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As obras de mobilidade urbana têm avançado em sua cidade?
Sim. Elas têm sido feitas dentro do cronograma para a Copa.
Sim. Têm sido construídas de acordo com a necessidade local.
Algumas sim. Mas não todas que são necessárias.
Não. Só as obras dos estádios avançam.



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Eduardo Athayde
Eficiência energética
Por Eduardo Athayde

A Espanha quebrou um importante recorde em março de 2011 quando, pela primeira vez na história, gerou mais energia a partir do vento do que das demais fontes. A geração de 4.738 GWh eólicos no mês cobriu 21% da demanda, suficiente para abastecer 13 milhões de lares espanhóis e economizar 250 milhões de euros com importação de combustíveis fósseis e emissões de CO². Encerrando 2010 com uma potência eólica instalada de 20.676 MW e enfrentando momento econômico turbulento, os espanhóis dão exemplos de resiliência investindo localmente e reativando a rota dos descobrimentos, buscando mercados além mar.

A Europa avança nas tecnologias limpas para garantir a independência das energias fósseis. Exemplo de inovações acontecem em vários pontos no velho continente. Um deles é o de Güssing, um município austríaco de 27.000 habitantes. Na última década Güssing - antes totalmente dependente de energia fóssil, com custos anuais de US$ 9 milhões - tornou-se autossuficiente na produção de energia renovável para eletricidade, aquecimento e transporte partir do uso de recursos existentes na região como biomassa e resíduos sólidos urbanos.

Sessenta novas empresas e mais 1.500 novos "empregos verdes" foram criados, especialmente por pequenas empresas inovadoras, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa (GEE) em mais de 80%. Hoje, Güssing gera mais “energia limpa" do que necessita e fatura US$ 28 milhões por ano com a venda da sua energia excedente. Em dezembro de 2008, influenciada por essas exitosas iniciativas locais, a Áustria anunciou a meta de tornar-se independente de energia fóssil até 2050.

Melhorar a eficiência energética em todas as áreas tornou-se uma das maneiras mais rápidas e mais eficazes de gerar empregos e rendas, reduzindo as emissões de GEE. Na indústria da construção civil, por exemplo, 80% dos custos de um edifício, após a construção, vêem da energia. Diferente dos carros que começam a passar por inspeções para assegurar o cumprimento de normas limpas, os edifícios ainda não são obrigados a passar por check-ups de eficiência energética, o que acontecerá no futuro próximo, feito por consórcios de pequenas empresas capacitadas como produtoras de inovação.

Hoje, mais de 70 países do mundo desenvolvem energia eólica fazendo com que entre 2000 e 2010 a capacidade global de geração de energia elétrica a partir do vendo pulasse de 17.000 megawatts para 200.000 megawatts. O estado do Texas, tradicional líder na produção de petróleo é, hoje, líder na geração de eletricidade do vento. Se todas as fazendas de vento ora projetadas forem concluídas, em 2025 o Texas terá 38.000 megawatts de capacidade de geração eólica, equivalente a 38 usinas de carvão, e satisfará 90% das necessidades de energia residencial para os 25 milhões de habitantes do estado.

Na China, o Programa de Energia Eólica, maior do que qualquer outro do mundo, constrói sete mega complexos de 10 a 38 gigawatts cada, em 30 diferentes províncias, quando prontos terão a capacidade total de 130 gigawatts.

Os questionamentos intermináveis sobre a urgência na adoção da eficiência energética estão sendo reduzidos pelos fatos e dados projetados na tela da realidade. Enquanto Agência Internacional de Energia (AIE) informa que a demanda mundial por energia aumentará em 40% em 2030 e o Japão, eficiente, usa os destroços gerados pela tragédia da tsunami para produzir energia limpa; pesquisas estimam que no Brasil o potencial eólico chegue a 143 gigawatts, mais de dez vezes o que é gerado pela usina de Itaipú. Segundo o Instituto de Pesquisas Energéticas e Ambientais da Alemanha, em 2008 o mercado de bens e serviços da eficiência energética movimentou globalmente uma economia de US$156 bilhões; em 2020 poderá passar para US$ 655 bilhões.

A parcela deste montante que ficará no Brasil e mais especificamente nas regiões brasileiras que mais avançarem na área, capacitando grandes e pequenas empresas e influenciando diretamente o desenvolvimento social, dependerá da visão, da competência e das ações concretas que governos, academia, corporações e a sociedade organizada consigam, efetivamente, realizar.


Eduardo Athayde

Diretor do WWI-Worldwatch Institute no Brasil
E-mail: eduardo@uma.org.br

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