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Gabriel Rossi
Como o Terceiro Setor pode prosperar no Mundo Digital
Por Gabriel Rossi

Nunca foi tão propício para que o setor ‘non-profit’, ou seja, as organizações não-governamentais, incorpore o mundo digital com propriedade, assegurando, a suas causas, progressão constante, sólida e inspirando indivíduos neste atual período de macrotransição. Tudo hoje em dia está sendo repensado e se torna absolutamente impossível vivermos da maneira que vivíamos há dez, cinco ou três anos.

Alguns fatos que podem exemplificar esta teoria: cidadãos estão usando cada vez mais o poder da rede para encabeçarem o ativismo social: Playpumps.org, Zyozy, Emma, epicchange.org, bicycles-for-humanity.org, diversas causas no Facebook e outras que emergem diariamente no Twitter são apenas alguns exemplos da importância que as redes sociais ganham no setor. Todas estas iniciativas perceberam que o diálogo gera sinergia, comprometimento e evangelismo. Eles notaram, no final das contas, uma oportunidade enorme de estarem em contato com as mais brilhantes mentes do mundo, ensinando e aprendendo, quebrando barreiras, ganhando influência, credibilidade e afirmação. Estas iniciativas olham para o futuro literalmente. Fato.

Qual minha orientação para estas organizações e pessoas ligadas ao Terceiro Setor que embarcam no universo das redes sociais e de suas microinterações? Antes de qualquer coisa, escutem e assistam a seu público de interesse cuidadosamente, saindo da perspectiva de campanhas curtas e ferramentas isoladas, para uma de escuta 360 graus, profunda e integrada (reconhecendo a simbiose offline e online) em busca de aprendizado 24 horas por dia. Afinal, experiências vivenciadas no mundo real vão gerar discussões no webspace, influenciando o boca a boca digital. E aí não tenha medo de ouvir: há ferramentas gratuitas como Blogpulse, TwitterSearch e Social Mention, que lhe ajudarão a navegar através de valiosos insights. Você assim estará apto a entrar na conversa com relevância e no ‘timing’ adequado, oxigenando as comunidades virtuais ao redor da sua causa com conhecimento, sendo um real facilitador e criando relacionamentos que realmente importam.

Alguns outros aspectos que você – envolvido com o Terceiro Setor – poderia considerar ao entrar no mundo digital:

- Evolução dos websites: De acordo com os recentes estudos da Foresee, uma empresa norte-americana líder nas pesquisas de satisfação do cliente no ambiente online, no âmbito geral, há espaço para melhorias e diferenciação nos websites das organizações do Terceiro Setor. Na verdade, juntamente com a comunicação boca a boca e a Wikipédia, websites desfrutam de muita credibilidade, se desenvolvidos apropriadamente.

Moral da história: seu website precisa ser uma autoridade no assunto que é a essência da organização para a qual você atua, sempre disponível para dar feedback rápido, em tempo real, fornecendo conselhos e compartilhando conhecimento atual. Saia de uma plataforma transacional, isto é, o tipo de (não) relacionamento que era proposto nos primórdios na internet, e desenvolva um canal de relacionamento, disponibilizando críticas e análises (positivas e negativas!) e convidando seu público a criar material junto com você. Desenvolva um canal simples, fácil de ser usado, com pontes bem definidas entre o mundo offline e online. Isso tende a melhorar o número de adeptos de sua causa, o apoio da iniciativa privada, criando uma imagem mais favorável por parte de toda sociedade em geral.

- A beleza das pequenas coisas: Plataformas como o Twitter e Friendfeed estão ensinando grandes marcas e organizações a enxergarem o valor de pequenos contatos com seu público. Não apenas pelo poder viral de cada um de nós (todo mundo é um influenciador agora), mas também pela riqueza de trocas e compartilhamento que estas simples interações permitem.

- Atenção à nova contabilidade: A comunicação boca a boca sempre foi importante pelo simples fato de que as pessoas acreditam muito mais em opiniões formadas por seus semelhantes do que nas empresas e em suas propagandas. A grande diferença é que agora não nos limitamos a recomendar algo aos nossos amigos, durante o happy hour de uma sexta-feira qualquer. Reviews, posts de blogs, vídeos no Youtube, etc., são formas de boca a boca também, e tudo isso fica perpetuado no tempo, deixando rastros na web, aberto para que outras pessoas experimentem. Tudo isto, consecutivamente, afeta a reputação das marcas e organizações nos sites de busca, como Yahoo!, Google e o Twitter Search. Organizações do Terceiro Setor precisam acompanhar muito atenciosamente ao que se fala sobre elas e precisam desenvolver, se necessário, um planejamento de crise para o ambiente digital.

Uma vez que a sua organização estiver inserida neste mundo, será um caminho sem volta. Seja 100% transparente, autêntico e sempre alimente seus seguidores com paixão e conhecimento. Faça um trabalho estratégico, mensurado e holístico de forma interdisciplinar. Há uma enorme oportunidade para que você fortaleça sua cadeia de valor, descobrindo quem está realmente ao lado de sua marca, conhecendo mais a fundo seu público de interesse. Coisas antes inimagináveis serão alcançadas com certeza.

Escreva para mim. Adoraria ouvir suas ideias.

Gabriel Rossi

Profissional especializado exclusivamente em Branding na era digital, com passagens por instituições como Syracuse/Aberje, Madia Marketing School, University of London e Bell School.

Autor dos blogs www.gabrielbranding.com.br e www.brandingbygabriel.com
E- mail: gabrielrossi.branding@gmail.com / Twitter: www.twitter.com/gabrielrossi

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