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A força da biodiversidade reúne esta semana, em Manaus, lideres mundiais como Bill Clinton, Arnold Schwarzenegger e Richard Branson, preservadores-pagadores convertidos aos econegócios. Entendendo os motivos e as oportunidades que levaram a ONU proclamar 2011 Ano Internacional das Florestas e o período de 2011 a 2020 como a Década da Biodiversidade, esses empreendedores verdes já alinharam os seus negócios à lucrativa equação da sustentabilidade, onde a preservação pode ser precificada, monetizada e transformada em PIB sustentável.
Hoje, em um único dia, jogamos mais carbono na atmosfera do que os nossos antepassados em cem anos, provocando impactos nos ecossistemas que rastreiam a economia e criando oportunidades de econegócios. Como será que a Amazônia pode atrair o crescente fluxo de capital financeiro que circula o mundo focado nos paradigmas da eco-economia, gerar negócios e garantir a sua preservação?
Iluminando governos, empresas, universidades e a população mundial com fatos e dados, integrantes do Fórum Mundial de Sustentabilidade podem aproveitar a inteligência organizada em índices como o da família do Dow Jones Stoxx que cobrem Europa, Américas e Ásia, usada por empreendedores verdes, para lançar as bases do Dow Jones Amazonia Stoxx; propiciando a investidores internacionais acesso a informações sistematizadas, segmentadas por região, setor e tema - com grife Dow Jones -, evoluindo do princípio do poluidor-pagador para o de preservador-pagador.
O mercado agitado dá margem a iniciativas inusitadas, pagando para preservar. Aproveitando o exemplo da Califórnia que, sob o governo de Schwarzenegger declarou-se estrategicamente como "Estado Verde", criando bancos de conservação e gerando créditos negociáveis sobre o seu ativo ambiental; a Amazônia, um dos maiores bancos de conservação naturais do Planeta, tem à disposição tecnologias empresariais e financeiras de ultima geração para lucrar sustentavelmente com os seus ativos vitais.
Com pressões sem precedentes, a crise climática e a biodiversidade valorada batem às portas das bolsas de valores. Ancoradas na cultura econômica de livre fluxo, onde capitais circulam sem controle de emissões de carbono, as bolsas começam a dar a sua contribuição. Ações podem ser propulsoras ou mitigadoras de emissões e o teor de carbono de cada ação negociada é uma medida da parcela de responsabilidade dos acionistas e seus executivos em um mundo aquecido.
Para serem transparentes, as ações terão de passar pelo crivo do “Carbon Index” e do “DCarb Index”, indicando os níveis de carbonização e descarbonização de cada ação negociada. Qual o índice de descarbonização que a Amazonia oferece à economia e aos habitantes do Planeta? Quanto isto vale? Será que o "Amazon DCarb Index" pode ser usado como mecanismo de criação de fundos e atração de investidores, garantindo a desejada preservação, a descarbonização e a melhoria da qualidade de vida dos habitantes locais?
Créditos de carbono e de biodiversidade negociáveis, que embutem princípios do preservador-pagador, são mecanismos que emergem da busca angustiada por soluções para a comunidade humana que cresce a um ritmo acelerado de 70 milhões de novos habitantes/consumidores - uma França - por ano.
Relevantes iniciativas de pagamento pelos serviços ambientais podem ser fortalecidas se articuladas com fluxos internacionais de capitais interessados nos produtos, serviços e preservação da floresta. O “Bolsa Floresta”, por exemplo, que adotou o princípio do preservador-pagador compensando economicamente os trabalhos de redução do desmatamento, é um embrião para novas rotas de investimentos em preservação e descarbonização, representando um diferencial competitivo para investidores atraídos - ou empurrados - para a sustentabilidade.
Ainda abordada apenas pelo viés ambiental, a sustentabilidade precisa ser entendida na sua dimensão real, envolvendo necessariamente aspectos sociais, culturais, econômicos, financeiros, tecnológicos, estruturais, etc. Quando apenas o viés da preservação ambiental é focado, o desequilíbrio emperra o desenvolvimento. O inverso também é verdade.
Diretor do WWI-Worldwatch Institute no Brasil
E-mail: eduardo@uma.org.br
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