redes sociais e de suas microinterações? Antes de qualquer coisa, escutem e assistam a seu público de interesse cuidadosamente, saindo da perspectiva de campanhas curtas e ferramentas isoladas, para uma de escuta 360 graus, profunda e integrada (reconhecendo a simbiose offline e online) em busca de aprendizado 24 horas por dia. Afinal, experiências vivenciadas no mundo real vão gerar discussões no webspace, influenciando o boca a boca digital. E aí não tenha medo de ouvir: há ferramentas gratuitas como Blogpulse, TwitterSearch e Social Mention, que lhe ajudarão a navegar através de valiosos insights. Você assim estará apto a entrar na conversa com relevância e no ‘timing’ adequado, oxigenando as comunidades virtuais ao redor da sua causa com conhecimento, sendo um real facilitador e criando relacionamentos que realmente importam. Alguns outros aspectos que você – envolvido com o Terceiro Setor – poderia considerar ao entrar no mundo digital: - Evolução dos websites: De acordo com os recentes estudos da Foresee, uma empresa norte-americana líder nas pesquisas de satisfação do cliente no ambiente online, no âmbito geral, há espaço para melhorias e diferenciação nos websites das organizações do Terceiro Setor. Na verdade, juntamente com a comunicação boca a boca e a Wikipédia, websites desfrutam de muita credibilidade, se desenvolvidos apropriadamente. Moral da história: seu website precisa ser uma autoridade no assunto que é a essência da organização para a qual você atua, sempre disponível para dar feedback rápido, em tempo real, fornecendo conselhos e compartilhando conhecimento atual. Saia de uma plataforma transacional, isto é, o tipo de (não) relacionamento que era proposto nos primórdios na internet, e desenvolva um canal de relacionamento, disponibilizando críticas e análises (positivas e negativas!) e convidando seu público a criar material junto com você. Desenvolva um canal simples, fácil de ser usado, com pontes bem definidas entre o mundo offline e online. Isso tende a melhorar o número de adeptos de sua causa, o apoio da iniciativa privada, criando uma imagem mais favorável por parte de toda sociedade em geral. - A beleza das pequenas coisas: Plataformas como o Twitter e Friendfeed estão ensinando grandes marcas e organizações a enxergarem o valor de pequenos contatos com seu público. Não apenas pelo poder viral de cada um de nós (todo mundo é um influenciador agora), mas também pela riqueza de trocas e compartilhamento que estas simples interações permitem. - Atenção à nova contabilidade: A comunicação boca a boca sempre foi importante pelo simples fato de que as pessoas acreditam muito mais em opiniões formadas por seus semelhantes do que nas empresas e em suas propagandas. A grande diferença é que agora não nos limitamos a recomendar algo aos nossos amigos, durante o happy hour de uma sexta-feira qualquer. Reviews, posts de blogs, vídeos no Youtube, etc., são formas de boca a boca também, e tudo isso fica perpetuado no tempo, deixando rastros na web, aberto para que outras pessoas experimentem. Tudo isto, consecutivamente, afeta a reputação das marcas e organizações nos sites de busca, como Yahoo!, Google e o Twitter Search. Organizações do Terceiro Setor precisam acompanhar muito atenciosamente ao que se fala sobre elas e precisam desenvolver, se necessário, um planejamento de crise para o ambiente digital. Uma vez que a sua organização estiver inserida neste mundo, será um caminho sem volta. Seja 100% transparente, autêntico e sempre alimente seus seguidores com paixão e conhecimento. Faça um trabalho estratégico, mensurado e holístico de forma interdisciplinar. Há uma enorme oportunidade para que você fortaleça sua cadeia de valor, descobrindo quem está realmente ao lado de sua marca, conhecendo mais a fundo seu público de interesse. Coisas antes inimagináveis serão alcançadas com certeza. Escreva para mim. Adoraria ouvir suas ideias. |