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Eduardo Athayde
Trens de alta-velocidade ganham vapor em todo o mundo
Por Eduardo Athayde

Enquanto aguardamos o trem de alta-velocidade (HSR, em inglês, high-speed rail) entre as mega-cidades Rio e São Paulo, é interessante ter uma visão geral do que está acontecendo em todo o mundo.

HSRs surgem ao redor do mundo, e a expectativa é que o número de países utilizando esses trilhos duplique nos próximos anos, de acordo com uma pesquisa do Worldwatch Institute. Em 2014, trens de alta velocidade estarão operando em cerca de 24 países, incluindo China, França, Itália, Japão, Espanha e Estados Unidos, até o momento apenas 14 países utilizam o serviço.

"O crescimento do uso de HSR tem sido bem rápido", afirmou o pesquisador sênior do Worldwatch, Michael Renner, que realizou a pesquisa. "Em apenas três anos, de janeiro de 2008 a janeiro de 2011, a frota operacional de trens rápidos cresceu de 1,737 para 2,517, ao redor do mundo. Dois terços dessa frota é encontrado em apenas cinco países: França, China, Japão, Alemanha e Espanha. Até 2014, a expectativa é que a frota global chegue a 3.700 unidades."

O HSR não é apenas mais confiável, como também é mais benéfico do que carros e aviões. Uma comparação de emissão de gases de efeito estufa, realizada em 2006 pelo Center for Neighborhood Technologies, descobriu que as linhas de HRS na Europa e no Japão emitem entre 30 a 70 gramas de dióxido de carbono por passageiro/km, versus 150 gramas para automóveis e 170 gramas para aviões.

Embora não exista definição universal de velocidade para o HSR, a média aceita é de 250 km/h em trilhos novos e 200 km/h em faixas existentes ou atualizadas. O comprimento de HSR em todo o mundo está crescendo de forma explosiva a fim de atender a crescente demanda. Entre 2009 e 2011, o comprimeito total de trilhos operantes cresceu de 10.700 km para quase 17.000 km.

Outros 8.000 km já estão em construção e mais 17.700 km estão planejados, juntos somam um total de quase 43.000 km. O equivalente a quase 4% de todas as linhs de trem - de passageiros e mercadorias - em uso no mundo hoje.

Em termos de comprimento de linha, as ferrovias de velocidades líderes são a da China (o país está investindo em cerca de U$100 bilhões anuais para construção de trilhos. A parte que cabe ao investimento em infraestrutura e construção de trilhos HSR cresceu de menos de 10%, em 2005, para deslumbrantes 60%, em 2010), Japão, Espanha, França e Alemanha.

Outros países estão entrando na corrida da velocidade também. Turquia tem planos ambiciosos de chegar a 2.424 km e ultrapassar o comprimeito da rede alemã. Itália, Portugal e Estados Unidos esperam alcançar o comprimento de mais de 1.000 km. Outros 15 países têm planos para redes menores.

Mas na Europa, França continua com o saldo de quase metade de toda a linha europeia de trens rápidos. Lá, o HSR alcançou o espantoso percentual de 60% das viagens realizadas por passageiros em 2008, de 23% em 1990, graças aos baixo preços, uma rede robusta e confiabilidade. No Japão, os trens Shinkansen são conhecidos por seu alto grau de confiabilidade.

A central JR, a maior de todas as companhias operadoras do Japão, divulgou que o atrado médio por combio de alta velocidade ao longo de um ano é de apenas meio minuto. De todas as rotas do Japão, o transporte ferroviário tem capturado 75% do mercado.

O projeto brasileiro de HSR tem a vantagem de usar informações adaptadas de todas as experiências globais de operadores de viagens.


Eduardo Athayde

Diretor do WWI-Worldwatch Institute no Brasil
E-mail: eduardo@uma.org.br

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