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Eduardo Athayde
Polietileno verde, um sinal positivo
Por Eduardo Athayde

Celebrando o Earth Day (Dia da Terra), empresas focadas na descarbonização de produtos e serviços, interessadas em atrair atenção de investidores, tocaram o sino de abertura do pregão da New York Stock Exchange (NYSE), a maior bolsa de valores do planeta, fato amplamente divulgado pela imprensa em todo o mundo. No mesmo dia, o lançamento da pedra fundamental do polietileno verde da Braskem (uma das maiores petroquímicas do mundo, listada na NYSE), no Pólo Petroquímico de Triunfo, Rio Grande do Sul, sinal positivo da indústria brasileira, surpreendeu pela pobre divulgação a nível nacional e a ausência no noticiário internacional.

Brasileiro e desconhecido do mundo, o polietileno verde remete a questões que esquentam os cérebros das corporações. Quanto representa, em descarbonização, para o balanço de carbono da empresa? Quanto adicionará de valor para o investidor preocupado com o novo mercado da sustentabilidade? Quanto ganha o consumidor e a sociedade com esta iniciativa?

Produzido a partir do etanol de cana-de-açúcar, o polímero verde usa tecnologias e competências brasileiras, preparando a estreia da petroquímica nas novas regras do jogo da economia de baixo carbono. Mesmo não sendo ainda biodegradável, porque ao substituir a nafta fóssil pelo etanol renovável o polímero resultante é idêntico ao de origem petroquímica, dá um passo adiante sintonizado com as recomendações de diminuição nas emissões. No atual cenário da economia global, este é um passo sem volta que exigirá novos e rápidos passos na mesma direção.

Nicolas Stern, ex-economista chefe do Banco Mundial, mostra no seu atualizado relatório evidências de aumento da temperatura global e seus reflexos na economia. Para administrar economia mundial dentro da crise climática, será preciso reduzir as emissões de gases-estufa em 50% até 2050. Analisando a influência do aquecimento global nas bolsas de valores, Nasser Saidi, membro do Comitê de Políticas para o Desenvolvimento da ONU e economista chefe do Dubai International Financial Centre, uma das mentes que lideram o estratégico crescimento sustentável daquele país, afirmou: "o ponto chave é que investidores não compram o passado, mas o futuro".

Empresas listadas em bolsas sabem que numa conjuntura econômica favorável, informações ajudam a formar opiniões, influenciando tendências de investimentos em meio a um conjunto de outros fatores. O polímero verde embute uma estratégia mercadológica de novos negócios, ou melhor, de econegócios.

O novo relatório do WWI-Worldwatch Institute, "Estado do Mundo 2009 - Entrando num mundo aquecido", apresentado pelo presidente do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), Rajendra Pachauri, mostra que cidadãos de países desenvolvidos - grandes consumidores de produtos derivados da petroquímica, presente em praticamente tudo que usamos como os plásticos das escovas de dentes, garrafas, brinquedos, tubos, sacolas, cosméticos, eletrodomésticos, embalagens, carros e aviões -, chegam a emitir 24 toneladas de carbono per capita e terão que inverter a curva de crescimento de emissões até 2020, continuando o decréscimo.

Segundo o relatório Stern, a média global de sete toneladas de emissões per capita, precisará ser reduzida para duas toneladas de CO2, com investimentos de cerca de 1% do PIB global de US$75 trilhões, sob pena de crescentes crises e colapsos econômicos.

Empurrada pelas incontroláveis pressões de redução das emissões, a petroquímica tateia os conceitos da sustentabilidade usando o potencial da alcoolquímica. Além do etanol de cana, usa o zoneamento econômico ecológico como rota de descarbonização, começando a calibrar o inventário de emissões que as empresas, brevemente, serão obrigadas a publicar, revelando níveis de carbonização e descarbonização para mercados e bolsas de valores de um mundo aquecido.

No momento em que o novo arquétipo empresarial internacional cobra respeito aos limites naturais do planeta, os governos da Europa adotam regras para baixar o teto de carbono e o governo americano pede a inclusão de inventário de carbono no balanço das empresas, o primeiro polietileno parcialmente descarbonizado do mundo, brasileiro, já certificado globalmente e pouco divulgado, é sinal positivo, fio de luz verde buscando conexões no chão da fábrica.


Eduardo Athayde

Diretor do WWI-Worldwatch Institute no Brasil
E-mail: eduardo@uma.org.br

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