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As obras de mobilidade urbana têm avançado em sua cidade?
Sim. Elas têm sido feitas dentro do cronograma para a Copa.
Sim. Têm sido construídas de acordo com a necessidade local.
Algumas sim. Mas não todas que são necessárias.
Não. Só as obras dos estádios avançam.



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Delfim Netto
Atenção à demografia
Por Delfim Netto

A qualidade do futuro da sociedade brasileira está presa à sua demografia. As últimas projeções mostram que em 2030 (que para a nação é amanhã!) seremos qualquer coisa como 216 milhões de habitantes, 151 milhões entre 15 e 65 anos. A tabela abaixo deixa isso mais claro:

 tabela

Esses números mostram que, se o Brasil não for capaz de pensar os próximos 20 anos, corre o risco de ficar velho antes de ficar rico. Há dois graves problemas colocados por essa evolução demográfica.

1º) Temos de acertar nossas contas com o setor da previdência social (principalmente a do setor público). Nas condições atuais de pressão e temperatura (que ameaçam piorar pela miopia do Congresso), isso coloca um problema insolúvel de equilíbrio fiscal. Sua simples expectativa ameaça o equilíbrio monetário, o que torna mais difícil a redução da taxa real de juros. Esse é um problema ainda mais sério quando sofisticados economistas, usando sofisticadas técnicas econométricas, afirmam que a taxa de juro real de equilíbrio no Brasil é de "7% a 8%"! Só mesmo essa dupla sofisticação poderia produzir um resultado teratológico como esse!

2º) É preciso manter no nosso radar que teremos de dar emprego de boa qualidade a 151 milhões de brasileiros em 2030. Isso não será feito apenas com a atividade agrícola e mineradora ou com a economia de baixo carbono, as duas primeiras certamente poupadoras de mão de obra devido ao desenvolvimento tecnológico. Precisamos expandir a produção industrial e a de serviços, complementando o mercado interno com as exportações.

Isso seguramente não será feito com o "câmbio mais valorizado do mundo"! Qual é a razão econômica para uma aplicação, no Brasil, ter rendido em 2009, na Bovespa, de 7% a 8% ao mês em dólares? Não me venham com a explicação de que isso se deve "à oferta e à procura", porque, no Brasil, é a formação do câmbio futuro que determina o presente... Como disse o sábio Thomas Carlyle, basta ensinar um papagaio a soletrar "oferta" e "procura" e teremos um economista...

A excessiva valorização do real está destruindo as cadeias produtivas e levando as empresas a se transferirem para o exterior, transformando-se de exportadoras (que criavam emprego) em importadoras (que dispensam empregos).

Se tudo continuar como está, em 2030 seremos um grande exportador de alimentos e minérios e um grande e miserável repositório de desempregados!


Delfim Netto

Economista, formado pela USP e professor de Economia, foi ministro de Estado e deputado federal.

*Coluna publicada no jornal Folha de S. Paulo às quartas-feiras.

Separador Item
Item Lendas urbanas
Item A lição grega
Item Adeus à tranquilidade
Item Probabilidades
Item Bravíssimo!
Item Meta de inflação
Item Política monetária
Item O tempo chegou
Item Câmbio e pirâmides
Item Davos e nós
Item Mandelbrot
Item Macro
Item Teorias sociais
Item 2011
Item Antenado
Item O que incomoda
Item Iguais ao mundo
Item Gradualismo
Item Indexação
Item Incertezas
Item Lição de casa
Item Meritocracia
Item Credibilidade
Item PIB
Item Selic e dívida
Item Melhor gestão
Item A pergunta
Item Metas de inflação
Item Disfuncional
Item Sexo e câmbio
Item Semana feliz
Item Distorções
Item Prioridades
Item EUA e a crise
Item Esta é a hora
Item Vento contra
Item Duplo espanto
Item Heterodoxos
Item Garantia legal
Item Câmbio
Item Dúvidas
Item Dobrar a aposta
Item Homem e trabalho
Item Origem da crise
Item Depois de um trilhão de dólares
Item Avanço à vista
Item Moderação
Item PIB nominal?
Item Foxconn
Item Luz no fim do túnel?
Item A taxa de câmbio no desequilíbrio fiscal
Item Falso progresso
Item O mundo como ele é
Item Arrogância
Item 4% em 2012. Por que não?
Item Desenvolvimento
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